Atoleiros na BR-158: Filas de 10 km e gasolina a R$ 6 o litro

Precariedade da estrada atrapalha caminhoneiros, faz preço do frete disparar e influencia no custo final de produtos como os combustíveis

(Foto: Reprodução)

“Ei, meu Deus. Tenha dó de nós”. Esse é o lamento de um caminhoneiro preso no congestionamento da BR-158, que cruza Mato Grosso, por causa dos atoleiros. A estrada corta o Vale do Araguaia e é a principal via para o escoamento da safra e trânsito de produtos para os municípios, como combustíveis.

Por causa da lama, a fila de carros gerou cerca de 10 km de engarrafamento. E em São Félix do Araguaia (1.150 km de Cuiabá), a falta de logística fez o preço da gasolina ultrapassar os R$ 6 por litro.  

Em um vídeo, o caminhoneiro que espera ajuda divina mostra a situação da rodovia. Nas imagens – gravadas na terça-feira (2) – ônibus e caminhões estão parados, a espera de milagre para conseguir seguir viagem.

“O caminhão de boi aqui já morreu dois bezerros. E estamos sem poder ir daqui pra lá. E ninguém vem de lá pra cá”, ele narra.

Em Mato Grosso, a BR-158 tem aproximadamente 800 km de extensão e liga Barra do Garças a Vila Rica, cidade que fica na divisa com o Pará. No meio do caminho, está São Félix do Araguaia, que depende das boas condições da estrada para receber produtos e mercadorias.

A cidade está na divisa com o Tocantins; depois que a BR-158 encontra a MT-242. Lá, por causa da (falta de) logística o preço da gasolina chegou a R$ 6,22, em um dos quatro postos de combustível. Segundo o gerente de um deles, Thiago Cavalcante, por causa do atoleiro o preço do frete disparou: está em R$ 0,35 por litro.

“Quem tem caminhão não quer colocar o veículo numa estrada de chão. Então, o preço que vier a gente tem que pagar. Por isso, o frete vem muito alto. Para melhorar a situação, rachamos entre os postos da cidade para não pagarmos um preço absurdo”, ele explica.

E não é só o frete, adverte o gerente. Segundo Thiago, os últimos aumentos anunciados pela Petrobras também influenciaram o preço nas bombas. “Precisamos da margem de lucro e, infelizmente, os aumentos chegam até o consumidor”, completa, sustentando que seus R$ 6,22 sequer é o valor mais caro da cidade.

Problema também para quem transporta

A bola de neve começa no caminhoneiro, que aponta o preço do diesel como “o grande vilão”. Segundo Edgar Augusto Laurin, presidente da Associação de Proprietários de Caminhões e Transportadores de Cargas de Tangará da Serra, o preço do combustível “atinge completamente a categoria, que também precisa repassar o preço, mas ainda aguenta as pontas até que o mercado se organize”.

Em Tangará da Serra, município cercado pelas BRs 174 e 364, o preço do diesel já sofreu três reajustes de janeiro até agora; subindo de R$ 3,80 para R$ 4,65.

Asfalto, sonho antigo

A espera pela pavimentação do trecho mato-grossense da rodovia é antiga. A estrada foi inaugurada há cerca de 50 anos. O maior obstáculo é o traçado original da BR-158, que passa dentro da Terra Indígena Marãiwatsédé, do Povo Xavante. Os índios são contrários às obras em função dos impactos socioambientais que podem ser gerados.

Em reunião com o Ministério da Infraestrutura, na quarta-feira (3), o senador por Mato Grosso Carlos Fávaro (PSD) propôs a transferência ao Estado do trecho que passa por dentro da reserva indígena. Segundo ele, o governador Mauro Mendes (DEM) “está disposto a reduzir os muitos problemas enfrentados pela população da região do Araguaia”.

O ministro, Tarcísio de Freitas, apresentou os planos do governo federal, que incluem a construção do contorno na terra indígena e um estudo de viabilidade para a concessão da estrada à iniciativa privada.

Segundo Freitas, a obra do contorno foi dividida em dois lotes, sendo que o primeiro já foi licitado. O projeto, porém, ainda aguarda licenças ambientais. No mais tardar, o empreendimento deve começa no início de 2022, afirmou o ministro.

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