Época das “ites”: como cuidar das crianças nesse período do ano

No outono, doenças respiratórias aumentam. Médica pediatra explica como cuidar das crianças

Foto de Andrea Piacquadio no Pexels

Estamos na época do ano em que as “ites” respiratórias ocorrem com maior frequência. No período do outono, o tempo fica mais seco, com mudanças rápidas da temperatura durante o dia. Além disso, agentes causadores de alergia, como ácaros, poeira, mofo e fuligens de queimadas são mais comuns nesta época.

Essa combinação de fatores aumenta a incidência de doenças respiratórias, especialmente as gripes, faringites, amigdalites, laringites, sinusites, otites, bronquites, bronquiolites, rinites, pneumonias e resfriados. Todo mundo está suscetível, mas idosos e crianças são os mais afetados pelas “ites”.

“Os pequenos acabam sofrendo mais, porque não têm um sistema imunológico tão estabilizado quanto o de um adulto. É muito comum terem diversos episódios de infecções virais nesta época do ano”, afirma a pediatra e coordenadora da linha materno infantil do Hospital Santa Rosa, Paula Bumlai.

A especialista dá dicas de como reduzir a frequência das infecções nas crianças. “De modo geral, as medidas para isso envolvem o controle da transmissão das doenças. Por isso, isolamos a criança doente, recomendamos a higienização das mãos, umidificação do ar e a limpeza das narinas com mais frequência”, recomenda a pediatra. Há ainda outras formas de prevenção, como a lavagem nasal, o uso de inaladores com soro fisiológico e de aparelhos umidificadores de ar. “O que não pode ser feito é o uso de medicamentos sem prescrição do médico”, orienta Paula.

Quando é hora de procurar ajuda médica?

A médica afirma que essa é uma dúvida frequente. “Mesmo com todos os cuidados preventivos, os pais devem ficar atentos a alguns sintomas e procurar um médico imediatamente nos casos de piora do quadro de saúde das crianças. Observem se tem febre acima de 37,8ºC, persistente e por mais de 48h associada a um quadro gripal. E se há dificuldade para respirar, independentemente do tempo de início dos sintomas. Se apresentar sinais de esforço na hora de puxar o ar, costelas afundando, se a criança ficar apática e não comer, é hora de ir pro médico”.

Foi o caso da publicitária Célia Alves, mãe de Ícaro Alves Bernardino, de cinco meses. O filho precisou ficar internado na UTI infantil do Hospital Santa Rosa por conta de uma bronquiolite. “Começou com uma gripe. Os sintomas iniciais eram tosse e febre baixa. Estava fazendo o tratamento em casa, com inalação e lavagem nasal. Porém, após dois dias de sintomas leves, ele começou a ficar muito ‘molinho’, com febre alta e persistente. Foi quando decidimos leva-lo ao PA infantil do Santa Rosa para avaliação. E o diagnóstico do médico foi bronquiolite, com recomendação de internação na UTI para suporte ventilatório”, relata Célia.

(Foto: Assessoria)

No início, Célia ficou apreensiva. Mas o médico do plantão explicou que a internação em bebês com bronquiolite é recomendada por conta da necessidade de um acompanhamento mais próximo do quadro da criança. “Eu perdi um filho recentemente por Covid-19, e aí revivi várias coisas naquele momento, mas entendi que era o melhor a se fazer para a recuperação do Ícaro”.

A bronquiolite assusta porque o sintoma principal é a dificuldade para respirar. No entanto, a pediatra Paula Bumlai explica que ela não é uma doença fatal. “É uma infecção viral, geralmente benigna, que acomete as vias áreas inferiores, os pulmões. Tem entre sete a 20 dias de evolução. E muitos casos precisam de internação para uso de oxigênio complementar, fisioterapia e acompanhamento do estado geral de saúde da criança”, salienta a médica.

O diagnóstico é clínico, realizado pelo médico, e podem ser solicitados exames de imagem, como raio-x, para verificar possíveis complicações: pneumonia ou broncopneumonia. Os vírus causadores da bronquiolite são os mesmos que causam gripes e resfriados: o vírus sincicial respiratório (VSR) e o influenza.

Depois de cinco dias internado, Ícaro evoluiu bem e está em casa. A publicitária elogia o pronto atendimento infantil do Santa Rosa. “Foram assertivos no diagnóstico do meu filho, recebi todos os cuidados de uma equipe especializada e atenciosa. Recomendo às mães a ficarem atentas aos sintomas dos seus filhos. Depois que postei sobre o caso do Ícaro recebi várias mensagens de outras mães, relatando terem passado pelo mesmo caso e com dúvidas”, relata Célia.

O pronto atendimento infantil do Santa Rosa funciona 24 horas, de segunda a segunda. Existe uma equipe médica com pediatras, recepção separada, além de estrutura de internação hospitalar com 13 leitos de UTI e apartamentos em setores específicos do hospital.

(Foto: Assessoria)

Aprenda como prevenir as “ites”

Lavagem nasal com soro fisiológico: tem o objetivo de ajudar na saída de secreção nasal e na boa respiração da criança. Pode ser realizada em todas as idades. Existem alternativas de baixo custo, como a seringa. “Quando o nariz estiver muito entupido, o ideal é a seringa, porque o jato é mais longo e mais forte. O uso de aspiradores nasais também pode ser útil”. A pediatra diz que os sprays nasais e conta-gotas também podem ser usados para a lavagem.

Inalação com soro fisiológico: funciona para hidratar as vias áreas da criança e ajuda a melhorar a tosse irritativa, fluidificar a secreção nasal espessa, e os quadros alérgicos.  O inalador deve cobrir a boca e o nariz.

Umidificadores de ar: aparelhos que ajudam a manter a umidade do ar em um padrão agradável, tornando a respiração mais confortável. No entanto, Paula reforça que é preciso ter alguns cuidados. Caso contrário, o aparelho pode acumular fungos e se tornar mais uma ameaça para a saúde respiratória da criança. Ela lista algumas medidas básicas: lavar com frequência com detergente ou sabão neutro, trocar a água todos os dias, ligar o aparelho de duas a três horas antes de dormir e evitar deixar muito próximo do rosto. Uma bacia com água e toalhas molhadas no quarto também ajudam.

(Da Assessoria)

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