Com “Motosblim”, escritor e ilustrador homenageiam Névio Lotufo e a Cuiabá de 1960

Cuiabanos relembram infância mágica e é na Rua 13 de Junho que boa parte da história se desenrola

Reprodução/Prefeitura

A Editora Entrelinhas apresenta a nova obra de seu catálogo infanto-juvenil, em evento no dia 3 de dezembro, no Sesc Arsenal. A partir das 19h, o escritor Aclyse de Mattos e o ilustrador Marcelo Velasco recebem os leitores para noite de autógrafos.

Eles lançam o livro “Motosblim – A incrível Enfermaria de Bicicletas”, que é uma homenagem póstuma a uma das personalidades mais queridas de Cuiabá: Névio Lotufo.

O livro conta uma história real, inventada por dois meninos cuiabanos. Real, nas lembranças, e dourada pela imaginação do escritor e do ilustrador. O mundo acontece bem ali na rua onde a turma brinca, joga bola, pedala. Mas, não é qualquer rua, nem qualquer tempo. É o tempo mágico da infância em Cuiabá.

Esse universo é recriado por Aclyse e Marcelo e é aí que Névio surge mais forte que qualquer personagem fictício que pudesse ser inventado.

Na rua 13 de junho se desenrola quase toda a ação: nela moram os personagens, por ela passa o mundo, ciclistas, misses e até o circo. Mas… os brinquedos, os projetores de cinema, os calhambeques de Névio e a bicicleta do menino também podem ser engolidos pela temível máquina do tempo.

Eis o mistério que alimenta a narrativa.

A editora da obra, Maria Teresa Carrión Carracedo celebra a homenagem que os autores fizeram a Névio. “Algumas pessoas vivem de forma tão extraordinária que se perpetuam na mente e no coração dos seus contemporâneos, marcando gerações”.

E comemora também, o fato de nos 25 anos da Entrelinhas, Névio passar a compor o catálogo infanto-juvenil, depois do poeta Silva Freire e o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon.

Maria Teresa ressalta que as vivências de Aclyse e Velasco tornaram a narrativa ainda mais empolgante.

“Para o menino-escritor-professor-poeta-compositor-cuiabano Aclyse de Mattos, o doutor em bicicletas, que se dedicava a colecionar carros antigos, entre tantas outras antiguidades e modernidades tecnológicas do seu tempo, ficou gravado nas mais vívidas lembranças da sua infância e adolescência”.

Foi assim que ele resolveu escrever sobre a sua vida em Cuiabá na década de 1960 e sobre Névio Lotufo, personalidade que marcou o seu imaginário.

“Para contar essa história, o menino-ilustrador-professor-artista plástico-cuiabano Marcelo Velasco, contemporâneo de Aclyse, mergulhou em suas lembranças compartilhadas para ilustrar a história, agora registrada para sempre”.

Pioneiro em muitas frentes, Névio Lotufo notabilizou-se por viver a vida intensamente, com uma disposição sem limites para múltiplas atividades.

Carismático, era sempre alegre e prestativo. Sua loja-oficina-casa sempre foi um espaço de grande curiosidade para os que tinham sede de aprender e conhecer. Um portal para um mundo de novidades.

“Esta história real e imaginada, além de nos fazer recordar, pode inspirar gerações”.

No dia do lançamento o valor do investimento é de R$ 50,00.

Aclyse de Mattos, o autor da história

Cuiabano de 1958. Passou a infância na rua 13 de junho, onde morou em frente à Motosblim. Ia a pé para a Escola Barão de Melgaço, que funcionava onde hoje é o Palácio da Instrução.

Nas horas vagas, jogava futebol com bola de meia na Praça da República, à sombra da velha Matriz, que não existe mais.

Aos domingos, a família saía de carro e passava nas bancas de revistas da praça Alencastro. Aí era uma festa de ler gibis e coleção de livros de bolso. Fez o ginásio na Escola Técnica Federal de Mato Grosso, onde começou a fazer poesia e música, participando dos primeiros festivais da canção da escola.

Em 1976, deixa Cuiabá para estudar em São Paulo e depois no Rio de Janeiro. A paixão pela literatura e música continua. Participa de diversas revistas de poesia no Rio e do grupo musical Peça Original.

Pai de Thiago. Marido de Ana Lúcia. Professor da Faculdade de Comunicação e Artes da Universidade Federal de Mato Grosso, doutor em Comunicação pela Universidade Federal de Minas Gerais e mestre pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Em 2017 passa a integrar a Academia Mato-grossense de Letras.

Marcelo Velasco, o ilustrador

Cuiabano de 1963. Passou a infância na rua Voluntários da Pátria. Começou na arte porque percebeu que as casas cuiabanas tinham muitos quadros com cenas de Ouro Preto, mas nada de Cuiabá. A partir daí, passou a recolher histórias, fotos e memórias.

Muitas conversas com personalidades icônicas da cultura cuiabana (Dunga Rodrigues, Lenine Póvoas, Cel. Octayde Jorge) acabaram por formar um artista intensamente vinculado à história de Cuiabá e à iconografia da cidade.

Cicloativista. Ambientalista. Artista plástico. Doutorando do Programa de Pós-graduação em Estudos de Cultura Contemporânea, na Faculdade de Comunicação e Artes da Universidade Federal de Mato Grosso. Formado em Arte-Educação pela Universidade de Brasília (Artes Plásticas e Desenho). Marcelo atua no Instituto Federal de Mato Grosso – justamente a Escola Técnica em que estudaram os dois autores.

Para a Entrelinhas, Marcelo ilustrou Uma maneira simples de voar, de Ivens Cuiabano Scaff; Bugrinho: que menino é esse?, de Daniela Freire; A mamãe das cavernas e a mamãe loba, também de Ivens Cuiabano Scaff, inaugurando um esmerado trabalho de ilustração infanto-juvenil nas edições da Entrelinhas.

Pai de Marcelo Augusto. Marido de Silvana. Meu amigo e parceiro neste livro, em que recontamos uma memória inventada (o que não quer dizer que não tenha sido vivida subjetivamente, não é mesmo?), Marcelo reconstrói com talento, paixão e precisão os cenários inesquecíveis da Cuiabá dos anos 1960, para esta história.

(Com assessoria)

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