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Filme mato-grossense sobre indígena LGBTI já emplaca 18 festivais e estreia internacional

Foto de Maria Clara Cabral
Maria Clara Cabral

O segundo filme do cineasta mato-grossense Rafael Irineu, Majur (2018), estreia internacionalmente em festival de cinema latino-americano e indígena ainda este mês. Retrato do cotidiano da uma indígena bororo transexual na liderança de sua aldeia, o curta-metragem foi selecionado para o 11º Festival de Cine de Los Pueblos Indígenas e já emplaca 18 festivais, nos quais conquistou cinco prêmios nacionais.

A produção estreou no país, há apenas cinco meses, no Festival Internacional de Diversidade Sexual e de Gênero de Goiás (DIGO), uma das principais mostras de cinema pela defesa dos direitos humanos, sendo premiado como Melhor Curta-Metragem pelo Júri Popular.

Majur também foi selecionado para o 46º Festival de Gramado, um dos mais importantes no circuito de cinema brasileiro. O filme também foi premiado como melhor fotografia no TRANSFORMA – Festival de Cinema da Diversidade de Santa Catarina, melhor documentário no Curta Canedo 2018 e recebeu menção honrosa e prêmio CTAv no 12º Visões Periféricas.

Em Gramado, Rafael Irineu foi destaque pelo tom político de suas críticas aos discursos racistas, machistas e homofóbicos, e à bancada ruralista

Na lista das mais novas seleções, também estão o 28º Curta Cinema – Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro, o 16º Curta Santos, o 15º Cinema Esquema Novo 2018 de Porto Alegre e o 7º Curta Brasília. Na Argentina, Majur integrará um recorte de 11 curtas-metragens mais destacados de toda a América Latina.

O 11º Festival de Cine de Los Pueblos Indígenas não tem caráter competitivo e acontece em Sáenz Peña e Resistência, na província de Chaco, nos dias 26 a 27 de outubro. O evento é organizado pelo Instituto de Cultura do Chaco e Programa Cultura de Povos Originários e conta ainda com oficinas de capacitação em audiovisual para as comunidades indígenas.

Majur narra cotidiano e anseios de chefe de comunicação da aldeia bororo Pobore, ao sul de Mato Grosso

Majur

Majur, da etnia bororo, é a chefe de comunicação da Aldeia Poboré, responsável pela interlocução das reivindicações de seu povo com a cidade. Seu papel na coletividade, seus anseios do processo de transformação e a acolhida por entes queridos, são registrados pelo jovem cineasta Rafael Irineu, que assina a direção, fotografia e montagem do filme, junto a uma equipe 100% mato-grossense.

O documentário exerce uma espécie de introdução ao que há por vir da passagem de Gilmar – como o jovem indígena nasceu e é chamado durante o filme diante de seus genitores – para Majur, processo que teve início em sua inserção nas redes sociais, onde aceitou a sugestão da mudança de nome e de onde partiu seu reconhecimento.

O rio Vermelho do primeiro filme de Irineu, natural de Rondonópolis (MT) surge novamente, como coadjuvante e símbolo deste rito de passagem.

Leia mais: Foi o homem branco que trouxe o preconceito para a aldeia, diz indígena LGBT

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