Filme de MT sobre indígena LGBT é indicado ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro

O curta-documentário de Rafael Irinel já tem mais 50 seleções em festivais, sendo 8 internacionais e 14 prêmios só no primeiro ano de lançamento

Foto: reprodução/Majur

Após mais de 50 seleções em festivais, sendo 8 internacionais e 14 prêmios – só no primeiro ano de lançamento – o filme “Majur”, do cineasta mato-grossense Rafael Irineu, foi indicado ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2019. O registro do cotidiano de uma indígena LGBT está no 1º turno, na seleção ‘curta-metragem documentário’, do evento que consagra melhores produções audiovisuais do país.

Com equipe 100% formada por profissionais mato-grossenses, indígenas, gays, mulheres e transexuais nas principais funções, “Majur” é protagonizado pela chefe de comunicação da Aldeia Poboré, em Mato Grosso. Indígena transexual da etnia bororo, ela é a figura responsável pela interlocução das reivindicações de seu povo com a cidade.

“Acho que o ponto alto disso tudo, além do tema, é a forma como o filme é feito. Cinema considerado de guerrilha, com orçamento baixíssimo, equipe afinada e local de fala, o que pode causar estranheza, porque a ‘ânsia de exploração’ por meio dos estereótipos é automática. Usamos equipamentos considerados amadores. Sem câmera alugada de fora, sem homens brancos e héteros dominando o set. Isso tudo influência muito”, destaca Rafael Irineu.

Assim, com independência e militância, o documentário resulta em uma introdução ao que há por vir da passagem de Gilmar – como o jovem indígena nasceu e é chamado durante o filme – para Majur. Processo este que teve início em sua inserção nas redes sociais, onde aceitou a sugestão da mudança de nome e de onde partiu seu reconhecimento.

O rio primeiro filme do jovem cineasta, natural de Rondonópolis, surge novamente, agora como coadjuvante e símbolo deste rito de passagem. À propósito, o curta-metragem “Meu Rio Vermelho (2016)” tem mais de tem 40 seleções e cinco prêmios.

Prêmio

No primeiro turno do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, a votação é feita entre os membros da Academia Brasileira de Cinema, entidade responsável pela organização. Os cinco escolhidos da categoria estarão na final para concorrer ao Troféu Grande Otelo, premiação que ocorre no Rio de Janeiro (RJ).

“É é uma votação interna de quem organiza os maiores festivais do Brasil para os filmes que circularam no ano anterior. É um evento apenas de premiação, que encerra o ciclo dos filmes lançados em 2018”, explica o diretor.

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