Cuiabá já ultrapassou 60 dias de quarentena; e o resultado?

Infectologista diz que restrições ajudam a desafogar os serviços de saúde, mas reduzir o número de casos depende do comportamento das pessoas

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O segundo prazo de quarentena obrigatória em Cuiabá e Várzea Grande encerrou à meia-noite dessa quinta-feira (16), mas foi estendido por mais sete dias pelo juiz da Vara de Saúde Pública, José Luiz Leite Lindote, que acatou um novo pedido de prorrogação do Ministério Público do Estado (MPE). 

Contudo, o Poder Judiciário estaria agindo com base em uma pandemia do “passado”. Diretora da Vigilância da Saúde de Cuiabá, a médica infectologista Flávia Guimarães explica que a demanda registrada nas unidades de saúde hoje é referente a pacientes que ficaram doentes dias antes de a quarentena ter início. 

A gente precisa de ao menos 20 dias para saber se quarentena vai representar alguma mudança na evolução do contágio. O que está sendo atendido são pacientes de contágios de antes da quarentena. E estamos vendo que a procura na atenção primária e policlínica está aumentando”, disse. 

Ela afirma ainda que as medidas mais efetivas nos países que já passaram pelo pior que o coronavírus pode causar continuam sendo as de higiene e distanciamento social, ou seja, lavar as mãos com mais frequência e manter a distância de dois metros de uma pessoa para outra. 

Nos lugares em que essas medidas foram aplicadas, a taxa de contaminação reduziu entre 30% e 60%. E isso passa pelo comportamento das pessoas, se não levarem em conta que a doença é séria, o contágio continuará evoluindo”, pondera. 

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Paralisações pontuais 

A infectologista afirma que a falta de controle no primeiro quesito pode levar à adoção de paralisações pontuais das atividades econômicas, em momentos em que o contágio volta a acelerar e, consequentemente, as taxas de ocupação dos leitos tende a subir. 

A quarentena é última medida. Ela serve mais para se controle a circulação de pessoas e reduzir o contágio em vista dos leitos nos hospitais ficarem desocupados. Mas se as pessoas estão indo para as festas da família, a quarentena não vai adiantar nada”, explica. 

Nesta sexta-feira (17), Cuiabá completa 67 dias de quarentena ocorridas intermitentemente. A primeira, iniciada no fim de março, foi a mais longa e durou 45 dias. 

A segunda iniciou no dia 25 de junho e encerrou no dia 9 deste mês, mas foi renovada. E com a decisão do juiz Lindote, na noite desta quinta-feira, a Capital caminha rumo aos 70 dias de atividades econômicas paralisadas. 

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