Lixo e esgoto: falta de coleta na região metropolitana compromete rio Cuiabá

Em média, 900 toneladas de lixo por dia podem chegar ao manancial, que recebe também 39% do esgoto não coletado na Capital

(Foto: Gecom)

Especialistas que monitoram o rio Cuiabá estimam que chegam àquelas águas uma média de 900 toneladas de lixo que deixam de ser coletadas diariamente na Grande Cuiabá. Combinado a isso, há ainda os 39% do esgoto que não é coletado na Capital e 70%, em Várzea Grande.

As causas desses problemas, apontam os especialistas, são o crescimento desordenado, mau uso e ocupação do solo, além do desmatamento de Áreas de Preservação Ambiental (APA). O resultado disso é o comprometimento da fauna, flora e águas do rio.

Em entrevista ao jornal A Gazeta, desta segunda-feira (23), a professora de Recursos Hídricos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e secretária do Comitê de Bacia Hidrográfica da Margem Esquerda do rio Cuiabá (CBA/ME), Eliana Rondon, detalhou esse comprometimento: a presença de coliformes fecais que pode chegar a 4 vezes acima do aceitável. Isso altera os níveis de PH da água e também a presença de nitrogênio e fósforo.

O docente no curso de engenharia sanitária e ambiental da UFMT, Paulo Modesto, reforça que apenas parte dos resíduos produzidos na Grande Cuiabá é coletado e tratado. Com base na população a Capital, o professor estima a produção de 600 toneladas de lixo por dia. Porém, a coleta não é universalizada e não chega nem a 95% da população.

Com relação ao esgoto, a situação se repete. A estimativa é que são produzidos 150 litros  por habitante, o que chega a 90 mil metros cúbicos produzidos por dia. Porém, apenas 54 mil são coletados e tratados.

Apesar desses índices, as águas ainda são usadas por pescadores para retirar dali o próprio sustento ou para o lazer.

Os especialistas avaliam que ainda há o que se fazer para frear o avanço da degradação. Um exemplo das medidas a serem adotadas é fazer valer os planos Municipal de Saneamento e o Estadual de Resíduos.

O que dizem a Prefeitura e a Águas Cuiabá?

A Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb) informa que desde 2017, atua na evolução gradativa dos serviços de coleta e destinação de resíduos sólidos. Neste período, a frota de caminhões de coleta foi renovada e aumentada para mais de 35 veículos.

A Pasta frisa que, atualmente, aproximadamente 97% da cidade é coberta pela coleta de lixo que resulta no recolhimento de cerca de 500 toneladas de lixo que são levadas para o aterro sanitário.

(Foto: Davi Valle / Secom)

A Limpurb reforça que foi implantada a coleta fluvial que percorre diariamente o trecho de São Gonçalo Beira Rio até a Ponte Nova. O trabalho resulta na coleta de 10 toneladas de lixo por mês. Além disso, há ações de limpeza às margens do rio Cuiabá.

Já a concessionária Águas Cuiabá destacou que Cuiabá foi reconhecida como a cidade que mais investe em saneamento no país por habitante, segundo o Ranking Nacional Trata Brasil 2022. O município caminha para alcançar 91% de cobertura do serviço de esgotamento sanitário doméstico até em 2024, quase uma década antes do prazo determinado pelo Marco Nacional do Saneamento Básico.

Neste sentido a Águas Cuiabá, empresa responsável pelos serviços de água e esgoto da capital mato-grossense desde 2017, informa que, atualmente, o município conta com 79% de cobertura de esgotamento sanitário, conforme estabelece o contrato de concessão firmado junto ao Poder Concedente.

(Foto: Divulgação)

Quanto ao percentual de esgoto coletado e tratado, a concessionária posiciona que 86% dos efluentes coletados são tratados, superando a meta contratual, que foi estabelecida em 78% para o final do Ano 10 da concessão, alcançado em abril deste ano.

Águas Cuiabá ressalta que cumpre o cronograma de expansão da cobertura de esgotamento sanitário doméstico da capital, ampliando de forma progressiva o acesso de todos os domicílios ao saneamento básico.

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