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Microtrabalho: conheça a face oculta por trás da inteligência artificial

Microtrabalho: conheça a face oculta por trás da inteligência artificial
Foto de Laura Nabuco
Laura Nabuco

Você já se perguntou como assistentes virtuais, do tipo Alexa, conseguem entender o que você está pedindo? Ou como plataformas de redes sociais compreendem que determinada imagem é inapropriada? Já parou para pensar que, para isso acontecer, um ser humano precisou “treinar” essa máquina? Pois esse texto é sobre isso: o microtrabalho de milhares de pessoas ao redor do mundo que alimenta com informações esses sistemas de inteligência artificial.

Uma pesquisa recente realizada pelo Laboratório de Trabalho, Saúde e Processos de Subjetivação da UEMG (Universidade Estadual de Minas Gerais), em parceria com o Instituto Politécnico de Paris, trouxe à tona o perfil das pessoas que realizam essas atividades e as questões éticas e econômicas envolvidas nesse sistema.

Mas, antes de começar, vamos esclarecer: o que é o microtrabalho?

Trata-se da realização de pequenas tarefas, geralmente rápidas e repetitivas que envolvem a coleta, classificação e verificação de dados. Exemplo: ouvir áudios – o que inclui não só palavras, mas gritos e outros sons desagradáveis – e transcrevê-los ou classificá-los; ou, então, ver diferentes tipos de imagens e também identificar e descrever do que se trata.

O dados produzidos nessas “pequenas” tarefas é o que alimenta os algoritmos e treina modelos de inteligência artificial. É assim que sua assistente virtual se torna capaz de reconhecer seu comando de voz e a rede social consegue identificar imagens inadequadas.

Microtrabalho = micropagamento

A pesquisa da UEMG identificou mais de 50 plataformas de microtrabalho em operação no Brasil. Mas termine de ler esse texto antes de sair em busca de uma delas para fazer renda extra.

Enquanto desenvolvedores de sistemas de inteligência artificial podem ter salários que variam de R$ 7 mil a R$ 35 mil (de acordo com a empresa de recursos humanos em TI Adecco), os pesquisadores da UEMG identificaram que brasileiros que realizam esses microtrabalhos recebem, em média, apenas US$ 1,92 – o equivalente a cerca de R$ 9 – por hora.

Um contraste ainda mais gritante quando se sabe que esse mesmo microtrabalho deve movimentar no mercado de tecnologia, aproximadamente, US$ 1,3 trilhão até o fim de 2032, de acordo com projeções da agência Bloomberg.

Para a pesquisa, foram entrevistadas 477 pessoas, que revelaram que o pagamento de (literalmente) centavos por tarefa realizada não é o único problema.

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De acordo com uma reportagem do The Intercept Brasil, muitas vezes, essas pessoas sequer recebem pelo microtrabalho realizado. Além de não permitirem uma negociação sobre o preço do serviço, as plataformas que contratam esses trabalhadores podem, simplesmente, rejeitar o trabalho feito por alguém e, se isso acontece, a pessoa não recebe o valor esperado.

A pesquisa da UEMG identificou que, em média, os trabalhadores entrevistados esperavam receber cerca de R$ 1,6 mil por mês pelo microtrabalho realizado. O valor efetivamente recebido, no entanto, costuma ser na casa dos R$ 580.

Mas se você ainda não está convencido de que procurar uma plataforma de microtrabalho pode ser uma má ideia, a reportagem do The Intercept Brasil também aborda os potenciais anos psicológicos que a prestação desses serviços pode causar. Em geral, esses trabalhadores estão expostos a imagens e discursos de violência e outras manifestações desagradáveis que o ser humano é capaz. Para ler a reportagem, clique aqui.

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