Servidores dizem que secretaria “pressionou” por fraude no Ganha Tempo

Uma série de boletins de ocorrência acusa o governo de Mato Grosso de fraudar relatórios para supostamente prejudicar empresas

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Servidores públicos registraram boletins de ocorrência com acusações contra o governo de Mato Grosso por suposta fraude nos relatórios de atendimento no Ganha Tempo. O LIVRE teve acesso a três registros de situações que, supostamente, vêm acontecendo desde março, em diferentes postos. 

O primeiro boletim foi registrado no dia 16 março por uma funcionária do Detran-MT. Ela conta que foi “perseguida” por uma contratada da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplag) para assinar um relatório do órgão público no Ganha Tempo do CPA, em Cuiabá. 

A servidora teria recusado assinar o documento e informado seu chefe de imediato sobre a situação. Ele a teria orientado a manter a recusa. A resistência teria sido usada como pressão por causa de um acontecimento do cotidiano de reclamação de uma cliente. 

O segundo boletim é de 1º de abril e também envolveria a alteração de um relatório. Foi feito por um sócio da empresa Meriton Consultoria, ligada à administração de um posto em Cáceres. 

O denunciante conta que, após uma reunião com membros da Seplag, o sócio da empresa, apresentado como Thiago, teria pedido que fosse acatada orientação da Secretaria de alterar um relatório de auditoria, correspondente a fevereiro no Ganho Tempo de Cáceres. 

A alteração “impactaria no valor de recebimento do Consórcio Rio Verde” por serviços executados ao Estado. A auditoria teria sido realizada com representante da Seplag e da gerência local do Ganha Tempo. 

O terceiro boletim tem data de 17 de setembro. O denunciante conta reações de uma fiscal no Ganho Tempo no dia da deflagração da operação que investiga fraudes nos postos do órgão. 

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A fiscal denunciada teria pedido para que alguns funcionários mentissem para os investigadores, dizendo que a empresa que administra o posto – não especificado no boletim de ocorrência – pedia que atendimentos fossem falsificados. 

O pedido teria sido feito acompanhado da ameaça de demissão de funcionários de quem a fiscal não gostaria. 

O advogado do consórcio Rio Verde, Daniel Leon Bialski, disse que manobras como as descritas nos boletins de ocorrência teriam levado ao afastamento das empresas da administração do Ganha Tempo em Mato Grosso. 

“O problema foi notificado ao Estado em dezenas de ofício, mas em momento algum o Estado fez valer a figura do comitê previsto no contrato que seria a solução correta do problema. Preferiu-se registrar uma notícia-crime, sem que as empresas e os funcionários tivessem qualquer oportunidade de explicação”, disse.

O que diz o governo?

A reportagem do LIVRE entrou em contato com a Secretaria de Estado de Planejamento, mas até o momento, não houve respostas.

O espaço segue aberto para manifestações.

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