Cuiabanos estão desistindo das viagens a passeio ou trabalho

Quando já estava se recuperando, mercado do turismo sofreu revés

Muitas pessoas não querem correr o risco e estão optando por permanecer em casa (Foto: Suellen Pessetto/ O Livre)

Vários setores da economia mundial vêm sendo prejudicados pelos efeitos do coronavírus. O do turismo é um deles. Muita gente prefere enfrentar o transtorno do cancelamento de voos aéreos, hospedagem e programas de lazer e entretenimento a se arriscar em uma viagem.

O gerente comercial da Confiança Turismo, Gilberto Seiji conta que depois de um período de mercado travado e câmbio muito alto, o setor já estava retomando patamares normais, quando a proliferação do coronavírus se intensificou e o câmbio “estourou”.

“O mercado ficou apreensivo. Especialmente a partir do momento em que a OMS declarou pandemia. Estamos recebendo vários pedidos de cancelamento e o clima é de apreensão. Mas fazemos o possível para atendermos da melhor forma nossos clientes”.

Segundo Seiji, esta semana tem sido de negociação com os clientes. “O Procon diz que podem pedir reembolso, mas tem sido muito difícil mensurar valores nesse processo”.

Ele dá como exemplo a compra de um bilhete de trem ou hospedagem de hotel. “Em alguns lugares o trem continua partindo do mesmo jeito, ou seja, o serviço está sendo prestado. Pagamos imposto para transferir este dinheiro e o cliente não vai mais. São questões delicadas a serem resolvidas”.

É que de acordo com o gerente comercial, muitos clientes têm sequer considerado adiar a viagem. “Eles desistiram mesmo. Não tem previsão de viajarem mais para determinados países, como França, Itália, Japão, Estados Unidos e Canadá”.

Algumas agências de viagens já estão mudando a rotina por conta da baixa demanda e restrições impostas por governos de vários países devido ao avanço do coronavírus. A Latam Airlines, por exemplo, em comunicado nesta quinta-feira (12) anunciou a redução de aproximadamente 30% de seus voos internacionais.

“Por enquanto, esta medida será aplicada principalmente para voos da América do Sul à Europa e aos Estados Unidos, entre 1º de abril e 30 de maio”. Já em relação aos voos domésticos, não haverá alterações de itinerários por enquanto.

Comportamento do viajante mudou

Por outro lado, Gilberto Seiji detecta um novo comportamento dos clientes que buscam os serviços da sua agência de turismo.

“Há também quem decida que vai viajar de todo modo. Nestes casos, eles estão trocando os destinos do Hemisfério Norte, onde é inverno ainda, para os do Hemisfério Sul, onde é verão”. Acredita-se que o clima tropical possa contribuir para uma disseminação mais lenta, pois no caso do inverno as pessoas tendem a se aglutinar em lugares fechados o que facilita a propagação do vírus pelo contato ou gotículas de saliva.

Seiji registra o aumento da demanda de viagens para a Argentina, Chile, Ilhas do Pacífico Sul e África do Sul. “Os serviços turísticos e hoteleiros da América do Sul estão mais fortalecidos e os preços para esses destinos aumentaram progressivamente ao ritmo da propagação do vírus. Dentro do Brasil as passagens estão custando mais para quem for realizar viagens urgentes no período”.

Transtorno de quem viajaria por conta própria

Para ele, o mercado oscila de acordo com a propagação das notícias. “Influenciam diretamente”. Locais de grande visitação no mundo todo, como a Broadway, em Nova Iorque, o parque da Disney, na Califórnia e o Museu do Louvre, em Paris tiveram suas atividades suspensas. Turnês e eventos esportivos também têm sido cancelados por todo o globo.

Parque temático da Disney está fechado: milhares de pessoas circulam por lá diariamente

O agente de viagens cita a busca pela África do Sul, mas o grupo de amigos e familiares da dentista cuiabana Mônica Oliveira, que embarcaria dia 18 de março para o país africano, resolveu desistir da viagem.

“Levaria meu filho de 6 anos para conhecer a África do Sul, mas a pediatra dele achou melhor não arriscar. Tivemos que desmarcar passagens, cancelar reservas de hotel, fora o transtorno por ter programado toda nossa agenda com esse fim. Tenho pacientes, meu irmão que viajaria conosco é empresário, mas ainda assim, achamos por bem cancelar”.

