Indústrias de base florestal de MT buscam acesso à União Europeia

Brasil possui posição privilegiada em termos de cobertura de floresta tropical, mas o total exportado ainda é pequeno

Foto: Assessoria

O desenvolvimento das estratégias de acesso ao mercado europeu pela madeira produzida legalmente em Mato Grosso avançou. Na quinta-feira (24), cerca de 20 integrantes do setor de base florestal do Estado participaram, na sede da Federação das Indústrias, em Cuiabá, de um workshop promovido pelo Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira de Mato Grosso (CIPEM).

O evento foi fruto de uma parceria firmada pela entidade, em abril deste ano, com a Iniciativa para o Comércio Sustentável (IDH), que prevê o desenvolvimento de atividades para melhorar, continuamente, a cadeia de valor do setor florestal no Estado, com ações estruturadas em quatro pilares centrais – digitalização do Sistema de Registro e Gestão Florestal; intercâmbio de conhecimentos; benchmarking do Sistema Sisflora-MT em relação à protocolos e certificações de reconhecimento internacional; e o desenvolvimento de estratégias de comunicação para melhorar a reputação da madeira produzida no Mato Grosso no mercado europeu.

Sobre o tema ‘Construindo um caminho de reputação para a madeira do Mato Grosso junto à União Europeia’, a IDH apresentou dados do setor, o cenário de exportação e as regras comerciais para atender grandes compradores do bloco econômico.

De acordo com o estudo realizado, o Brasil possui uma posição privilegiada em termos de cobertura de floresta tropical, mas o total exportado ainda é pequeno se comparado a outros países. A produção do Brasil é de 32,5 milhões de metros cúbicos, sendo exportados 0,7 mi de m³, enquanto a média mundial é de 318 mi m³ de produção e de 30 mi m³ exportados. Nesse ambiente, o desenvolvimento do manejo florestal sustentável mostra-se fundamental para o equilíbrio entre produção e conservação do meio ambiente.

“O que produzimos ainda é pouco se comparado com a Indonésia, que é uma ilha. Embora possua apenas 7% de toda floresta tropical do mundo, o país produz 26% de toda madeira consumida no planeta. Também dá para se ter uma ideia da nossa dimensão quando falamos em dividendos. Ao passo que giram mais de U$ 17,3 bilhões no mercado global, o Brasil movimenta apenas U$ 272 milhões desse total, ou seja, apenas 1,5%”, observaram os consultores da IDH responsáveis pela análise.

Durante o estudo, a IDH identificou a qualidade do Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (SISFLORA), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), que possui grande sintonia com as exigências do bloco comercial. Também verificou as fiscalizações realizadas pela Delegacia Ambiental e Ministério Público do Estado (MPE) para assegurar a lisura; porém, considerou que ainda não são suficientes.

O presidente do CIPEM, Rafael Mason, apontou para a necessidade da contratação de uma auditoria independente, a fim de dar mais segurança ao Sistema. “Nesta semana, tivemos uma reunião com a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazaretti, para também tratar desse assunto. O SISFLORA, atualmente, garante a rastreabilidade da madeira e maior transparência ao setor. Mas se quisermos exportar nosso produto para a UE, precisaremos oferecer o máximo de segurança possível”.

Rafael ainda mencionou que os produtores do setor de base florestal de Mato Grosso estão entre os melhores do mundo, visto que preenchem inúmeros critérios legais e socioambientais para utilização da floresta, por meio do manejo sustentável. Para ele, a melhor forma de se combater o desmatamento e a extração ilegal de madeira, é criando incentivos fiscais à cadeia produtiva. “Todo o circuito precisa estar contemplado; do produtor às indústrias primária e secundária. Sem isso, fica mais difícil produzir ou exportar”, concluiu.

Com o intuito de acelerar a sustentabilidade nas cadeias de valor de múltiplos setores relacionados às commodities agrícolas até 2020, a IDH tem fomentado iniciativas com abordagem territorial. Por isso, em Mato Grosso, as ações desenvolvidas estão em consonância com a Estratégia Estadual Produzir, Conservar e Incluir (PCI), que tem como um dos objetivos estabelecer mecanismos de transparência e governança para atrair investimentos que promovam o desenvolvimento sustentável do estado.

O compromisso da PCI para florestas nativas é chegar a 6 milhões de hectares de área com manejo florestal sustentável em Mato Grosso. Atualmente, o estado possui 3,7 milhões de hectares de florestas privadas manejadas. (Com a participação e informações da Assessoria de Imprensa da IDH).

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