Fato ou fake? Conheça 8 mitos e verdades sobre doação e transplante de órgãos

Quais deles podem ser doados ainda em vida; quanto tempo eles duram depois da morte e como se tornar um doador são algumas das respostas

Foto: SES-MT

A negativa familiar é um dos principais entraves para que um órgão seja doado no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, nos últimos anos, mais de 43% das famílias recusaram a doação de órgãos de seus parentes após morte encefálica comprovada.

Por isso, a autodeclaração é tão importante no ambiente familiar para que uma pessoa possa salvar até oito vidas. Se você deseja ser doador, a primeira coisa a fazer é avisar a sua família para que, após a sua morte, possam autorizar, por escrito, a doação.

Mas, além de todas as dificuldades naturais do processo, a desinformação é outro fator que prejudica. Para esclarecer o assunto, o Hospital Sírio-Libanês traz as respostas de Amanda Angrisani, enfermeira do projeto TransPlantar.

1. Basta colocar no RG para me declarar doador. FAKE!

Apesar do indivíduo manifestar interesse em vida sobre doação de órgãos, quem autoriza a doação após o falecimento é a família. Caso, após sua morte, a sua família recuse a doação, os seus órgãos não serão doados para transplante.

Entretanto, em geral, quando a família tem conhecimento desse desejo, frequentemente autoriza a doação.

2. Doador que faleceu de covid-19 não pode doar órgãos. FATO!

As vítimas da infecção pelo coronavírus, geralmente, não estão aptas para a doação de órgãos, pois se o vírus estiver ativo no organismo do doador, a pessoa que recebe o órgão pode ser contaminada.

Em nota técnica, o Ministério da Saúde informa que há contraindicação absoluta para doação de órgãos e tecidos.

3. Independentemente do estado de saúde, qualquer pessoa pode doar órgãos. FAKE!

A doação de órgãos e tecidos não é permitida para pessoas que vieram à óbito devido a doenças infectocontagiosas ou que danificaram gravemente o organismo, pois a função do órgão pode estar comprometida ou a infecção pode ser transferida para a pessoa que irá receber o órgão.

Pessoas soropositivos ao HIV, hepatites B e C, Doença de Chagas; pacientes com doenças degenerativas crônicas ou tumores malignos; indivíduos em coma ou que tenham sepse ou insuficiência de múltiplos órgãos e sistemas (IMOS) não poderão ser doadores.

4. Quase todos os órgãos e tecidos do corpo podem ser doados? FATO!

É possível obter vários órgãos e tecidos para realização do transplante apenas de um doador. Podem ser doados rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas, intestino, córneas, valvas cardíacas, pele, ossos e tendões.

Com isso, inúmeras pessoas podem ser beneficiadas com os órgãos e tecidos provenientes de um mesmo doador. O único órgão que não pode ser doado é o cérebro.

5. Idosos não podem se tornar doadores. FAKE!

O que determina o uso de partes do corpo para transplante é o seu estado de saúde. Em geral, aceita-se os seguintes limites, em anos: rim (75), fígado (70), coração e pulmão (55), pâncreas (50), válvulas cardíacas (65), córneas (sem limite), pele e ossos (65).

6. Mesmo vivo, posso ser um doador de órgãos sem prejudicar minha saúde. FATO!

A doação entre vivos também pode acontecer no caso de órgãos duplos, como por exemplo o rim. No caso do fígado e do pulmão, também é possível o transplante entre vivos, sendo que apenas uma parte do órgão do doador poderá ser transplantada no receptor. Os órgãos e tecidos que podem ser obtidos de um doador vivo são:

  • Rim: por ser um órgão duplo, pode ser doado em vida. Doa-se um dos rins e tanto o doador quanto o transplantado podem levar uma vida perfeitamente normal;
  • Medula óssea: pode ser obtida por meio da aspiração óssea direta ou pela coleta de sangue;
  • Fígado ou pulmão: poderão ser doadas partes destes órgãos.

7. Todos os órgãos têm o mesmo prazo de validade e devem ser transplantados em até 24h. FAKE!

Cada órgão tem um prazo máximo para ser transplantado. O coração, por exemplo, deve ser colocado em outro corpo no prazo de até 4 horas. Já o tempo de isquemia do rim é de 48 horas.

Os órgãos doados vão para pacientes que aguardam em uma fila única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada estado e controlada pelo Sistema Nacional de Transplantes (STN).

8. Após a cirurgia, devo agradecer meu doador. FAKE!

Por questões éticas, não é possível que a família do doador saiba para quem o órgão foi doado. Tanto o paciente transplantado como o doador devem permanecer no anonimato.

(Com Assessoria)

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