Contágio acelerou por adaptação do vírus à população, diz médico

Professor Alexandre Machado diz que característica do novo coronavírus de circulação via RNA colabora para mutação rápida

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

Mais casos da covid-19 em Mato Grosso se deve à adaptação do Sars-Cov 2 à população. O vírus tem passado por mutações desde o primeiro registro de caso que inclui a variantes identificadas em diferentes Estados e países. 

A avaliação é do epidemiologista Alexandre Machado, professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que acompanha a evolução da pandemia. Ele explica que o vírus tem passado por uma seleção natural, no qual o indivíduo mais forte prevalece e, consequentemente, se torna mais agressivo. 

“Isso explicaria a infecção de pessoas mais jovens e sem comorbidade. A primeira onda foi marcada pelo contágio de pessoas com mais idade e com comorbidade, que deixa o organismo mais exposto ao contágio. Agora, está ocorrendo uma mudança em que pessoas sem essas caraterísticas estão desenvolvendo os sintomas mais fortes”, disse. 

Conforme o médico, essa mutação faz parte da vida de qualquer organismo, mas é uma característica mais acentuadas naqueles que circula de um organismo para outro por meio de RNA, caso do novo caronavírus. Por passar por organismos diferentes, a mutação torna-se mais acelerada, ou seja, tem mais adaptabilidade. 

“As epidemias por vírus diferem das epidemias por bactérias por esse fator. O vírus tem maior mutação. No caso das bactérias, chega um momento que o organismo humano ainda consegue ter uma resposta imune. Em relação às variantes do vírus, hoje tenho uma doença e amanhã posso ter uma nova infecção [por uma nova cepa]”, explica. 

O quadro evolutivo da Sars-Cov 2 pegou os produtores de vacina imprevistos logo no início da campanha de imunização em alguns países, como o Reino Unido. Ainda no fim do ano passado, as farmacêuticas começaram a correr atrás de reformulação das drogas para cobrir as variantes. 

Em Mato Grosso, o contágio diário já é bem maior hoje do que no pico da primeira onda, entre junho e setembro de 2020. O boletim informativo dessa quinta-feira (4) registra 2.748 novos casos da covid-19 em 24 horas. 

Ao longo da semana, a média diária se manteve acima de 1,5 mil novos casos. Nos meses da primeira onda, esse registro chegou a ser o pico contágio a cada 24 horas. 

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