Nadaf desviou R$ 250 mil em contratos fictícios com a Fecomércio

Entre os anos de 2012 e 2015 - inclusive durante a sua presidência na entidade - o empresário prestou serviços recorrentes de “consultoria” à entidade que presidia

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O ex-secretário de Fazenda no governo de Silval Barbosa (sem partido) Pedro Nadaf usou da estrutura da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomercio-MT) para desviar ao menos R$ 250 mil entre os anos de 2012 e 2015. Nesse período, no qual ele emitiu ao menos 38 notas fiscais por serviços de “consultoria” à entidade, ele ocupou os cargos de secretário estadual da Fazenda e também presidiu a federação.

As notas foram todas emitidas pela NBC – Assessoria, Consultoria e Planejamento. A empresa, que foi encerrada no ano de 2016, pertencia 99% a Pedro Nadaf e 1% ao seu filho, de mesmo nome, segundo mostram dados da Junta Comercial do Estado de Mato Grosso. A empresa, aberta em 1981, foi fechada em 2016, no auge do processo que levou Nadaf à prisão e em seguida à sua delação premiada.

Ao longo de seus depoimentos, Nadaf assumiu que a NBC era uma empresa fajuta, usada única e exclusivamente para fazer negociatas.

Em depoimento no dia 04 de julho de 2017 à juíza Selma Rosane Arruda, na época à frente da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Nadaf confirmou a natureza de “fachada” da NBC. Na ocasião, o ex-secretário detalhou a utilização da empresa para estabelecer contratos fictícios com empresas de Alan Malouf, sócio do Buffet Leila Malouf, como forma de lavar valores desviados da desapropriação do bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá.

Dessa forma, os contratos feitos pela mesma empresa fictícia junto à Fecomércio-MT não seriam exceções à natureza da companhia e dos seus negócios, delatados no acordo com a Justiça.

O LIVRE teve acesso a 38 notas fiscais emitidas entre fevereiro de 2012 e junto de 2015. O total recebido por Nadaf foi de R$ 251.432,45. Esse valor, no entanto, pode ter sido maior. Em 2012, Nadaf recebeu R$ 63.209 da entidade. Esse repasse foi para R$ 41.958,65 em 2013; R$ 41.958,65 em 2014 e R$ 58.500 em 2015.

Histórico

Nadaf estabeleceu, ao longo da ultima década, um reinado duradouro à frente da entidade. Ele foi presidente em duas ocasiões, sendo a primeira entre 2004 e 2010, por dois mandatos. O terceiro mandato teve início em 2014 e foi encerrado em setembro de 2015, após sua prisão. O atual presidente, inclusive, Hermes Martins da Cunha, é seu indicado para o posto. 

O que mais causa estranhamento nessas notas de “consultoria” é que boa parte delas foram emitidas durante a presidência de Nadaf na entidade, em 2015. Ou seja, a sua empresa teria como objetivo dar sustentação à sua própria gestão.

Outro lado

Procurada para informar quais seriam os serviços prestados por Nadaf à Fecomercio através da sua empresa, a assessoria de imprensa da Fecomércio-MT limitou-se a emitir nota dizendo que todos os fatos relacionados ao ex-presidente da entidade tinham sido esclarecidos ao Ministério Público. “Desta forma, não existe nenhuma investigação ou inquérito sobre esse tema envolvendo a Fecomércio”, disse a entidade, em nota.

Em novo questionamento, no qual foi detalhado trecho da delação de Nadaf na qual ele assume a natureza fajuta da empresa, enviado à Fecomercio-MT, perguntando se a federação pretende abrir alguma diligência a respeito do assunto para reaver o dinheiro destinado à empresa de fachada, a entidade não se posicionou até o fechamento desta reportagem. (Colaborou Mikhail Favalessa)

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1 COMENTÁRIO

  1. ESSE CARA AINDA FREQUENTA LA COMO SE FOSSE DONO DA FECOMERCIO ELE VIVE INDO LA VISITAR E PASSAR SERVIÇOS PARA SEUS AMIGOS QUE AINDA TRABALHA NA FECOMERCIO E SO PF FAZER UMA BUSCA LA IRA ENCONTRA MUITA GENTE LA QUE TEM RABO PRESO CARROS, CONDOMÍNIO DE LUXO SALÁRIOS BEM GORDOS E PORQUE ELE AINDA VAI LA SE NÃO FAZ MAIS PARTE DA FEDERAÇÃO TEM VÁRIOS VIDEOS E FOTOS DELE ENTRANDO E SAINDO DE DENTRO DA FECOMERCIO CADE O MPE? CADE A JUSTIÇA BRASILEIRA ATE QUANDO ESSE CARA VAI MAMAR NAS CUSTA DOS EMPRESÁRIOS DE MATO GROSSO

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