OCB/MT completa 49 anos e se prepara para os novos desafios da economia pós-pandemia

Números mostram o crescimento do cooperativismo em Mato Grosso e indicam o desafio: crescer e fortalecer de forma sustentável

Enquanto surfa na pujança dos setores de agronegócio e crédito e consolida outras áreas como transporte e mineração, o Sistema da Organização das Cooperativas Brasileiras em Mato Grosso (OCB-MT) se preparam para o futuro, que inclui nas expectativas os setores agroindustriais, de energia renovável e educação cooperativa.

No momento que comemora os 49 de existência em Mato Grosso- 16 de março -, as lideranças cooperativas acreditam na expansão e o fortalecimento do sistema. Um otimismo que se justifica pelos dados. Atualmente, dos 3.526.220 habitantes de Mato Grosso, 685.534 têm relação direta com o cooperativismo, seja na posição de funcionário ou cooperado.

O número agrupa empreendimentos em todos os setores e representa quase 20% da população total do Estado, segundo os dados da OCB-MT.

O presidente da OCB-MT, Onofre Cezário de Souza Filho, explica que o sistema cooperativo passou por 3 fases dentro de Mato Grosso. O primeiro foi na década de 70, quando ainda ficava sobre o “guarda-chuva” de atuação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), órgão responsável pelo registro e controle das cooperativas à época.

Onofre Cezário de Souza Filho, presidente da OCB-MT, revive história da instituição no Estado. Foto: (OCB-MT/Divulgação)

Cezário lembra que a então Ocemat – Organização das Cooperativas no Estado de Mato Grosso -, tinha uma importância tão grande quanto a Famato no setor agropecuário no período de expansão agrícola.

Também foi nesta época se as duas entidades nacionais que representavam as cooperativas se fundiram – Unasco e Abcoop – dando início ao processo de consolidação desta união por todo o Brasil, o que incluiu a padronização dos nomes.

A segunda fase foi nos anos 80, quando a nova constituição incluiu a cooperativas na iniciativa privada, dando as organizações mais responsabilidade sobre a sua gestão e também oportunidade de crescimento.

Nesse momento, recorda o presidente que há quase 40 anos atua diretamente no setor, se ampliou o leque de setores, passando ao fortalecimento das áreas de saúde e do crédito, ambos hoje já consolidados.

Outra fase divisora de águas foi quando o Sindicato das Cooperativas foi criado e passou a integrar o sistema. Cezário lembra que, até então, as contribuições sindicais eram entregues para outros sindicatos e depois da mudança, foi possível investir em uma área cuja demanda era crescente, a educação.

Foi com a formação das pessoas que os processos foram se profissionalizando ainda mais e as governanças ganharam em credibilidade, eficiência e transparência. Paralelo a isso, outros setores foram despertando para o cooperativismo, como o mineral e de logística.

Hoje, explica o presidente da OCB-MT, Mato Grosso já tem uma Faculdade Corporativa Cooperativista, o I.COOP, com curso de graduação, pós-graduação e parcerias internacionais que tendem a se desenvolver. Além de tudo, um ambiente fértil para abertura novas cooperativas.

Crescimento das cooperativas

O aumento do número de pessoas ligadas ao cooperativismo – como cooperado ou funcionário, cresceu de forma gradual ao longo dos anos, sendo que, somado nos últimos 10 anos alcançou 202%, saindo de 228.132 pessoas em 2010 para 457.402 em 2021.

Somente entre os anos de 2019 e 2020, o número de cooperativas aumentou 10%, passando de 147 para 162. Entre os setores que mais apresentaram avanços no quesito ampliação das unidades está o Agropecuário (7) – que já é uma aptidão econômica do estado -, além de Saúde (3) e Trabalho (2).

O superintende do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo em Mato Grosso (Sescoop/MT), Adair Mazzotti, avalia que o Sistema OCB se aproxima de um novo ciclo, no qual haverá uma renovação de lideranças, o que oxigenará o sistema.

Adair Mazzotti, superintende Sescoop/MT, diz que um novo ciclo está se iniciando no mundo cooperativista. Foto: (OCB-MT/Divulgação)

Mazzotti lembra que a capacitação e formação corporativa cooperativa junto aos aprendizados conquistados ao longo da existência do sistema aferiram mais confiabilidade e profissionalização as gestões. Com a governança mais transparente, é possível se vislumbrar um caminho de crescimento, baseado também nas diversas oportunidades de negócios que o Estado apresenta.

“A reoxigenação vem de um processo sucessório das lideranças que está sendo configurado há mais de 20 anos. Essa transição já é uma preocupação das grandes empresas e também é essencial para a sustentabilidade das organizações”, afirma.

Outro ponto defendido pelo superintendente é a consciência da importância da consciência política das bases. Distante de questões partidárias, o foco deve ser a defesa de políticas públicas que fomentam o modelo.

De acordo com Mazzotti, além de estar diretamente ligado a geração de renda para os moradores locais, o sistema cooperativo também é uma forma de suporte aos negócios locais quando eles são ameaçados por grandes conglomerados vindos de fora.

“Com as cooperativas, o dinheiro continua dividido entre as pessoas que moram no local, o que impacta diretamente na qualidade de vida e no desenvolvimento da comunidade. Quando esses negócios são tomados por empresas de fora ou multinacionais, a riqueza produzida na região também toma outros caminhos”, argumenta.

Com olho no futuro

Para o superintendente da OCB/MT, Frederico Azevedo, os 49 anos passados foram de transformação constante e, agora, está sendo realizado um trabalho para direcionar a atuação nos próximos anos. Os setores de atuação da OCB – Agropecuário, Consumo, Crédito, Infraestrutura, Saúde, Trabalho e Transporte – estão em reuniões constantes para avaliar como as cooperativas estão atuando e quais as demandas emergentes e futuras.

Azevedo lembra que a 1º geração do cooperativismo em Mato Grosso está repassando o “bastão” para os filhos, no caso dos cooperados, e de novos integrantes do sistema. Assim, as pessoas que no começo se uniram para superar as dificuldades terão como sucessores quem não passou pelo obstáculo.

Frederico Azevedo, o superintendente da OCB/MT. Foto: (OCB-MT/Divulgação)

Então, na avaliação do superintendente, a educação e o propósito da união como força motriz dos ganhos para todos e do desenvolvimento local serão as chaves para o fortalecimento das cooperativas.

Outra questão importante, segundo Azevedo, é levar a formação cooperativa para outras áreas, tendo em vista que ela pode ser uma ferramenta para retomada das economias e desenvolvimento no pós-pandemia.

Com a crise, muitas pessoas perderam o emprego, não conseguiram um trabalho formal, optaram por empreender ou abandonaram o ramo de atuação. Trabalhadores que precisam se reinventar e, neste ponto, a cooperativa pode ser uma saída.

SOMOSCOOP – A Organização das Cooperativas Brasileiras de Mato Grosso – Sistema OCB/MT – é uma entidade formada por 3 instituições que fazem papéis distintos e ao mesmo tempo interligados, focados no suporte às cooperativas: OCB/MT – Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras de Mato Grosso; Sescoop/MT – Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Mato Grosso; e o I.Coop – Faculdade de Cooperativismo.

(Da Assessoria)

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1 COMENTÁRIO

  1. Penso que a OCB MT deveria estra mais presente junto as Cooperativas e seus cooperados, e especialmente estar corrigindo certos desvios que ocorrem na condução das singulares.
    Estar presente de maneira imparcial. Seguindo o que dita a lei e os principios cooperativistas.

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