Brumadinho: CPI convoca empresário que teria negado laudo de estabilidade de barragem

Tractebel Engeneering emitiu laudo em março de 2018 e foi substituída em setembro, supostamente por não repetir documento após estudo complementar

(Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada no Senado para investigar os motivos do rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, convocou para depor os representantes da empresa Tractebel Engeneering e os membros do conselho administrativo da Vale.

Os pedidos são de autoria da senadora Selma Arruda (PSL-MT) e já foram aprovados pelos demais membros da CPI.

De acordo com Selma, a Tractebel é a empresa que, em março de 2018, emitiu um laudo atestando a estabilidade da barragem do Córrego do Feijão, mas que, posteriormente, após um estudo complementar, recusou-se a repetir esse entendimento.

Por conta disso, a Vale teria tomado a iniciativa de substituir a empresa pela TÜV SÜD, que se encarregou de emitir a declaração de estabilidade em setembro do mesmo ano. Os dados, conforme a senadora, constam em uma recomendação dos Ministérios Públicos Estadual e Federal de Minas Gerais, além da Polícia Federal.

Já os membros do conselho administrativo da Vale precisam ser ouvidos, segundo defende Selma Arruda, porque são eles os responsáveis “pela definição das políticas e das diretrizes gerais da empresa, análise de planos e projetos propostos pela Diretoria Executiva e a avaliação dos seus resultados”.

No total, 12 conselheiros foram convocados, entre eles o presidente do grupo, Gueitiro Matsuo Genso, e o vice-presidente, Jorge Buso Gomes. Selma Arruda, no entanto, disse que parte dessas oitivas podem ser dispensadas caso provas emprestadas de órgãos de controle que também acompanham o caso elucidem as perguntas que os senadores fariam.

Indenizações

A CPI de Brumadinho tem agendado para esta quinta-feira (21) o depoimento do ex-presidente da Vale, Fabio Schvartsman. Segundo informações do site G1, no entanto, ele apresentou um pedido para que a oitiva fosse adiada.

No documento, protocolado na última segunda-feira (18), ele alega que foi submetido recentemente a uma cirurgia e, por isso, estaria impossibilitado de comparecer, apesar de seu interesse em prestar o depoimento.

Sobre a oitiva do ex e do atual presidente da Vale, Selma Arruda defendeu que os senadores cobrem que eles compareçam à CPI munidos de provas documentais de todas as indenizações que já teriam sido pagas a famílias de pessoas mortas ou desabrigadas por causa do rompimento da barragem.

“Quando se está na frente de um microfone, é fácil dizer que está pagando e indenizando e fazendo e acontecendo”, disse Selma, para quem os senadores também devem buscar essas informações com outras fontes.

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