Pacha Ana lança disco love song com selo nacional Colmeia 22

Matogrossense foi a primeira mulher a gravar disco de rap no Estado e, agora, com novo EP fala de amor

Pra aquecer o público do disco Suor e Melanina que deve ser lançado dia 07 de outubro, Pacha Ana soltou sexta (03), o single Orgulho, que já tem clipe no YouTube, também no Spotify. Além de falar de amor do início ao fim do novo álbum, a rapper traz outra novidade, agora seu trabalho recebe o selo da renomada produtora nacional Colmeia 22.

Ela, que foi a primeira rapper mulher a gravar um disco em Mato Grosso, já é conhecida pelo enfrentamento e militância presente nas rimas. Com uma perspectiva centrada no amor e afeto da comunidade negra, lgbtqi+ e periférica, o trabalho promete salientar temas que ainda são debatidos dentro dessas comunidades de formas muito subjetivas. “Se a gente for falar sobre pessoas que eu queria atingir com o disco, a primeira pessoa que eu queria atingir era eu”, comenta a artista.

Desde o início de sua carreira ela confronta com suas letras o racismo, a lgbtqia+fobia, e outras questões sociais. No entanto, dessa vez, Pacha faz também uma viagem interna, fala dos sentimentos. “Suor e Melanina é sobre dar continuidade sobre o que a gente já fazia e perdeu no meio do caminho. Quando falo isso, também falo pra mim, não me tiro dessa, eu me coloco nessa perda”, descreve.

O que pouco se diz é que muito do direito de amar e “sentir” foi também tirado do povo preto. Por isso, reforça que é importante falar do que vai além das dores, tudo que também se definia antes do processo de colonização, que é a identidade e tudo que faz parte dela, como os afetos.

Para a rapper, retomar essas questões propõe um reencontro com a ancestralidade. O amor faz parte dessa luta.

Ideia love song

A criação do projeto, que teve início em 2019, veio da inspiração da artista para se renovar, sair da zona combatente da militância, de denúncia e afrontamento, e partir para novas formas de discutir sobre a comunidade negra e suas subjetividades.

No primeiro momento a ideia foi discutida com Eazy CDA, diretor de voz e responsável pela gravação do disco. “Quando eu comecei a escrever o disco inteiro, pensar no disco inteiro, eu estava em BH, na casa do Eazy passando uns dias lá e eu falei ‘Quero escrever um disco todo de love song, e aí ficamos naquela de será, não será?! Entendi que dava muito certo, que eu tinha muito feeling pra isso, acho que é isso, que além de militar eu também posso falar de amor, também posso falar de afeto. Foi daí que saiu a ideia de Suor e Melanina”.

EP do amor preto

Quando questionado sobre o processo de criação do EP, Eazy fala sobre a imersão e identificação que teve com o projeto. “Muito intenso, essa é a palavra. Automaticamente, quando você escuta as músicas, você se sente pertencendo ao momento”, relata o produtor.

Sobre o nome do disco, a artista destaca a dualidade, do suor e melanina que se misturam em relações afetivas afro centradas, e do suor dela, mulher preta, ao apresentar mais um trabalho ao público.

Já na produção da identidade visual, Ahgave e Maria Reis, em parceria com Pacha Ana, foram os responsáveis por toda criação, incluindo a capa do disco e produção de figurinos e stylist da cantora. O conceito visual do EP foi ligado diretamente a
intenção da artista, de reformulação e reconhecimento para a comunidade negra, onde a diáspora é uma realidade em que o povo preto necessita acolher sua história, seu afeto e sua origem.

Com tons terrosos e elementos nudes, que remetem às estações do ano, ligadas principalmente ao inverno e outono, o figurino da artista remete a troca de pele, como um processo de se fazer novamente. “Assim como as folhas caem no inverno, assim como as raízes secam, entramos na subjetividade do inverno, das estações, porque morte também é renascimento, e dentro desse conceito de renascimento, também buscar a ancestralidade através do sankofa ‘volte, retorne e pegue”, comenta Ahgave.

O disco teve sua produção assinada pelo beatmaker e produtor Vibox, de São Paulo, com referências no R&B nacional e internacional, com mixagem de Eazy CDA e masterização do produtor DJ Spider, do studio ProBeats, ambos de Belo Horizonte.

Sobre Pacha Ana

Pacha, além de musicista é atriz e arte educadora. Em 2018 lançou seu primeiro disco, Omo Oyá, com o conceito baseado em sua vivência no candomblé e como mulher negra. Este foi um marco também para Mato Grosso, já que Ana era a primeira mulher a gravar um disco de rap no estado. No ano de 2021, em nova fase, se lança com selo nacional da produtora Colmeia 22 o seu segundo disco Suor e Melanina.

Serviço

Lançamento do single Orgulho – Ep Suor e Melanina
Quando: 03 de setembro (sexta)
Onde: YouTube (https://youtu.be/Cu7U6RUUQ68) e Spotify.

(Com informações da Assessoria)

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