20 anos do 11 de setembro: Conheça a história do bombeiro novaiorquino que se tornou padre após o evento

“Naquele dia, todos se perguntavam: ‘onde estava Cristo?’”, conta Tom

Imagem Ilustrativa (Foto: Tim Eiden / Pexels)

Há exatos 20 anos acontecia o traumatizante ataque terrorista islâmico que mudaria o mundo: o atentado às torres gêmeas do World Trade Center, importante complexo de edifícios em Manhattan, Nova Iorque, em 11 de setembro de 2001. Várias pessoas em todo o planeta contam histórias sobre onde estavam naquele exato momento, o que estavam fazendo ou até mesmo quem perderam no chocante evento. Há, também, relatos que mostram superações impressionantes de seus personagens.

Um desses casos é o de Tom Colucci, ex-tenente e capitão do corpo de bombeiros de Nova Iorque. Ele compartilhou suas memórias do 11 de Setembro no programa de podcast da Catholic News Agency (CNA).

Segundo esse programa, um pouco antes das 9 da manhã, após um exaustivo turno da noite, Tom foi chamado com urgência para ir ao World Trade Center, juntamente a outros bombeiros e a policiais da cidade. Um avião havia colidido com uma das torres. “Assim que cheguei ao local, a torre sul desabou”, relembrou o ex-tenente.

No meio de um “caos total”, Tom cavava para buscar sobreviventes, mas, “infelizmente, poucas pessoas sobreviveram”, segundo ele, e muitos dos mortos eram seus colegas de profissão.

Um dos casos mais marcantes para o ex-bombeiro foi o do Frei Mychal Judge, padre católico e capelão do Corpo de Bombeiros de Nova Iorque, conhecido por ser a primeira vítima identificada na tragédia. O religioso morreu após ser atingido por estilhaços do desabamento da torre sul.

“Naquele dia, todos se perguntavam: ‘onde estava Cristo?’”, conta Tom, “mas vimos o Corpo de Cristo em todos os que vieram ajudar naquele dia. Não eram só bombeiros, mas enfermeiros, médicos, psicólogos e muitos mais vindos de vários lugares do país. Aquele era o Corpo de Cristo.”

A CNA conta que Tom Colucci foi promovido a capitão em 2002 e, estando a cerca de 3 anos de sua aposentadoria, começou a levar mais a sério um desejo que perdurou por toda sua vida: ser padre católico. De acordo com ele, foi muito religioso a partir de sua juventude, mas também, nessa época, a ideia de se tornar bombeiro aflorou em sua mente graças a conversas com amigos, que diziam ser uma boa profissão a se seguier. Começando sua carreira em 1985, Tom amava seu trabalho – e era muito bom nisso.

Porém, ele revela que sua experiência no 11 de setembro despertou ainda mais seu interesse em se tornar sacerdote, vendo não apenas o exemplo de santidade do Frei Mychal, mas também de outros padres que, em seus atendimentos, ajudaram as vítimas diretas e indiretas do evento catastrófico.

Segundo o podcast, o ex-bombeiro se aposentou em 2005 após 20 anos de serviço e, em seguida, teve que recorrer a duas cirurgias no cérebro devido a danos causados no trabalho alguns meses antes. Decidiu, então, ficar 7 anos num mosteiro beneditino no estado de Nova Iorque não apenas para se recuperar da operação, mas também para o discernimento quanto a este novo chamado.

Em 2012, muito mais seguro de sua nova vocação, entrou no Seminário São José em Yonkers, estado de Nova Iorque. Foi ordenado em 2016 na Catedral de São Patrício, na cidade de Nova Iorque, sendo o primeiro bombeiro aposentado na história a se tornar padre.

“Foi algo grandioso”, contou Tom, aos risos, sobre o dia em que foi ordenado. “Havia uns 1000 bombeiros dentro e fora da catedral e caminhões de bombeiro na parte externa (…) Então foi um dia grandioso.”

Atualmente em seu quinto ano de sacerdócio, Padre Tom Colucci serve na paróquia em Walton, Nova Iorque. No podcast, ressalta que há muitas similaridades entre o trabalho do sacerdote e do bombeiro, como servir as pessoas e atender a chamados de emergência, além de salvar vidas. Sonha em ser capelão do Corpo de Bombeiros de Nova Iorque – e, inclusive, é um dos candidatos mais fortes ao posto -, a exemplo de Padre Mychal. Também atende muitos dos bombeiros, celebrando funerais para os que faleceram em serviço, e mantém contato com as vítimas do ataque terrorista islâmico de 11 de Setembro.

“As pessoas de Nova Iorque, em especial, nunca vão esquecer [o 11 de Setembro]”, destaca Padre Tom. “Todos – bombeiros, policiais ou civis – conheciam alguém que morreu naquelas áreas e isso nunca será esquecido. Perdemos 343 colegas naquele dia e, desde então, mais uns 200 devido às consequências. Nós nunca esqueceremos as pessoas que morreram naquele dia nem dos grandes sacrifícios que fizeram.”

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorDoença de Haff: não há registros de casos em MT
Próximo artigoUnimed cancela reunião e deixa pais de autistas sem negociação sobre cobranças