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Jovem que matou amigo para não pagar dívida é condenado a 16 anos

Foto de Camilla Zeni
Camilla Zeni

Vanderson Daniel Martins dos Santos, de 22 anos, foi condenado na tarde desta sexta-feira (29) por ter assassinado o estudante de Direito Pedro Victor de Almeida Peroso.

Pela sentença estipulada pelo juiz Murilo Mesquita, do Fórum de Várzea Grande, Vanderson deve ficar preso por 16 anos.

Depois de cinco horas de julgamento, os membros do júri destacaram que Vanderson assassinou Pedro por motivo fútil, utilizando meios que dificultaram a defesa da vítima.

O acusado e a vítima eram amigos. Mas Vanderson golpeou Pedro, 18 anos, com 12 facadas.

O promotor de Justiça Mauro Curvo, que atuou no caso, disse que faltavam palavras para expressar o crime.

“A vítima foi morta por alguém que considerava um amigo. Que em algum momento na vida o considerava irmão. Botava o réu dentro de casa”, falou no julgamento.

Ele ainda considerou que Vanderson demonstrou muita frieza. Preso preventivamente desde o fim de 2018, há um mês foi transferido para a Penitenciária Central do Estado (PCE), segundo seu advogado, Oziel Catarino.

Julgamento

O julgamento do caso mobilizou o fórum da cidade, que ficou repleto de amigos e familiares de Pedro.

Da família do acusado, apenas a mãe e um primo conseguiram entrar na sala de audiência, com capacidade para 100 pessoas. O restante ficou do lado de fora.

Ao todo, seis testemunhas foram ouvidas, incluindo a mãe de Pedro, a professora Nádia Batista de Almeida Peroso.

Assim como amigos que depuseram, Nádia lembrou que o filho era um menino calmo, alegre, brincalhão.

Entre lágrimas e ira, a professora pediu justiça. Disse que não entendia como alguém, que ela e marido acolheram dentro de sua casa, foi capaz de matar seu único filho.

O testemunho da mãe, que durou pouco mais de 10 minutos, emocionou a muitos que acompanhavam o julgamento.

Nádia afirmou que Vanderson não matou apenas seu filho com os golpes de faca, mas também sua família. Como Pedro era filho único, a mulher chorou ao dizer que jamais será avó e que teve seus sonhos destruídos.

“Pra mim ele é um monstro. Porque quem faz isso com um amigo é um monstro. Se faz isso com amigo, imagina o que não faz com quem não é amigo dele?”, falou no Júri, chamando ainda Vanderson de “amigo falso”.

A assistente de acusação que representa a família também lembrou no julgamento que Pedro fazia aniversário no dia 24 de dezembro, e que o Natal de sua família jamais vai ser o mesmo.

Devido à emoção, Nádia precisou ser amparada por familiares e se retirar da sala durante o julgamento.

Legítima defesa

Vanderson também foi ouvido durante o julgamento. Em sua versão, a história do crime é totalmente contrária à que foi apresentada pelo Ministério Público.

O assassino confesso alegou que era Pedro quem lhe devia R$ 5 mil e pagou parte da dívida com o aparelho de som automotivo que, segundo a denúncia, ele teria comprado da vítima.

Vanderson disse que Pedro lhe telefonou na madrugada do crime, pedindo companhia para ir buscar um toca CD automotivo.

Segundo o acusado, nesse local Pedro se encontrou com uma mulher e demorou a sair. Vanderson ficou irritado. Ele disse que Pedro insistiu que agora sim iriam buscar o aparelho. Contudo, o assassino pediu para ir seguindo Pedro de moto.

Vanderson afirmou que foi Pedro quem o guiou até o local do crime. Disse que lá desceu da moto e entrou no carro de Pedro. E que o amigo estava acompanhado de outro homem, sentado no banco de trás.

Vanderson alegou que, em determinado momento, Pedro teria pegado uma faca, que estava escondida na porta do motorista, e teria tentado matá-lo com o auxílio do amigo. Mas Vanderson foi mais rápido e na raiva, matou o amigo.

Segundo o réu, a terceira pessoa que estava no carro fugiu.

O promotor do Ministério Público, porém, assegurou que o jovem estava mentindo e apresentou a versão da perícia para desmentir cada ponto da história.

O LIVRE contou a história do assassinato de Pedro, que morreu por uma dívida de R$ 1 mil que o amigo não quis honrar:

 

Pedro Peroso: a história do rapaz que foi morto pelo melhor amigo, por causa de R$ 1 mil

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