“Aumentar receita sem gestão pública séria, não resolve nada”, afirma presidente da Aprosoja

Antônio Galvan criticou a ideia do presidente da AMM e do senador recém-eleito, Jaime Campos, em taxar o agronegócio

Foto: Ascom Aprosoja

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja), Antônio Galvan teceu duras críticas às recentes declarações do senador eleito, Jaime Campos (DEM) e ao presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga. Em entrevista, Galvan rebateu a ideia de impor impostos sobre o setor agrícola, defendida por ambos e, questionou a atuação e as políticas públicas que têm sido delineadas pelo Estado.

As críticas foram feitas em entrevista à Rádio Centro América FM, na quinta-feira (18). Ele ainda apontou que o Estado não tem cumprido a sua responsabilidade em dar suporte à produção mato-grossense.

Durante a entrevista ao Jornal Primeira Página, Galvan foi lembrado sobre as declarações do presidente da AMM, Neurilan Fraga. O municipalista disse que o setor agrícola deve pensar na arrecadação do Estado. Chegou a dizer que a Lei Kandir, quando criada, teve objetivo de incentivar a exportação dos produtos mato-grossenses por meio da isenção de impostos e esse estímulo foi determinante para o crescimento do setor.

Essa afirmação não foi bem aceita por Galvan, que saiu em defesa dos produtores. “O poder público esqueceu de fazer a parte dele dentro do segmento. Não temos praticamente nada de meio de transporte para tirar nossas safras. Onde está a parte do poder público?”, questionou o produtor rural.

Galvan ressaltou que o setor agrícola tem incrementado receita aos cofres públicos, mesmo não vendo esses recursos serem aplicados em melhorias para o setor. Criticou Fraga, afirmando que ele se tornou um gestor público. “Não adianta você aumentar receita, principalmente quando ela é mal investida”, justificou.

Por fim, o presidente da Aprosoja MT ainda pontuou que quando os municípios receberam repasse dos 50% do Fethab do óleo diesel, a maioria não fez nada com os recursos. “Conseguiram sumir com aquela verba também”. Por fim ainda advertiu, “eu nunca ouvi [Neurilan] falar que tem que se fazer gestões mais modernas dentro do poder público. Só vejo ele se preocupar em comentar receita. Aumentar receita sem ter Gestão Pública séria e competente, não resolve nada”.

Galvan defendeu que o setor tem feito o Estado crescer e mesmo assim não há contrapartida em investimentos, infraestrutura e tecnologia. “Nada praticamente foi feito para baratear os fretes”, exemplificou o gestor.

Quanto à declaração do democrata, Jaime Campos, Antônio Galvan disse que o senador está desinformado. Ele [Jaime Campos] havia dito que o produtor mato-grossense chega a lucrar 15 mil reais por hectare. Defendeu que não há no mundo um lucro tão grande sobre um tipo de produto, como acontece no agro mato-grossense.

Para Antônio Galvan, o senador está querendo “afogar as mágoas dele da política”. Já que ele quase ficou fora dessas eleições. Chega ao “ridículo de falar números dessa forma aí, é porque está totalmente por fora”, finalizou.

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