Eles contra elas: a ideologia de gênero e seus estragos

(Foto: Shin Choke/Divulgação)

Talvez o esporte seja o âmbito em que fique mais evidente o curto circuito causado pela (e na) famigerada ideologia de gênero quando confrontada pela realidade. Os promotores de “novos direitos” levam até as últimas circunstâncias a abstração de uma visão ideológica, utópica e abstrata e acabam por demonstrar que os opositores dessa utopia têm razão.

Na vizinha Argentina, mais precisamente na Província de Buenos Aires, foi aprovada uma lei (15.100) em 23/11/2018, e promulgada em 26/12/2018, que permitirá (melhor seria “obrigará”) a prática esportiva, que mesmo em nível profissional, segundo a “identidade de gênero auto percebida”, logo, prescindindo de divisões conforme o sexo biológico, índices hormonais ou características, bastando tal declaração pessoal de como a pessoa se sente.

Obra do senhor deputado Federico Susbielles, ex-atleta do basquetebol, que alega que a lei citada nada mais é que a regulamentação da Lei Nacional da Identidade de Gênero (26.743) promulgada em 2012 e relativa ao acesso ao esporte. Segundo Susbielles, “A lei sobre identidade de gênero já está feita, mas precisa deste tipo de norma complementar porque em caso contrário se continuaria a discriminar estes coletivos”, querendo com coletivos supostamente “discriminados” os “transexuais”.

Na visão do político, se trata de “garantir direitos humanos”. A nova lei determina que : “para fins de registro, inscrição, participação e competição no contexto de atividades esportivas de uma liga, federação ou confederação no território da província — seja de caráter amador ou profissional — se compreenderá por gênero aquele de auto percepção do esportista”.

Caso haja descumprimento da norma, o instituto Esportivo de Buenos Aires sancionará os clubes, ligas, associações e federações que inscreverem seus atletas segundo o “gênero” diferente do auto percebido pela pessoa.

A abstração jurídica (ou seria alienação?) argentina teve início com o jogador “Saira” Millaqueo que, possivelmente por disforia de gênero (transtorno de identidade de gênero), passou a “se identificar” como mulher e a pretender jogar nas ligas femininas de hockey – esporte de evidente contato físico e uso da força bruta. A Millaqueo foi negada a admissão aos times femininos por razões óbvias, além de seus níveis hormonais de testosterona incompatíveis, o que segundo o deputado Federico Susbielles seria um “preconceito” (!) e era apenas desculpas para negar-lhe o “direito”.

Assim, a lei viria para “contribuir à erradicação de práticas discriminatórias e violentas da nossa sociedade”, o que soa como uma justificativa de Novilíngua Orwelliana.

O caso de Millaqueo não é o único. “Jessica” Millaman é outro jogador que decidiu atuar nas categorias femininas de hockey na Argentina. Uma atleta de hockey adversária de Millaman, Patricia Navarro (da equipe Trelew Rugby Club), foi uma das que se manifestou sobre o tema: “esta não é uma questão de discriminação. Temos medo de jogar nesse esporte de contato porque apesar de ser um transexual a sua força é de um homem”. E completa: “na última partida que jogamos com a Germinal (equipe de “Jessica” Millaman), perdemos por 3 a 0 com três gols de Jessica porque nenhuma companheira se atrevia a marcá-la” pela força dos encontrões e trombadas de um jogador que permanece biologicamente um homem.

Com a nova norma argentina, casos como este tendem a se intensificar. Mas não só o país Platino enfrenta tais questões. Em outubro de 2018 o ciclista canadense “Rachel” McKinnon venceu uma corrida em Los Angeles, ao que suas colegas competidoras mulheres chamaram de “resultado injusto” o Sr. McKinnon respondeu simplesmente que seriam “preconceituosos transfóbicos”.

No Brasil é já famoso pela sua potência muscular desproporcional à categoria feminina o jogador de voleibol profissional “Rodrigão” Abreu, agora Tiffany, que virou expoente do vôlei feminino pela sua força e compleição masculina – malgrado todas as justificativas hormonais apresentadas. A ex-jogadora Paula se manifestou sobre o tema e passou pelo contumaz linchamento digital de quem é contra a ideologia de gênero, sobretudo nestes casos extremos de abstração da realidade como no esporte.

Uma coisa é um cantor se travestir de mulher e fazer sucesso por essa idiossincrasia, ou uma atriz e ex-dançarina que se traveste de homem; outra situação completamente diferente é no esporte, sobretudo naqueles de contato, como o caso do lutador de MMA Fallon Fox (foto acima), que até pouco tempo detinha na modalidade feminina 06 lutas, com 05 vitórias, 3 por nocaute, tendo admitido sua condição masculina depois das duas primeiras lutas, dois verdadeiros massacres vencidos no primeiro assalto.

A questão que fica é: qual a razão desse silêncio ensurdecedor das feministas que tanto pedem “igualdade” contra o patriarcado, mas não se opõem maciçamente contra esse domínio masculino em perspectiva nas modalidades femininas?

Não há como qualquer ideologia mudar a realidade da natureza biológica humana.

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* Fernando Henrique Leitão é advogado e membro do Instituto Caminho da Liberdade – ICL-MT ([email protected]

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