Conservadores fazem mais sexo

Queremos ser amados e aceitos incondicionalmente, num contexto de segurança e confiança plena

Jamie e Claire em Outlander (Foto: Divulgação)

É difícil para nós do Brasil associar conservadorismo com plenitude sexual. O senso comum é que conservadores são puritanos e frustrados, que condenam o sexo e a felicidade de maneira geral. Pesquisas americanas apontam em outra direção.

Um estudo feito com mais de 6 mil pessoas revelou que membros do partido Republicano, o partido conservador americano, não só praticam mais sexo, mas atingem o orgasmo com mais frequência. Conservadores confessam atingir o orgasmo na maioria das  vezes, contra apenas 40% dos Democratas, o partido de inspiração esquerdista.

Os Republicanos se dizem mais satisfeitos com sua vida sexual, 79% contra 72% dos Democratas. Eles também confessam ter mais confiança em sua capacidade sexual, achando-se “bons de cama”: 73% contra 67% dos Democratas.

Um outro dado que pode surpreender a moçada é que pessoas maduras acima de 50 anos, com parceiro sexual estável, praticam mais sexo e atingem mais orgasmos do que jovens “livres” na faixa dos 20 anos de idade: 59% contra 29%.

Outlander e Game of Thrones

A série do canal Starz, Outlander, baseada nos livros de ficção histórica da autora Diana Gabaldon, é coqueluche entre os streamers americanos e considerada a série com as cenas de sexo mais tórridas e cativantes da TV. Apresentar cenas de sexo quase explícito não é novo.

Canais a cabo se dedicaram a criar séries e programas com uma liberdade maior para as cenas de sexo, com cenas de nu frontal que parecem saídas de filmes pornográfico como parte de seu diferencial sobre os canais abertos. Um exemplo é a série da HBO “Game of Thrones”, ótima história, mas que se esmerou em apresentar cenas de estupro e violência sexual.

Outlander tem uma diferença que nos surpreende. As cenas de sexo tórrido que apelam para a imaginação de milhões de espectadores são parte da história de um casal casado.  O quê? Fala de novo… Sim, um casal casado.

A enfermeira e o escocês

A história se focaliza na vida da enfermeira da Segunda Guerra Claire Randall. Ela é casada com um professor, Frank, e os dois se reencontram depois de cinco anos de separação durante a guerra.

Ela encontra por acaso uma maneira de viajar no tempo, achando-se de repente na Escócia de 1730, pouco antes da sangrenta batalha entre os Jacobitas, escoceses que queriam o trono da Inglaterra restaurado ao James Stuart, herdeiro da dinastia Stuart deposta pela Revolução Gloriosa, e os Ingleses, que defendiam o Rei George II da casa de  Hanover.

Claire se vê no meio dos clãs das terras altas da Escócia, sendo ela inglesa, e sem possibilidade de voltar ao seu próprio tempo e ao seu marido Frank. Claire é uma sobrevivente e enfrenta com coragem os desafios de um retorno de 200 anos no passado, tornando-se uma “curandeira” – usando seu conhecimento de enfermagem para ajudar pessoas.

No meio de suas aventuras ela conhece um jovem escocês, James Frazer, com quem é obrigada a se casar. Claire, agora Frazer, e seu marido Jamie começam então a viver muitas aventuras pela Escócia, França, as ilhas do Caribe e finalmente a América, às vésperas da revolução da Independência.

A história de amor se interrompe com a volta de Claire para o século XX e recomeça depois com a sua volta. O casal faz amor na tela, no auge de seus 20 anos, mas também depois maduros, com 50.

Além da “química”

Algumas revistas femininas explicam o apelo erótico das cenas falando da “química” dos atores. Sim, eles são bonitos, e demonstram habilidade artística para convencer o espectador. Mas será que é só isto? Uma articulista feminista da revista Glamour considera que as cenas de sexo em Outlander são tão quentes porque são “genuinamente feministas”.

Opa, peraí, minha cara, que eu saiba da última vez que ouvi o casamento é considerado pelas feministas como instituição opressora, ou não?? Não é o alvo de 9 entre 10 feministas conquistar a mesma liberdade sexual dos homens, ou seja, praticar sexo com a maior variedade de parceiros possível, sem o peso do compromisso ou até da possibilidade da gravidez?

O aborto não é uma ferramenta que proporciona este tipo de igualdade para a mulher? E agora uma série de TV com cenas de sexo entre um casal casado, monogâmico, fiel e apaixonado refletem uma perspectiva feminista? Não senhora!

Foco no amor

O que a articulista considera como “feminista” é o fato de que para o casal da série o prazer tem que ser mútuo. Jamie é tão comprometido com o prazer de Claire quanto ela com o dele, e além disto em muitas das cenas o consentimento de Claire é explícito. “Posso ter você?” – pergunta o marido numa das cenas discutidas pela feminista da Glamour. “Sim Jamie…” – diz Claire, antes de rolarem os dois para o chão entrelaçados.

A pobre da repórter feminista, apesar de casada, não percebeu que sexo consensual não é revolucionário ou feminista. Este protocolo de consentimento, de respeito mútuo, e principalmente do foco no prazer feminino é norma e não exceção em relacionamentos duradouros e, me atrevo a dizer, principalmente em casamentos cristãos. Não existe nada mais liberador para a mulher do que um relacionamento sólido, com um homem de caráter.

Na minha opinião, o apelo das cenas da série não está no sexo em si, nem na beleza dos atores, mas numa coisa que a maioria dos filmes e séries de TV esqueceram: no amor.  Mas amor no sentido Shakespeariano e não da variedade paraguaia, “o que é eterno enquanto dure…”

Esse amor paraguaio, que é tema da maioria dos filmes românticos de hoje, não convence ninguém. “Te vi, fiquei, te amei” – é muito diferente de: “na dor, na doença, na pobreza, até que a morte os separe”.

A escritora Diana Gabaldon foi capaz de criar personagens que demonstram inteligência emocional e firmeza moral, capazes de manter sua palavra um para o outro, e de se desnudarem não só no físico, mas emocionalmente um para o outro.

Intimidade profunda

Acredito que nossa obsessão com sexo não é um mero desejo por pênis ou vaginas, corpos e momentos de paixão frenética ricos em posições variadas e performance atlética, mas infelizmente destituídos de significado. Nosso desejo é a alcançar profunda intimidade e aceitação com outro ser humano.

Queremos ser amados e aceitos incondicionalmente, num contexto de segurança e confiança plena. Não há nada mais erótico do que sexo com amor.

Coisa nova na TV, esse tipo de sexo não é novo para milhões de cristãos e conservadores ao redor do mundo. Este é o retrato da vida sexual do “conservador”, que segundo demonstrou a pesquisa, é bem mais “caliente” do que a libertinagem incensada constantemente pela mídia e pelos políticos socialistas.

_______________________________________

https://www.investors.com/politics/columnists/republicans-enjoy-a-better-sex-life-than-liberals/

https://www.glamour.com/story/outlander-sex-scenes-are-genuinely-feminist

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

O LIVRE ADS