Número de mortes por doenças cardíacas cresce 75% em MT

E a culpa disso, dizem especialistas, pode ser a pandemia da covid-19. Entenda

(Foto: Pixabay)

As mortes por doenças cardíacas em Mato Grosso registraram um aumento de 75% no período de 1º de janeiro a 25 de agosto, com relação a 2020. O Estado já contabilizou 1.840 mortes durante esse período, sendo 778 por infarto. As demais foram por causas cardíacas inespecíficas, de acordo com os dados da Transparência do Registro Civil.

Esse crescimento chama a atenção, destacam os especialistas, e a explicação epidemiológica para esse salto carece de uma análise aprofundada, com estudos e monitoramento.

Todavia, o cardiologista Carlos Augusto Carretoni Vaz lembra que, por conta da pandemia do coronavírus, muitas pessoas alteraram as rotinas de cuidados com a saúde com a suspensão dos exercícios físicos e, até mesmo, do acompanhamento médico periódico.

“Hoje, nós temos uma saúde voltada para a covid-19, esquecendo as síndromes coronarianas agudas e instáveis. Quando os casos chegam até nós, já estão em fases agudas”, comenta Vaz.

Fatores de risco

Dentre os fatores de risco, o cardiologista do Hospital Geral, Danilo Arruda, destaca primeiramente os modificáveis, quer dizer, aqueles possíveis de controlar. São a hipertensão, diabetes, tabagismo e colesterol elevado.

“Mas há também outros, como a idade, sexo masculino e a herança genética. Nesses casos, os cuidados de monitoramento devem começar o quanto antes”, recomenta Arruda.

Vaz, por sua vez, pontua ainda que o próprio vírus pandêmico também pode agravar a situação de uma pessoa que tem problemas cardíacos. Isso porque a covid-19 leva a um estado inflamatório que facilita a ocorrência de arritmias, infarto, pericardite – a inflamação difusa do pericárdio, uma espécie da capa que envolve o coração – e a miocardite, que é inflamação no músculo cardíaco.

Principal causa de mortes

O cardiologista do Hospital Geral, Danilo Arruda, reforça que as doenças cardíacas, dentre elas o infarto, são as principais causas de morte no mundo ocidental. E dentre as vítimas fatais, 50% falece antes de chegar aos hospitais.

No Brasil, este ano, já são mais de 260 mil mortes por doenças cardiovasculares. A média é de 1,1 mil óbitos diariamente, conforme o Cardiômetro da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Sintomas

Os cardiologistas indicam que a dor no peito é o principal sintoma do infarto. Arruda frisa que é uma dor ininterrupta, diferente da angina, na qual há uma recuperação assim que ocorre o relaxamento de músculos e veias.

“Já no infarto, a dor é permanente, pois há a formação de um coágulo. É uma dor que não passa, persiste por mais de 15 minutos. Então, o médico deve ser procurado!” alerta.

Vaz complementa a orientação indicando o uso do AAS Infantil quando a dor aparecer. “É importante ter o AAS infantil em casa, ele pode salvar vidas. Nesse caso, tome um e busque o hospital ou chame o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu)“, orienta.

Quem souber realizar as massagens cardíacas também pode auxiliar nesse momento de socorro, caso seja necessário, destaca Arruda.

Quanto a mensagens que circulam no Whatapp com orientações sobre o que fazer quando estiver sozinho e apresentar sintomas de infarto, Arruda é direto. “Isso é mito. A recomendação é para buscar atendimento especializado”, reforça.

Socorro urgente

O atendimento urgente é uma observação unânime entre os médicos. “Como dizemos na medicina, ‘músculo é vida’, então o socorro precisa ser o mais rápido possível”, diz Vaz.

O cardiologista explica que um coração infartado acaba por ir perdendo vida em seu músculo. Portanto, quanto mais demorar o atendimento, mais partes necrosadas terá o órgão, diminuindo então as chances de sobrevivência desse paciente.

Nesse caso, a burocracia estatal é o que pode atrapalhar, com o preenchimento de dados, busca de vagas no sistema, organização da transferência, quando há.

Arruda frisa que no HG, por exemplo, assim que um paciente infartado chega – o hospital não é porta aberta -, é encaminhado diretamente para o atendimento, até mesmo cirúrgico.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre )

Rede de atendimento

Na Capital, a orientação da Prefeitura é para que sejam procuradas as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) ou policlínicas, ou mesmo chamar o SAMU, pelo número 192, para ser encaminhado a um hospital.

Em Várzea Grande, o atendimento deve ser feito pelo Hospital e Pronto Socorro, UPAs Ipase e Cristo Rei ou também via encaminhamento pelo Samu.

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