Diretor denuncia tragédia familiar em filme no Cine Teatro: o assassinato da mãe

Elegia de um crime, de Cristiano Burlan, será exibido no dia 10, pela série Temporada Filmes

Está em curso a programação das já tradicionais “sessões de terça à noite” do Cine Teatro. Até o fim do mês, cinéfilos cuiabanos podem conferir quatro títulos da série “Temporada Filmes”.

As sessões começam sempre às 19h30 e a entrada custa R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia). O preço simbólico visa a manutenção do projeto.

O filme a ser exibido na próxima terça-feira (10), expõe a cruel realidade das famílias com mulheres que foram vítimas do feminicídio, como a do próprio diretor, Cristiano Burlan.

Ele faz uma imersão pela história da mãe, vítima impune de assassinato cometido por seu parceiro.

Trilogia do Luto

O filme fecha a “Trilogia do Luto” em que o diretor aborda outras duas tragédias familiares. É como se a partir disso expurgasse tristes episódios e assim, conseguisse aceitá-los, mas sem deixar de denunciar e alertar sobre ausência e falhas de políticas públicas eficientes.

Em “Construção” (2007) o pai Vanio recebe uma homenagem. Já em “Mataram meu irmão” (2013) o diretor relata o assassinato do irmão Rafael, na periferia de São Paulo. A mãe Isabel encerra o triângulo de violência familiar e vinganças pessoais que resultaram de relações doentes.

Cinema independente

Os títulos selecionados pelo curador, Diego Baraldi vêm de distribuidoras independentes, como a Arteplex e a Espaço Filmes. Mais uma vez, a Vitrine Filmes é parceira.

“São filmes que se destacaram no circuito de mostras e festivais de cinema autoral, produções que dificilmente chegam ao circuito comercial de Cuiabá”, explica Baraldi.

Desde 2018 o Cine Teatro Cuiabá vem exibindo títulos distribuídos pela Vitrine Filmes, que tem se destacado na difusão do cinema autoral brasileiro. O primeiro ciclo da “Temporada Filmes” deste ano segue até o final de abril.

Vale ressaltar, o projeto da terça-feira é viabilizado graças à sólida parceria do Cine Teatro com o Cineclube Coxiponés (UFMT).

Programação de março

Dia 10: Elegia de um crime (Cristiano Burlan, Brasil, 2018, 92’)

Elegia de um Crime é um documentário de uma trilogia que denuncia feminicídio da mãe do diretor Cristiano Burlan

Sinopse: Uberlândia, Minas Gerais, 24 de fevereiro de 2011. Isabel Burlan da Silva, mãe do diretor, é assassinada pelo parceiro. “Elegia de um crime” encerra a “Trilogia do luto”, que aborda a trágica história da família. Diante da impunidade, o filme mergulha numa viagem vertiginosa para reconstruir a imagem e a vida de Isabel. Prêmio EDT de Melhor documentário e Prêmio ABD/SP no Festival É Tudo Verdade 2018.

Classificação indicativa: 18 anos

Dia 17: Vermelho sol (Benjamín Naishtat, Brasil/Argentina/França/Holanda/Alemanha, 2019, 109’)

Sinopse: Em meados da década de 1970, uma onda de violência política sem precedentes começa a se desenrolar na Argentina. Isso, no entanto, parece ter pouco efeito em uma pequena cidade rural onde Claudio, um advogado bem conhecido, leva uma vida tranquila com sua família. O curso normal das coisas é interrompido quando Claudio entra em uma discussão acalorada que fica fora de controle. Festival de Toronto 2018: Melhor diretor, Melhor fotografia e Melhor ator para Darío Grandinetti.

Classificação indicativa: 18 anos

Dia 24: Mormaço (Marina Meliande, Brasil, 2019, 94’)

Sinopse: Rio de Janeiro, 2016. O verão mais quente da história. A cidade está se preparando para os Jogos Olímpicos. Ana, uma defensora pública de 32 anos, trabalha na defesa de uma comunidade ameaçada de remoção pelas obras do Parque Olímpico. Enquanto isso, misteriosas manchas roxas, similares a fungos, aparecem em seu corpo. Coisas estranhas começam a acontecer na cidade e no corpo de Ana. A temperatura sobe, criando uma atmosfera úmida e sufocante. O mormaço acumula, abrindo caminho para uma forte chuva. Festivais 2018: Rotterdam, Festival de Gramado, Festival do Rio.

Classificação indicativa: 18 anos

Dia 31: Meu nome é Daniel (Daniel Gonçalves, Brasil, 2018, 83’)

Sinopse: Daniel Gonçalves nasceu com uma deficiência que nenhum médico foi capaz de diagnosticar. No documentário pessoal “Meu nome é Daniel”, o jovem cineasta, residente no Rio de Janeiro, traça o caminho de sua vida para tentar compreender sua condição. Através de imagens de arquivo da família e de cenas gravadas hoje em dia, vamos passear por momentos, histórias e reflexões de Daniel. Festivais 2018: Festival do Rio e Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Classificação indicativa: 16 anos

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