Homem tenta fazer compra e descobre que “está morto” desde 2012

Defensoria Pública entrou com ação para provar que Paulo Roberto Gonçalves está vivo e restabelecer seu CPF

(Foto: Divulgação)

Paulo Roberto Gonçalves, 41 anos, achou que a ida à autopeças em outubro deste ano seria mais uma atividade corriqueira do dia-a-dia. Se enganou. Quando teve a compra parcelada negada, por supostas irregularidades em seu CPF, ele descobriu que, na verdade, estava morto.

Morador de Campo Verde desde 2003, ele teve a certdão de óbito emitida no dia 26 de janeiro de 2012 por um cartório de Sorriso, cidade onde jamais pisou.

Na última segunda-feira (13), a Defensoria Pública de Mato Grosso ingressou com uma ação para provar que Paulo ainda está vivo.

“Primeiro, senti medo. A gente não sabe quem errou. Imagine só, estar andando pela rua, ser parado por uma blitz, o policial pede a documentação, eu poderia até ser preso. Já vi casos parecidos”, ele conta.

“Assassinado”

Para conseguir ajuda, Paulo foi a uma delegacia. No local, foi informado que o homem enterrado com seu nome foi vítima de um homicídio. Ele seria um ladrão que teria tentado assaltar um estabelecimento comercial, entrou em luta corporal com um segurança e, após ter sido golpeado com um capacete, foi asfixiado até a morte.

O vigilante chegou a ser preso, mas depois foi solto, pois o juiz considerou que ele agiu em legítima defesa. O caso nem chegou a ir a júri.

Consta na certidão de óbito que ocorreu um reconhecimento de pessoa, expedido pela Polícia Judiciária Civil de Sorriso. Paulo, no entanto, sustenta: “ninguém da minha família reconheceu o corpo”.

O pedreiro, agora, ainda pensa no homem enterrado como se fosse ele. “Me sinto injustiçado e a pessoa que está lá enterrada também. Atrás dele tem uma mãe, uma família”.

Morto não tem diretio à vacina

Pode parecer estranho, mas entre o dia da “morte” e o da compra na autopeças, Paulo nunca precisou usar o CPF. Ele trabalha como autônomo e recebe por serviço, sempre em dinheiro. A esposa tem conta em banco e é quem gerencia as finanças da família.

Eles têm dois filhos e um deles, inclusive, nasceu em 2019, quando o pai “já havia sido assassinado”.

Mas não foi só a compra que foi negada a Paulo. Ele também não conseguiu se vacinar contra a covid-19, nem realizar uma cirurgia de hérnia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em decorrência do problema com seu CPF.

Paulo chegou a entrar em contato com um advogado particular, mas percebeu não teria condições de arcar com as despesas. “Ele cobrou R$ 14 mil. Eu não teria como pagar”.

Diante disso, ele procurou o Núcleo de Campo Verde da Defensoria Pública. A defensora Tânia Vizeu foi quem assumiu o caso. Além de entrar com a ação, ela notificou o Ministério Público para que investiguem quem, afinal, está enterrado no lugar de Paulo.

(Com Assessoria)

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