Dor nas costas não é mais só coisa de adulto e a mochila escolar divide espaço com outro vilão

Ortopedista afirma que incidência de dores crônicas em crianças já alcança índices semelhantes aos dos adultos

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Dor nas costas não é mais só coisa de adulto. A incidência em crianças já alcança índices semelhantes. Quase 70% delas já sentem dores que tendem a se tornar crônicas.

A afirmação é do médico ortopedista Luiz Cláudio Lacerda Rodrigues, que aponta dois vilões: um mais “tradicional”, a mochila levada para a escola, e outro mais “contemporâneo”, celulares e tablets.

No caso destes últimos, a doença – que afeta, principalmente, mas não exclusivamente, o pescoço – já tem até nome: pescoço de texto.

O médico explica que a coluna trabalha como um órgão único, então, se você tem problemas na cervical, vai ter em outras partes dela também.

“A lombar e a toráxica vão junto. A primeira a apresentar problema é a cervical, mas como ela muda de posição, a coluna inteira tem que mudar”.

Aí surgem problemas como envelhecimento precoce e uma incidência maior de dor e de hérnias, por exemplo.

Uso contínuo de celular com a cabeça inclinada para baixo pode gerar problemas na cervical (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Vilão antigo (e quase invencível)

Mas de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é o excesso de peso nas mochilas escolares que ocasionam 70% dos problemas de coluna na fase adulta.

Membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Rodrigues afirma que, quando se fala nas mochilas, não é só o peso que atrapalha, mas a forma como as crianças a carregam.

“Esse peso é sempre calculado em relação ao peso da criança. O que se recomenda é que o peso máximo seja 10% do peso corporal”, ou seja, se seu filho pesa 30 quilos, o ideal é que carregue, no máximo, três.

Além disso, a mochila tem que estar justa nas costas.

“As crianças têm tendência a usar mochila muito baixa e solta. Além dela ficar puxando a criança para trás, ela fica como se estivesse batendo nas costas o tempo inteiro”.

Incentive a organização!

Nem tudo que está na mochila do seu filho precisa estar lá (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

E para evitar que seu filho carregue mais peso que o necessário, o ideal é incentivá-lo a se organizar com antecedência. Não levar um livro que não vai ser usado naquele dia, por exemplo, já contribui.

E a psicopedagoga Adriana Ferreira alerta: não faça, você próprio, o trabalho do seu filho.

“Esse é um dos piores erros cometidos por pais. Fazer por eles não vai ensiná-los e, sim, acomodará os estudantes”, ela diz.

Na missão de organizar essa mochila, Adriana Ferreira lista três dicas:

1. Distribua o peso

“Os materiais mais pesados precisam estar mais próximos ao corpo e, havendo bolsos laterais, distribua uniformemente os objetos para equilibrar o peso”, ela diz.

2. Escolha bem a mochila

Muitas mochilas são produzidas com material que, por si só, já é pesado. Evite-as.

Escolher mochilas menores também podem ser uma boa alternativa. Assim, não sobra espaço para seu filho carregar mais do que precisa.

3. Caderno de capa dura?

Segundo Adriana Ferreira, é melhor não. Cadernos individuais e mais finos pesam menos. E, novamente, você incentiva o hábito de se organizar para levar só o que será usado.

Outra dica, se possível, trocar os cadernos no meio do ano, assim, aquelas páginas já usadas ficam em casa.

(Com informações da Agência Brasil)

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