UTIs aéreas: falta de planejamento gerou custo de R$ 25 milhões entre 2017 a 2018

Falta de UTIs em hospitais regionais impulsionaram a contratação do serviço de UTIs aéreas

Limitação de recursos, falta de leitos, de medicamentos e insumos, redução do número de policlínicas em Cuiabá e pouca oferta de UTIs nos hospitais regionais foram alguns dos problemas enfrentados pelas gestões anteriores, que seguem como um dos principais desafios a serem enfrentados pelo Governo Mauro Mendes.

A abertura efetiva do novo Hospital Municipal, prevista para abril deste ano, pode garantir uma situação mais equalizada.

Responsável pela Promotoria da Saúde, Alexandre Guedes por anos, tem acompanhado de perto os problemas. “Mato Grosso acaba pagando pela falta de planejamento dos governos que passaram. Isso, em uma época em que se tinha orçamento e não havia crise financeira. Hoje, com a crise e restrições do teto de gastos, é pior ainda”.

De acordo com o promotor, por vezes o investimento em um plano de saúde é descartado por conta de outras prioridades nos orçamentos domésticos. “E então, as pessoas estão indo mais para o SUS e verificamos que por uma série de razões, especialmente essa falta de planejamento, as consequências estão chegando agora”.

Mas ele avalia, que mesmo em meio à má gestão de recursos, as pessoas estão sobrevivendo mais. “Então, no curto prazo, precisa ser ampliada a capacidade de oferta dos serviços de saúde na Capital e nos hospitais regionais”.

Guedes aponta que a capacidade da Medicina melhorou muito e as condições de transporte e acesso a UTIs aéreas têm ajudado. “Se uma pessoa era vítima de um acidente em Tapurah, a exemplo, e tivesse traumatismo craniano, morria no local ou morria enquanto era transportado. Hoje não, as condições melhoraram e isso demanda mais oferta de serviços, afinal, depois da emergência é preciso que haja leito para que essa pessoa seja acomodada até a alta do paciente”.

UTIs aéreas

De acordo com o promotor, as UTIs aéreas foram bastante utilizadas nos últimos anos e os custos, foram altos. “É preciso recorrer a elas pois Mato Grosso tem um déficit de UTIs adultas. O serviço aéreo não seria tão utilizado se houvessem UTIs bem espalhadas pelo Estado ou realmente adequadas, mas infelizmente, devido às nossas condições territoriais e circunstâncias que normalmente só Cuiabá pode atender, acaba-se usando UTI aérea”.

O serviço privado é contratado pelo governo, assim como as home care. “A contratação destes serviços acaba gerando custo financeiro imenso”.

O LIVRE levantou que de janeiro de 2017 a novembro de 2018 o contrato com a empresa especializada em serviços de transporte de pacientes em UTI aérea custou R$ 25.912.038,40.

Mas o proprietário da empresa Abelha Táxi Aéreo, contratada pelo Governo, deve-se levar em consideração que dada a falta de UTIs nos hospitais regionais, esse dinheiro foi empenhado para salvar vidas, especialmente, de recém-nascidos. “O Governo Pedro Taques investiu bastante na remoção de neonatais. Em segundo lugar no ranking de encaminhamento de pacientes, foram vítimas de acidentes, especialmente de motos”, conta Hélio Vicente.

Déficit de leitos

Levando em consideração a falta de leitos – cujo déficit seria de 280 – o promotor acredita que o novo Pronto Socorro Municipal deve dar novo fôlego, mas é preciso melhor planejamento.

“Um grupo de trabalho foi instituído para decidir o que será feito com o antigo PS. Porém, não adianta abrir um novo e fechar o velho, não vai resolver o problema”.

Para ele, a superlotação pode continuar. “A estrutura que já existe precisa ser utilizada para os leitos de retaguarda. É por isso que muita gente fica no corredor”.

Além da demanda da população cuiabana há muitos pacientes dos hospitais regionais que acabam sendo encaminhados para Cuiabá. “Com o aumento da tecnologia médica, aumento de especialidades e exames, é natural que as pessoas acabem vindo mais para cá, precisa de mais leitos para atender essa demanda na região metropolitana”, defende.

Em 2017, o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, anunciou que 65% dos atendimentos seriam de pacientes do interior.

Alexandre Guedes enfatiza que é preciso investir primariamente, em prevenção. “Mas só metade de Cuiabá, a exemplo, tem cobertura de unidades básicas de saúde e só 37% desse território é que tem contato com programas preventivos de diabetes ou agentes comunitários de saúde”.

Segundo ele, a rede secundária entre a unidade básica e o Pronto Socorro foi diminuída ou pelo menos se manteve do mesmo jeito. “Toda vez que abriu uma UPA fechou uma policlínica. E o problema é que as UPAs não têm todo serviço da policlínica, como por exemplo, fisioterapeuta. A UPA é só urgência e emergência mesmo. Resolve, mas depois não dá para aprofundar, um problema de trauma, por exemplo”.

“Porque o PS explode? Porque as UPAs e policlínicas não atendem a contento. Não existe planejamento, desde 2002 se tivesse inaugurado um hospital na região metropolitana com os tais leitos de retaguarda mais um materno e infantil, teríamos uma situação um pouco mais equalizada”.

Com o novo Pronto Socorro Municipal há esperança. “Mas é claro que não é só hospital. Não tem como fazer gerenciamento se toda hora falta remédio. O gestor pede medicamentos para 300 leitos por exemplo, que vão ficar permanentemente cheios. Não há planejamento que resista”, diz.

Vale ressaltar, pacientes que são vítimas de acidentes ou ferimentos causados por terceiros, vão invariavelmente para o Pronto Socorro, pois não há equipe privada para este atendimento.

“Hospitais particulares não têm equipe para isso. As vezes a pessoa precisa de um cirurgião dentista em decorrência do trauma. E tem ainda, que continuar sendo assistido depois da emergência. E é aí que entram os famosos corredores, pois muitas pessoas recebem alta depois do que deveriam, não dá para dar alta para pessoa até que ela esteja totalmente preparada. E é um desafio para as equipes, pois permanecendo em locais inadequados, o paciente tem grande risco de infecção. É bastante complicada a situação”.

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