Pandemia cria desafio para tratamento de pacientes “sem urgência”

Após sete meses da suspensão das cirurgias agendas, médicos têm cautelar em retomar rotina. Mas, mais tempo significa regressão no tratamento

(Foto: Reprodução/Uol)

A cirurgiã Michelli Coelho Ridolsfe decidiu esta semana recomeçar o tratamento de um paciente oncológico, cujo estado de saúde regrediu na pandemia, por causa paralisação dos atendimentos eletivos nos hospitais. 

Ele perdeu peso, passou a se alimentar pouco e, consequentemente, entrou num quadro frágil. Conforme a médica, os pacientes em tratamento do câncer estão na fila de pessoas podem ter tido uma piora da saúde com suspensão do atendimento por mais de seis meses. 

“Na verdade, qualquer pessoa que precise de cirurgia pode ter um agravamento do quadro, se ficar muito tempo sem atendimento. Uma pedra na vesícula pode inflamar e a cirurgia passa a ser uma situação de emergência”, comenta. 

“Entre a cruz e a espada”

Porém, existe cautela dos médicos sobre o retorno dos atendimentos ao fluxo que estava antes da pandemia. O desconhecimento sobre a infecção causada pelo Sars-Cov 2 (novo coronavírus) mantém as barreiras de prevenção acirradas, até mesmo pela maior probabilidade de contágio e efeitos graves em pacientes com comorbidade. 

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Conforme a cirurgiã, há menos de um ano da confirmação do primeiro caso de covid-19, na China, a medicina avançou na análise do vírus e nos efeitos que ele produz no organismo humano, mas continuamos sem segurança sobre quando a vida poderá voltar ao normal. A resposta mais segura é quando sair uma vacina eficaz. 

Com trabalhos em três hospitais em Cuiabá, dois deles no Sistema Único de Saúde (SUS), a médica Michelli Coelho afirma que a retomada lenta dos atendimentos eletivos é a medida mais segura, visto que, hoje, antes de iniciar um tratamento os pacientes precisam passar uma série de exames para um diagnóstico de contágio. 

Por outro lado, existe a preocupação de que, quanto mais tempo levar para os pacientes com necessidade de cirurgia serem atendimentos, pior pode ficar a situação do quadro de saúde deles. 

“Nós temos entre a faca e a espada. Sabemos que a demora no atendimento de pacientes oncológicos, principalmente, pode agravar o quadro de saúde e tratamento que já tinha preparado o paciente para cirurgia deva ser reiniciado do zero. Ou seja, é mais tempo para o paciente se livrar da doença”, disse. 

Fila de espera 

Outro fator que ainda não é possível medir é o efeito no agendamento de cirurgias. Segundo a médica Michelli Coelho, o atendimento eletivo recomeçou, gradualmente, há cerca de 40 dias e, para pacientes oncológicos graves, ele não chegou a ter suspensão total. 

Estima-se que a espera ainda possa se prolongar. Levantamento divulgado pelo deputado estadual e médico sanitarista, Lúdio Cabral (PT), mostra que até o início deste ano, havia mais de 315 mil pessoas na fila de espera do SUS em Mato Grosso. 

Conforme o deputado, na época, o tempo médio de espera na fila estava em 493 dias, cerca de um ano e três meses. Cerca de 141 mil aguardavam por consultas com especialistas, 148 mil por exames e 25 mil internações para cirurgias e tratamentos.   

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