Coronavírus: Mato Grosso está no caminho da Nova Zelândia?

Estado de Mato Grosso tem um dos menores níveis de contágio do Brasil

(Foto: Reprodução/Insider)

No domingo (26), por meio de redes sociais, a primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda ardern, anunciou que seu país já superou o novo coronavírus. 

O anúncio ocorreu como resultado do sucesso das medidas de controle que haviam sido adotadas no início da disseminação do vírus na Nova Zelândia. 

No dia da declaração da primeira-ministra, havia sido registrado apenas um novo caso da covid-19. Junto aos números das semanas anteriores, o país somou 1,5 mil casos confirmados ou suspeitos e 19 óbitos. 

(Foto: Reprodução; RFI) Primeira ministra Jacinda Ardern diz que ações rígidas no início da pandemia possibilitaram o anúncio de eliminação do novo coronavírus

Conforme o site BBC Brasil, a direção geral de saúde neozelandesa informou que a confiança no resultado de “eliminação do vírus” vem do isolamento social adotado precocemente. 

Praias e calçadões foram fechados para o público e o país ergueu um bloqueio de acesso a seu território. Essa medida foi potencializada pelo baixo número de habitantes (4,8 milhões) e o fator geográfico de isolamento da Nova Zelândia. 

E o forte trabalho de conscientização do governo local coroou a anunciada eliminação. 

Medidas semelhantes

Nas devidas proporções, Mato Grosso já tem resultados das medidas de proteção tomadas na semana dos primeiros contágios, tanto na Capital, quanto no interior. Mas a resposta para o quadro de local não é fácil e não tem receita pronta.

Conforme a Prefeitura de Cuiabá, a redução da circulação de pessoas e a abertura do comércio, a partir do dia 20 março, somente ao essencial, fez desacelerar o nível de contágio. 

Até o dia 20 de abril, a projeção da Vigilância Epidemiológica e de Saúde do município era de que houvesse 114 casos confirmados, mas se chegou à data com 98. 

“Isso só foi possível por nós adotamos medidas duras, mas necessárias, logo que foi confirmado o primeiro caso em Cuiabá”, disse o prefeito Emanuel Pinheiro. 

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre) Medidas precoces de municípios são ressaltadas como acerto no controle do contágio em MT

No interior de Mato Grosso, cerca de 80% das prefeituras, conforme a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), tomaram medidas para a prevenção ao vírus, como barreiras sanitárias e fechamento de estabelecimentos comerciais não essenciais.  

Elas estão sendo vistas as responsáveis pela contenção do contágio em Mato Grosso. “O que tem segurado até agora a distribuição do vírus são as medidas adotadas pelos prefeitos”, disse o presidente da AMM, Neurilan Fraga.  

Até o fim da tarde dessa quarta-feira (29), 31 das 141 cidades tinham registro da covid-19 em Mato Grosso, 40 dias após o primeiro caso confirmado. 

Mato Grosso tinha na mesma data 292 casos confirmados da covid-19, sendo que 173 (59%) são de recuperados. Havia 11 óbitos registrados pela Secretaria de Saúde (SES).  

Mas, atenção para a sua consciência 

O ritmo lento em que o contágio está ocorrendo até o momento no Estado também é apontado por especialistas em saúde que estão acompanhando o quadro em Mato Grosso. 

É o caso da médica infectologista Márcia Hueb, responsável pelo Centro de Controle de Infecção no Hospital Júlio Müller, unidade de referência de tratamento da doença em Mato Grosso.  

Ela afirma que as “medidas precoces” tomadas pelos municípios têm gerado o ritmo lento de disseminação.  

“A ascensão da nossa curva [de incidência], especialmente, tem sido mais achatada, ou seja, a gente está tendo uma progressão mais lenta de casos, e eu atribuo, de fato, ao isolamento social, que foi instituído de forma precoce. Acho que agora estamos colhendo os frutos desse isolamento social mais rápido”, disse. 

Contudo, a médica alerta para a necessidade de manutenção das medidas de prevenção. Assim, como a lentidão na ascendência do contágio é atribuída ao isolamento, também o controle e as regras sanitárias são fundamentais para modificar a projeção de casos. 

“O controle é decisivo. Se tivermos mantendo um distanciamento social adequado para o momento em que a gente vive, eu vou continuar tendo uma subida lenta de casos. Vamos demorar um pouco mais para atingir o platô e vamos ter condições de atender a população”, complementa. 

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