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Alta tecnologia no Centro do Brasil

É preciso tecnologia para tornar o cerrado integrado e sustentável

(Foto: Prefeitura de Nova Mutum)

Por Katiane Gouvea e Guilherme Korte

Com um turbo hélice e três horas e meia do centro financeiro chegamos ao centro do agronegócio do país. A paisagem é emocionante. Os rios preservados, pastagens e lavouras que antes beijavam os rios, hoje encostam nas matas das áreas de proteção ambiental permanente. Foram anos de multas, esforços, divulgação e conscientização. Valeu a pena. Nosso código florestal foi eficiente. Ao pousar em uma pista asfaltada em Nova Mutum, a brisa quente do cerrado invade a cabine. Carretas e bitrens na BR 163, cortam ininterruptamente o antes sertão, agora civilizado Mato Grosso.

Há décadas a história era diferente. O poeirão e o atoleiro eram refeições diárias. O grão exótico que produz óleo e farelo, todos eles, estão presentes. Tomaram o cerrado. E para tornar este cerrado integrado de forma sustentável à civilização é preciso tecnologia. Alta tecnologia. Novos códigos e parâmetros civilizatórios. O aprimoramento tecnológico está na mente dos dirigentes de Nova Mutum. Digo empresários, investidores, habitantes e os lideres políticos locais. Vindos de diversas partes do Brasil e do mundo. Abraçaram a causa da qualidade de vida, da sustentabilidade, do meio ambiente em harmonia com o ser humano e suas necessidades.

Uma empresa doou 150 hectares, ao lado da cidade, nas margens da rodovia, área nobre para a cidade na condição de criarem um parque tecnológico, com administração independente, onde “empresas, fornecedores, instituições governamentais, universidades e sociedade” centros de pesquisa, indústrias e organizações interessadas na sustentabilidade, conservação e desenvolvimento estarão conectadas. O Grupo Mutum, da Moira, Henrique e Frederico Ribeiro, está conectado com a sua realidade, preocupada com a realidade dos habitantes, com o futuro dos filhos, netos e bisnetos da Amazonia?

A região é produtora de alimento. Farelo de soja, milho, algodão, sorgo, gergelim, trigo, etc. Destes plantios saem alimento para suínos, aves, bovinos e seres humanos. O que faltava para aprimorar a região agora já existe para agregar valor à produção. O ParqueTech Nova Mutum foi criado no papel há dois anos. O laboratório de alimentos, iniciativa da UNIVATES do Rio Grande do Sul, já está em funcionamento. Investimento conjunto de 14 milhões de reais, segundo Leandro Félix, o prefeito da cidade. Agora é o maior centro de plantio de bambu do mundo.

Sem ciência aplicada e tecnologia e a consciência da importância de ambas na melhora da qualidade de vida, nosso mundo ou é uma linda paisagem ou torna-se um grande lixão a céu aberto. E já inaugurou o laboratório de alimentos de primeiro mundo, de alta tecnologia, conectado à vanguarda cientista mundial.

A FS Bioenergia, empresa de etanol a base de milho, plantou 5 mil hectares inicialmente, querendo chegar a 30 mil hectares para suprir sua demanda de biomassa sustentável nas caldeiras. Despertou o potencial deste vegetal cotado para subir ao pódio de Ouro Verde do mundo. Em apenas 4 anos de pesquisa aplicada em colheita mecanizada, o crescimento foi de 5.000% no setor.

A Abrafibras – Associação Brasileira da Indústria e Produtores de Bambu e Fibras Naturais firmou um convênio para contribuição na melhora da qualidade de vida do micro, pequenos, médios e grandes produtores do centro do Brasil. Fibras naturais incluem palmáceas, arbustos, arbóreas e as gramíneas gigantes, como o bambu. Hoje presentes, ainda que incipientes, nos filamentos de impressões 3D, painéis e para-choques automobilísticos, na fuselagem de trens de alta velocidade e automóveis, construção civil e tantos outros usos ainda guardados nas gavetas de grandes empresas e laboratórios de pesquisa aplicada no mundo, não por falta de comprovação, mas por falta de matéria prima. E o Brasil, certamente será o maior fornecedor de bambu e fibras naturais do planeta, 97% delas nativas do nosso maior patrimônio.

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