Queimadas ameaçam rebanho, abastecimento de água e propriedades privadas em Poconé

Cidade é a porta de entrada do Pantanal mato-grossense que está em chamas há cerca de um mês

(Foto: Mayke Toscano/Secom-MT)

Até o começo da semana, a cidade de Poconé (104 km de Cuiabá) era tomada pela fumaça apenas durante a noite. Porém, com o aumento das queimadas, a nuvem cinza passou a se fazer presente 24 horas no município, o que levou o governo federal a reconhecer o estado de emergência.

Segundo a secretária Municipal de Meio Ambiente, Danielle Assis, mais de 100 mil hectares foram alvo dos incêndios. Eles estão distribuídos entre área de preservação e também em propriedades particulares.

Um cenário que está deixando os fazendeiros temerosos, tendo em vista que já há relatos de mortes de vários animais silvestres e os focos de fogo estão se alastrando.

Ainda não houve registro de morte de gado. Contudo, devido a força do vento e agressividade das chamas, nem sempre é possível prever o tempo de chegada e nem a direção do fogo, que transformou-se em um risco eminente.

Se comparado ao ano passado, o número de brigadista que estão atuando no fronte teve um acréscimo de 500%. Em 2019, trabalharam na região 12 profissionais. Hoje, estão em ação 80 militares e outros 12, do Instituto Chico Mendes (ICMbio), acabaram de chegar a região. E mais reforços são aguardados.

(Foto: Mayke Toscano/Secom-MT)

Além do pessoal, houve acréscimo na estrutura. Uma unidade do Corpo de Bombeiros foi instalada na aeroporto do Sesc Pantanal. Lá, estão 5 aeronaves que diariamente levam água para os lugares de difícil acesso e ainda monitoram o caminho do fogo para alertar fazendeiros e moradores sobre a distância da chamas, contribuindo para uma evacuação de emergencial caso necessário.

Área Urbana

Com o clima seco e a fumaça, o número de casos de doenças respiratórias aumentou de forma exponencial e, conforme Assis, as pessoas estão sendo orientadas a procurar as unidades do Programa Saúde da Família e não o pronto-atendimento, onde estão os pacientes de covid-19.

Pelo fato de os sintomas das doenças respiratórias serem semelhantes aos do novo coronavírus, está acontecendo muita confusão. As pessoas costumam reclamar de febre, falta de ar e dor no corpo, que também são sintomas da covid-19.

Outro problema gerado pelo excesso de queimadas está relacionado com o abastecimento de água da cidade. A estiagem comprometeu as principais fontes de capitação, o Rio Bento Gomes e os poços artesianos.

Paralelo a isso, houve o aumento do consumo pelas famílias, o que fez a companhia responsável pelo serviço iniciar o fornecimento intermitente e não mais contante como era antes.

(Foto: Mayke Toscano/Secom-MT)

Estado de emergência

Após o governo federal reconhecer o estado de emergência, a Prefeitura de Poconé teve acesso à ajuda com relação a reforços de brigadistas, o posto do Corpo de Bombeiros e ainda uma pá carregadeira – fruto de apreensão pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

A secretária explica que outros recursos estão sendo almejados e um documento será encaminhado para avaliação da União ainda nesta quinta-feira (13). A cidade, que é uma das portas de acesso ao Pantanal mato-grossense, está revindicando R$ 700 mil.

O valor seria aplicado na contratação de caminhões pipas e esteiras – para se fazer os bloqueios – e ainda combustível, refeições e transporte daqueles que estão na linha de frente contra o fogo.

Para Danielle Assis, o governo federal deve avaliar o pedido até terça-feira.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorQueimadas e estiagem: Prefeitura de Cuiabá pode decretar situação de emergência
Próximo artigoMãe deixa filha de cinco anos com marido e o flagra estuprando menina embaixo de edredom