UTIs aéreas: recém-nascidos e acidentados por motos foram os mais transportados

Saiba como funciona o serviço das UTIs aéreas em Mato Grosso

Cinco aeronaves operam no transporte de pacientes (Divulgação/Abelha Táxi Aéreo)

Com contrato ainda sob vigência, a Abelha Táxi Aéreo continua atendendo o Governo de Mato Grosso, via Secretaria de Estado de Saúde (SES). A empresa selecionada por meio da licitação faz o transporte de pacientes que necessitam de UTI, em especial neonatais e acidentados por moto que lideraram o ranking de solicitações nos últimos dois anos.

De acordo com a SES, na remoção do paciente é levado em conta seu quadro clínico, atestado pelo médico regulador da Central de Urgência e Emergência.

No período de janeiro de 2017 a novembro de 2018 – em levantamento feito pelo LIVRE, o Governo chegou a investir mais de R$ 25.912.038,40 no serviço de remoção com UTI. Ao todo foram realizados 1.279 voos.

A demanda, como avalia o promotor da Saúde, Alexandre Guedes, se deve em decorrência da falta de UTIs em hospitais regionais de Mato Grosso.

“O serviço aéreo não seria tão utilizado se houvessem UTIs bem espalhadas pelo Estado ou realmente adequadas, mas infelizmente, devido às nossas condições territoriais e circunstâncias que normalmente só Cuiabá pode atender, acaba-se usando UTI aérea”, disse em entrevista ao LIVRE.

O proprietário da Abelha Táxi Aéreo, Hélio Vicente, explica que as remoções não são feitas apenas para a Capital, mas qualquer outro local em que haja vaga no momento da urgência.

“Por vezes fazemos remoções para Tangará, Cáceres e claro, na região metropolitana é sempre mais complicado, pois são mais limitadas as possibilidades de vagas nas UTIs do Pronto Socorro de Cuiabá e Várzea Grande. Com o novo Pronto Socorro é possível que as oportunidades aumentem”.

Segundo ele, cinco aeronaves estão habilitadas para este tipo de transporte.

Por vezes, os atendimentos são realizados mediante medidas judiciais – devidamente reguladas – que o Governo tem que atender. Em média, são feitos dois voos por dia.

“Temos equipes em alerta todos os dias, 24 horas. E além do transporte para hospitais em Mato Grosso, há casos de remoções interestaduais”, explica Hélio.

Segundo ele, o serviço inclui transporte terrestre com ambulância no trajeto entre o hospital de origem até a aeronave e desta, até o hospital de destino para atender pacientes adultos e recém-nascidos devidamente regulados pelo setor de Urgência e Emergência e setor de Tratamento Fora do Domicílio da SES.

“No caso dos atendimentos neonatais, se houver tratamento adequado, há 99% de chances de sobrevivência. Transportamos muitos prematuros, um deles, surpreendentemente, pesava 450 gramas. atendimento a recém-nascidos foi uma prioridade do governo”, relembra.

A equipe da Abelha Táxi Aéreo conta com uma média de sete médicos e sete enfermeiros intensivistas.

“Muitas pessoas consideram que seja muito alto o custo, mesmo sendo um serviço para salvar vidas. Mas é preciso ressaltar que são altos os custos de operacionalização e manutenção. Tem salário das equipes, gastos com medicamentos. Alguns, chegam a custar R$ 1200,00 e eu precisamos tê-los para garantir atendimento adequado. Fora isso, são altíssimos os gastos com combustível. No ano passado houve um aumento de mais de 40% no valor do combustível. E a gente atuando sem reajuste”, desabafa.

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