Mesmo com o clima tropical da África do Sul, dentista cuiabana que viajaria com o filho preferiu não correr riscos

Cancelamento de evento no Brasil

Não são só as viagens internacionais que começam a ser canceladas. O historiador e professor universitário Bruno Rodrigues recebeu nesta quinta-feira (12) um comunicado sobre a suspensão de um congresso internacional em Salvador (BA), que aconteceria entre os dias 27 e 29 de maio.

O professor Bruno Rodrigues participaria de importante evento científico que foi cancelado

“Ele será adiado ainda sem data prevista. Era em Salvador mas receberia convidados de vários países. Achei a decisão sensata. Embora ainda não hajam vítimas mortais do coronavírus em países tropicais, pairam muitas incertezas e o risco é claro”.

Ele avalia que terá certo prejuízo financeiro e também em sua agenda de trabalho. “Já contava com a viagem e agora, resta esperar a nova data para remarcar a passagem e claro, pagar taxa”.

Sem pânico

De férias no Brasil para reencontrar a família, Catarina Leite saiu nesta sexta-feira (13) em direção a Barcelona, na Espanha. Logo, chegará ao destino final, a Inglaterra, onde mora atualmente. Mas ela está tranquila.

“Estamos apreensivos com as notícias. Os amigos nos contam que nos supermercados, por exemplo, está faltando muita coisa. Mas encaro o coronavírus como mais uma doença que em breve será controlada. O que precisamos fazer é tomar todas as precauções. Estamos viajando com álcool gel e máscara”.

No domingo (15), no período da tarde, Catarina entrou em contato com a reportagem para contar sobre sua viagem. Ao chegar em Barcelona, Catarina se deparou com uma “cidade fantasma”, por conta do crescente número de casos confirmados de contaminação pelo coronavírus.

“Só tem farmácia e supermercado aberto. Se eu soubesse um dia antes não tinha vindo. Mas só fiquei sabendo quando cheguei ao aeroporto. Estou surpresa”.  

No aeroporto Marechal Rondon os passageiros já embarcam e desembarcam utilizando máscaras (Ednilson Aguiar/ O Livre)

Viagens em março e abril? Saiba o que fazer!

Cobrança de multa: Há situações complexas a enfrentar atualmente e para resolvê-las é preciso uma interpretação sistemática do Direito para encontrar a situação mais justa. Para isso, há dois sistemas para se levar em consideração: a resolução número 400 da Anac e o Código de Defesa do Consumidor.

A cobrança de multa é lícita, pois há uma cláusula contratual permitida e assim, não há abuso ao cobrá-la o que pode acontecer é a multa ser excessiva à luz do Código de Defesa. Para fornecedores e consumidores a regra é a mesma. Resumindo, quem descumprir o contrato, deverá pagar a multa.

Mas se há um motivo de força maior que impede o fornecedor ou o consumidor de exercitar o contrato, a cobrança de multa nesta situação tanto pelo consumidor ou pelo fornecedor, parece abusiva.

E se houver abuso na cobrança da multa? Autoridades tem recomendado avaliação prévia sobre a viagem. Há necessidade de viajar para um lugar onde é grande a incidência do coronavírus? Caso não, é melhor que a viagem seja adiada para outro momento.

É preciso acionar a agência de viagem ou hotel, por exemplo, e anunciar a transferência de data, respeitando o enquadramento tarifário e sem ônus.

Mas se você não é um viajante eventual pode solicitar o reembolso em forma de créditos para que possa futuramente, utilizá-los em uma próxima viagem para um outro destino, ou o mesmo.

Mas se você desistir de viajar para um destino que já é reconhecidamente marcado pela incidência do coronavírus, poderá ser pedido o reembolso integral do que pagou sem incidência da multa.

E se não der certo? Se não houver um canal de negociação com a companhia aérea, por exemplo, o consumidor pode procurar os canais de proteção e defesa do consumidor, como a plataforma do Ministério da Justiça, o www.consumidor.gov.br ou o Procon da sua cidade.

Procon-MT já registra denúncias

Já há registros no sistema online do consumidor.gov.br de pessoas que estão tendo problema para cancelar passagens em decorrência do covid-19. De acordo com a assessoria de imprensa do Procon-MT, entre os dias 1º e 12 de março, de dez registros, quatro correspondiam a essa situação.

Empresas nacionais e internacionais cadastradas na plataforma, podem ser acionadas diretamente pela ferramenta online. No caso de agências locais que não estejam cadastradas, a pessoa deve procurar o Procon presencialmente.

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