Inflação e juros altos inflam cofre público de Mato Grosso

Preços mais caros para os produtos e serviços básicos dos brasileiros estão fazendo o estado lucrar acima do esperado

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT) anunciou que o estado já alcançou cifra de R$ 15 bilhões na arrecadação em impostos neste ano. 

A quantia foi batida com mais de duas semanas de antecedência na comparação a 2020. No dia 6, Mato Grosso já tinha registro dos R$ 15 bilhões nos cofres públicos, no ano passado a cifra foi registrada no 23 de maio, na reta final do mês. 

O motivo da aceleração está no aumento dos preços com a inflação alta e no volume de movimentações financeiras. E se a tendência continuar, Mato Grosso deve a alcançar novos patamares na arrecadação nos próximos meses. 

“Vários indicadores estão mostrando que os governos estaduais, principalmente, e o federal estão arrecadando mais dinheiro do que antigamente. Isso se deve a três fatores da nossa economia, e o primeiro é a inflação”, diz o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Gustavo Oliveira. 

Inflação e juros em alta 

O empresário explica que os preços dos combustíveis, alimentos, gás de cozinha, energia elétrica e outros produtos de uso cotidiano dos brasileiros estão mais caros e isso eleva a base de tributação do estado. É cobrado um mesmo percentual de impostos – o ICMS é o principal deles – sobre preços mais altos. 

Há quase um mês a tarifa de consumo de energia elétrica teve reajuste em Mato Grosso na casa dos 20%, autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).  

Em abril de 2021, o preço médio do gás de cozinha em Mato Grosso estava em R$ 104,81. Em março passado, a média já havia subido para R$ 129,57 (+23%). 

Também é apontado pelo presidente da Fiemt o aumento de juros, puxado pelo crescimento da Selic – a taxa de juros básica do Banco do Brasil usada para controlar a inflação.  

“Quando a Selic sobe, o produtor financeiro sobe e todas as operações que são financiadas acabam tendo um impacto na arrecadação de impostos. Quanto mais se financia, mais IOF se paga, quanto mais bens de consumo as pessoas adquirem, mais impostos elas vão pagar”, pontua.  

PIB inesperado 

Outro fator é o aumento do PIB (Produto Interno Bruto) acima da média projetada. Em miúdos, a base tributação dos governos ficou maior do que a esperada, portanto, a mais campo para a cobrança de impostos. 

“Aliado a isso, a economia mato-grossense que é mais dinâmica do que a média nacional tem tidos alguns pontos de inflexão, principalmente nos custos do agronegócio que fazem com a arrecadação direta e indireta tenham um destaque ainda maior”, comenta. 

Conforme o Boletim de Arrecadação dos Tributos Estaduais, divulgado pelo Confaz (Conselho Nacional de Políticas Fazendárias), o dinheiro recolhido em Mato Grosso, janeiro a março, ficou 26,4% maior na comparação com 2021. Até o momento, foram contabilizados R$ 5,5 bilhões e no mesmo período do ano anterior, a quantia ficou em R$ 4,3 bilhões. 

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