Quem canta os males espanta: ALMT e TCE gastam R$ 82 mil para manter corais

No Tribunal de Contas, por exemplo, o grupo existe há cerca de 30 anos

Maestro Carlos Taubaté tem contratos com o TCE, ALMT e Prefeitura de Cuiabá para ser regente de corais (Foto: Fablício Rodrigues / ALMT)

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) vão gastar, juntos, R$ 82 mil neste ano para manter ensaios de canto para os servidores que compõem seus respectivos corais.

O valor será pago ao maestro Carlos Eduardo Cursino Ferraz, o Carlos Taubaté, que se reúne com os cantores de cada uma dessas instituições duas vezes por semana. Na Assembleia Legislativa, às segundas e sextas-feiras. No TCE, às terças e quintas.

Cada encontro tem duração de aproximadamente 1h30 e ocorre no horário do almoço. Segundo Taubaté, para não atrapalhar o período de expediente dos servidores.

Na Assembleia Legislativa, por exemplo, Carlos Taubaté atua há pelo menos três anos. Em 2018 – contrato ainda vigente – baixou o preço de suas aulas. Passou a cobrar R$ 3,5 mil por mês, o que soma R$ 42 mil por ano. Valor que também se aplica ao contrato que tem com o TCE.

Nos dois anos anteriores, a ALMT pagou pouco menos de R$ 54 mil por cada contrato com o maestro – cada um com duração de 12 meses. Com isso, Carlos Taubaté recebeu cerca de R$ 4,5 mil por mês ao longo de 2016 e 2017.

E a ALMT e o TCE não são os únicos órgãos públicos que contrataram o maestro. Da Prefeitura de Cuiabá, ele recebeu – entre maio de 2018 e janeiro de 2019 – quase R$ 46 mil pelo mesmo serviços: duas aulas semanais com duração de 1h30. Estas, no entanto, ministradas à noite.

Um novo contrato foi firmado com a administração da Capital em março deste ano. Dessa vez, com a validade de 10 meses e um valor total que supera os R$ 54 mil, o equivalente a R$ 5,7 mil mensais.

Maestro Carlos Taubaté diz que a atividade desenvolve disciplina e concentração entre servidores públicos (Foto: Thiago Bergamasco/TCE-MT)

Aulas abertas ao público

De acordo com Carlos Taubaté, os corais são formados principalmente pelos servidores dos órgãos públicos que pagam pelas aulas, mas também são abertos à população. No caso da Prefeitura de Cuiabá, a prioridade é o público externo e há até processo seletivo para as pessoas que gostariam de compor o grupo.

Eles costumam se apresentar, mais comumente, em solenidades internas das próprias instituições e também de outros órgãos públicos. A administração do município, segundo o maestro, tem uma agenda própria de apresentações.

Com menos frequência, os corais participam ainda de festivais e encontros de canto realizados fora dessas instituições que representam.

Perguntado pela reportagem do LIVRE qual a “utilidade” dos corais, o maestro respondeu que o objetivo da atividade é mais que a “simples integração” entre os servidores públicos que fazem parte do grupo.

“Serve para promover o espírito de equipe. Você convive com as diferenças das pessoas. Você desenvolve memória e concentração, disciplina. Fazer música é exatamente isso. E principalmente o espírito de equipe”, Taubaté resumiu.

Apresentações, em sua maioria, ocorrem dentro dos próprios órgãos públicos que os corais representam (Foto: Fablício Rodrigues / ALMT)

Outro lado

De acordo com a assessoria de imprensa do TCE, o coral do Tribunal existe desde 1990 e, hoje, é composto por 20 pessoas, entre servidores e cidadãos.

A Corte confirmou que as apresentações ocorrem em solenidades internas e também em instituições filantrópicas, num total, em média, de três aparições por mês. Acrescentou ainda que o coral já gravou dois CDs.

Sobre os motivos de manter a atividade, a assessoria do TCE respondeu que o grupo melhora a “qualidade de vida, oferecendo aos interessados um contato mais profundo com o conhecimento musical”. Além disso, promove a “socialização e instrumentos culturais” dos participantes.

Já a Prefeitura de Cuiabá destacou que seu grupo tem cerca de 70 pessoas e que as atividades tiveram início em 2018. Neste ano, novos integrantes serão admitidos a partir de um processo seletivo que será aberto no fim do ano.

As apresentações são feitas em eventos oficiais da Capital.

Em ambos os casos, os cantores são todos voluntários.

A reportagem do LIVRE também procurou a assessoria de imprensa da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, que não se pronunciou até o momento.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

2 COMENTÁRIOS

  1. Não entendi essa matéria, o maestro Carlos Taubaté é um profissional reconhecido nacionalmente e tem o direito de receber pelo seu labor.
    Três mil e quinhentos reais não é um salário exorbitante, sem falar que o profissional não trabalha somente no momento em que está no coral, o trabalho de lecionar (neste caso música) exige horas de estudo e preparação antes das aulas. O coral ainda realiza apresentações e encontros em horários diversos das aulas.
    Por isso achei de extremo mal gosto.
    Tenho certeza que existem gastos mto maiores e desnecessários nesses órgãos.

  2. Caro repórter, quer saber qual é a “utilidade” da arte? Recomendo-lhe a leitura de um livro do filósofo italiano Nuccio Ordine, intitulado ironicamente de “A utilidade do inútil”. Lá, ele explica por que as pessoas conseguem compreender a utilidade de uma chave de fenda, mas não conseguem compreender a utilidade de uma sinfonia. Talvez seja justamente por isso que nos tornamos uma sociedade em degradação, insensível, fria, mecânica, irascível e raivosa. Mas na hora em que bate a depressão do confinamento, é para as séries de tv ou para as lives de seus artistas preferidos que as pessoas correm.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorSuspeito morre em troca de tiros com a PM em supermercado
Próximo artigoHomem leva tiro no peito ao tentar fazer depósito em banco