Custo de produção da soja aumenta 6% e pressiona rentabilidade em MT

Cobrança das novas taxa do Fundo Estadual de Transporte e Habitação é uma das explicações

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Com pouco mais de 87% da soja – safra 2018/2019 – colhida, os produtores mato-grossenses passam a direcionar a atenção para a safra 2019/2020. Contudo, dessa vez, as negociações têm importância ainda maior: é a primeira vez que a taxa do novo Fundo Estadual e Transporte e Habitação (Fethab) será contabilizada nas commodities produzidas no Estado.

Com a inserção do novo Fethab, para cada tonelada de soja transportada, o produtor deve destinar ao Fundo 19,21% do valor da Unidade Padrão Fiscal (UPF). E a alíquota sobe para 20% da UFP na soja em grão e também se a carga for para exportação, creditando recolhimento anterior. A previsão é de que o sejam arrecadados R$ 850 milhões no ano.

Além da tributação, outro fator que preocupa é o custo da produção, que exige do produtor capacidade de negociação para não sair no prejuízo. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), o custo de produção da próxima safra 2019/2020 está mais alto do que a safra que está terminando de ser colhida.

A avaliação do superintendente do Imea, Daniel Latorraca, é que “vai ficar mais desafiador para o produtor”. Ele explica que, com a atualização do valor do dólar, “o custo total foi para R$ 3.852,15 por hectare, o que representa uma alta, em relação ao ano passado, de 6%”.

“Então é um ano, com certeza, que o produtor terá que fazer muita conta para que ele não perca a sua margem, pensando não só na consolidação desta safra, que ainda tem alguma coisa para comercializar”, avalia.

Das cadeias que compõe o custo da produção da soja, a que sofreu maior aumento foi o custo variável (CV), com encarecimento de 9,22%, em comparação com os valores gastos durante a safra 2018/2019, quando foi necessário empregar R$ 2.076,29 para plantar em cada hectare.

Esse custo se refere às despesas com a lavoura, o que inclui a mão de obra, operação das máquinas, compra de sementes, corretivos de solo, macronutriente, micronutriente, fungicida, herbicida e inseticida. De todas essas categorias, Latorraca destaca o aumento no preço dos fertilizantes utilizados na produção que, “está saltando, na questão do macronutriente, de R$ 656,18 para R$ 815,25”.

Ele ressalta ainda que, nesse senário de taxação do agro em conjunto com o aumento no custo da produção, o produtor já começa a voltar seus olhares para a próxima safra e comercializar os produtos, especialmente aqueles que vão fazer a troca, ou seja, os produtores que “compram os insumos, principalmente fertilizantes, defensivos e sementes e em troca entrega o produto lá no prazo safra”, explica.

Contudo, ele alerta que esse tipo de negociação só é favorável para o produtor se o preço da soja se valorizar, caso contrário, ele não fará uma boa troca. “A tendência agora é o produtor esperar um pouco, até esse preço melhor para que as trocas comecem a acontecer de forma que mais efetiva”, adiantou.

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