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Dívida de R$ 1.350 motivou o assassinato de comerciante em MT

Foto de Karina Cabral
Karina Cabral

Após a prisão dos dois suspeitos da morte da empresária Rosemeire Perin, a Polícia Judiciária Civil descobriu a motivação do crime, uma dívida de R$ 1.350.

O suspeito Jefferson Rodrigues da Silva, 33 anos, que foi preso com o carro e a carteira de habilitação da vítima, assumiu tê-la assassinado em sua quitinete, no Bairto Jardim Paula I, em Várzea Grande (região metropolitana de Cuiabá).

Quando preso pela Rotam, Jefferson havia inventando uma história em que culpava seu comparsa, Pedro Paulo de Arruda, 29 anos, pelo assassinato. Porém, a perícia do local do crime, a quitinete de Jefferson, apontou que ele foi o verdadeiro assassino de Rosemeire.

Compra de vários produtos

(Foto: Reprodução)

Jefferson era cliente de Rosemeire, já havia comprado com ela uma máquina de fazer sorvete e, dessa compra, somada à manutenção da máquina, ele ficou devendo R$ 850 à vítima.

Agora, ele queria agora um batedor de fazer milk-shake, que custaria cerca de R$ 400.

Além disso, ele fez uma aquisição de pratos plásticos com a vítima, no valor de R$ 156.

Então, nessa terça-feira (16) Rosemeire foi cobrar ele essa dívida de exatos R$1.356.

Gravata, desmaio e esfaqueamento

Rosemeire foi até a quitinete de Jefferson para testar se o equipamento de milk-shake estava funcionando. Mas ele não gostou de estar sendo cobrado.

“Ele deu uma gravata na vítima, que desmaiou. E posteriormente ele amarrou a vítima com fitas, as mãos e os pés. E amordaçou a vítima com uma meia e passou uma fita adesiva também em volta da boca para que ela não pudesse gritar”, disse o delegado Marcel Gomes de Oliveira, da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).

Jefferson usava tornozeleira eletrônica, pois responde pelos crimes de estupro e roubo. Por medo de ser denunciado por Rosemeire e voltar para a prisão, resolveu matá-la.

Quando ela começou a acordar, ele pegou uma faca na cozinha, de cortar carne, de cerca de 30 cm, e matou Rosemeire com três ou quatro facadas no pescoço.

Entrada do comparsa na história

Em desespero, Jefferson procurou um parente para pedir ajuda, que, mesmo sem saber o que havia acontecido, negou-se a ajudá-lo.

Só então ele entrou em contato com Pedro, que resolveu ajudá-lo a ocultar o cadáver.

Pedro é sócio do lava-jato em que Jefferson trabalha. O carro de Rosimeire foi encontrado próximo ao lava-jato.

Quando preso pela Rotam, no carro de Pedro foi encontrado dois sacos de 8kg de cal, que, supostamente, seria utilizado para jogar sobre o corpo da vítima. A intenção seria acelerar o processo de decomposição e inibir odores.

À Polícia Civil, no entanto, Pedro alegou que a cal era para pintar as paredes do lava-jato.

Para o delegado Marcel Gomes de Oliveira, Pedro teria aceitado participar da ocultação do cadáver para obter vantagem na venda do carro da vítima.

O crime ocorreu entre 15 e 17 horas. Mas a dupla só tirou o corpo da vítima do local por volta das 22 horas. Para tirarem o corpo de Rosimeire da quitinete, Jefferson e Pedro a enrolaram em lençóis, depois em uma lona pertencente à vítima e, por último, em uma coberta.

Jefferson contou em depoimento que eles andaram com o corpo por todo o corredor da quitinete sem que ninguém os visse.

Despreocupação

Para o delegado Marcel, Jefferson achava que tinha cometido o crime perfeito e nem tentou se livrar das provas, tanto que foi encontrado com a CNH da vítima e havia sangue por toda sua quitinete.

“Os pertences da vítima estavam dentro da casa, a arma do crime estava dentro da casa. Foi feito teste positivo de sangue humano na faca utilizada para o crime. A lona utilizada estava dentro da casa. A cama estava suja de sangue, banheiro, sala. Você vê uma cena de crime rica em detalhes. O fato da CNH estar no bolso dele foi apenas mais um elemento de tantos outros que vão pesar contra ele na análise dos fatos”, disse o delegado.

Jefferson deverá ser autuado por homicídio qualificado por motivo torpe, furto qualificado e ocultação de cadáver e Pedro por ocultação de cadáver. O estupro, que inicialmente era apontado, ainda não foi confirmado. O delegado disse que a hipótese foi levantada devido ao histórico de Jefferson.

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