Resiliência: setor de academias foi o mais atingido pela pandemia

Pesquisa mostra que faturamento das empresas no mês de maio corresponde a 52% do que é considerado normal para o período

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Enquanto alguns empresários fecharam as portas, outros acumulam prejuízos por conta da pandemia no setor de academias, um dos elencados pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) como mais afetados pela covid-19.

A realidade nacional se repete em Cuiabá, sendo que algumas unidades conseguiram superar a média em relação aos danos. Conforme os dados da Pesquisa de Impacto da Pandemia de Covid-19 nas Micro e Pequenas Empresas, em maio deste ano, o faturamento estava abaixo dos 52%, em comparação com o período anterior a pandemia no Brasil.

Porém, para os proprietário do Cross Zanca, a porcentagem era muito maior. Eles tiveram que sair do barracão onde trabalhavam e adaptar o fundo da casa de um dos proprietários, Fernanda Dotto, para receber os equipamentos e os poucos alunos que restaram, 40 dos 200 matriculados antes da pandemia.

Fernanda Dotto é uma das sócias do Cross Zanca, que fica na av. Ipiranga, em Cuiabá. (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Momentos de muita superação para os empresários que, até hoje, não conseguiram quitar as dívidas provenientes da reforma do antigo espaço que era academia, da adaptação do fundo da casa da empresária e, agora, da reforma do espaço novo.

Eles ainda não contabilizaram o prejuízo total com as reformas. Fernanda diz que apenas no primeiro espaço, foram R$ 200 mil, que seriam diluídos nos anos de atividade no local, que foram interrompidos por conta da pandemia.

“Nos reinventamos nesse período. Chegamos a alugar equipamentos para os nossos alunos e, com isso, conseguir o dinheiro da subsistência. Acreditamos que vai demorar um tempo, porém, vamos nos recuperar. Hoje, já estamos com 80 alunos”, ela diz.

Empresa teve gastos com reformas em 3 lugares diferentes em um único ano. (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Perspectivas após a vacinação

Um dos pontos que favoreceu a retomada das atividades, na opinião de Fernanda Dotto, foi a vacinação. Ela explica que trabalha com um público diverso e, ao contrário do que muita gente pensa, as pessoas não buscam uma atividade física apenas por estética ou para emagrecer.

Muitos dos alunos trabalham o dia todo e veem na atividade uma forma de lazer, tratamento psicológico e até mesmo físico, já que querem manter a funcionalidade nas atividades diárias.

“Muitos alunos entram em contato e falam que estão esperando apenas a imunização completa para voltarem. Eles se sentem mais confortáveis assim. A situação mostra que há perspectiva de melhora até o final do ano”, afirma a empresária.

Quando questionada sobre o diferencial que permitiu a empresa ficar no mercado, apesar de tudo que enfrentaram, Fernanda não teve dúvidas em atribuir o sucesso a fidelização dos alunos e qualidade do trabalho.

“Quando fomos para os fundos da minha casa, que é do outro lado da cidade, muitos alunos nos acompanharam mesmo com a distância”, declara.

As pessoas buscam mais que estética e emagrecimento em uma atividade física, explica a empresária(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Dados da pesquisa

Segundo os dados da pesquisa, metade das academias do país está com dívidas em atraso. O estudo mostra ainda que, em maio, o faturamento chegou a um patamar 52% abaixo do que seria normal para o mês.

Na edição anterior da pesquisa, realizada em fevereiro, o segmento estava 42% abaixo do normal. Essa piora de cenário fez com que esses empresários se tornassem os mais preocupados entre todos os setores analisados: 72% alegam que estão com muita dificuldade de manter o negócio.

Pandemia afastou os alunos e vacinação está os reaproximando das academias (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Presidente do Sebrae, Carlos Melles, lembrou que as academias, assim como o setor de eventos e turismo, precisam da presença do público para funcionar. Ao longo da pandemia, muitas inovaram nas aulas e consultorias online para segurar minimamente o faturamento.

Melles afirmou também que apesar da reabertura das academias, a maioria das pessoas ainda se sente insegura de se exercitar em ambientes fechados.

“Por isso, é tão importante avançarmos de forma mais ágil e efetiva no processo de vacinação”, conclui o presidente.

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