Parecer do TRE pede reprovação de contas de Barbudo; deputado eleito diz não haver “caixa 2”

Entre as divergências encontradas estariam doações não comprovadas e distribuição de santinhos

Deputado Nelson Barbudo, lembra que em MT são cerca de 80 mil famílias Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pediu que as contas de campanha política do deputado federal eleito com mais votos Nelson Barbudo (PSL) sejam reprovadas. Entre as divergências encontradas, em parecer técnico, estão doações e aquisição de 3,3 milhões de santinhos, 17.980 adesivos e 60 bandeiras, para que 23 cabos eleitorais distribuíssem.

Dos 23 colaboradores, 17 foram contratados pelo deputado eleito e seis doaram serviço de mão de obra. O parecer apontou que, em um cenário de 60 dias de campanha, 2.428 mil santinhos foram distribuídos por dia por cada um deles.

Barbudo explicou que não foram entregues um milhão de material, pois eles foram impressos equivocadamente.  O argumento, contudo, não foi suficiente para convencer a examinadora de contas do TRE, Grace Gasparato, que emitiu o parecer que desaprovou a prestação de contas relativa à Arrecadação e Aplicação de Recursos na Campanha do eleito.

“Foram detectadas divergências entre as informações das despesas com publicidade de materiais impressos e adesivos e das despesas relativas às atividades de militância e mobilização de rua, que indicavam flagrante desproporcionalidade do quantitativo de colaboradores, contratados ou voluntários, para a vazão adequada dos materiais de campanha adquiridos”, conforme trecho do parecer.

Também foram apresentadas como divergências o pagamento das atividades de militância e mobilização de rua. Barbudo alegou que o valor médio pago pelos serviços era de R$ 732, abaixo que a quantia de atividade realizada por doação.

“Ocorre que, examinando os registros das receitas estimáveis, tais serviços foram doados ao valor médio de R$ 977 para a mesma função de cabo eleitoral. Não houve demonstração da base de valor de mercado utilizada para a função”, observou a examinadora de contas.

Outras inconsistências ressaltadas são referentes a omissão de receitas estimáveis em dinheiro e sobras de recursos. Entre os valores, supostamente, omitidos está uma doação de R$ 2.173 mil do PSDB de Mato Grosso.

“Referente ao valor de R$ 2.173,91, o candidato nada esclareceu, limitando-se a afirmar a inexistência da importância em sua prestação de contas”, ainda conforme o parecer.

Em relação a sobra de caixa, é uma quantia de R$ 1.5 mil que seria para impulsionamento de postagens das redes sociais. O parecer aponta que o valor deve ser devolvido para a direção do PSL.

Sem irregularidades

Ao LIVRE, o deputado eleito Nelson Barbudo disse que está tranquilo, pois não cometeu caixa 2 e nem deixou de apresentar documentos que comprovam os gastos e atividades de campanha.

Quanto ao valor a ser devolvido para o partido, Barbudo explica que o dinheiro seria usado para impulsionar suas postagens nas redes sociais, mas no decorrer da eleição não foi necessário. “Se for o caso eu até devolvo do meu próprio bolso”.

O deposito de pouco mais de 2 mil reais, ainda segundo o parlamentar eleito, foi em razão da coligação entre o PSDB e PSL, mas que conta com o comprovante e que o mesmo já foi apresentado para à Justiça Eleitora.

A quantidade de pessoas prestando serviço de cabo eleitoral, considerada insuficiente, foi questionada pelo deputado. “Se fala em redução de gastos com campanha. Eu consegui fazer o serviço com menos pessoas”.

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