Beco da Matriz: comida boa e barata por menos de R$ 15

Almoço completo, lanches e petiscos são oferecidos a preços popularmente saborosos

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Um beco com menos de 100 metros reúne todo tipo de gostosura e se tornou um point gastronômico do coração de Cuiabá. Localizado ao lado da igreja matriz, o espaço reúne aqueles que passam por ali e querem comer bem, mas sem gastar muito.

Lá, um almoço bem servido não passa de R$ 15. Isso sem contar os lanches, belisquetes e demais quitutes que começam a ser vendidos antes das 6 da manhã.

Assim, os vendedores fisgam os trabalhadores que passam pelo local para fazer baldeação entre os pontos de ônibus ou atuam no comércio local.

Nas primeiras horas, os carros chefes são os pães de queijo, chipas, pão com manteiga e pastéis. Cleide Rodrigues, 31, diz que vende mais das 7h às 9h da manhã.

A maior parte dos fregueses é fiel e sempre pega alguma coisa para comer antes de ir para aula ou serviço.

Quando questiono qual o diferencial dela, a comerciante assegura que é o fato de assar na hora. Enquanto os biscoitos de queijo estão no forno, o cheiro exala pelo rol e acaba sendo um convite para quem saiu de casa sem tomar o café da manhã.

E como reza a tradição, não dá para comer sem tomar um cafezinho. Todos os dias, são consumidos mais de 4 litros.

Para quem se interessar, os bolos e biscoitos custam entre R$ 3 e R$ 4,50. Já um cafezinho, é R$ 0,50.

Produtos da Terra

Já dona Delise, 64 anos, resolveu investir no quintal da própria casa e nos frutos tradicionais da cozinha mato-grossense. Ela é vendedora de pimentas em conserva, molhos e geleias em geral.

Delise diz que a malagueta é a pimenta mais procurada pelos clientes (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Parte da matéria prima está nos fundos da casa dela, porém a produção não é suficiente e a artesã precisa ainda contar com o apoio dos fornecedores.

A pimenta mais cobiçada pelos fregueses é sem dúvida a malagueta. Conhecida por ser ardida, vai bem com vinagre, óleo, tucupi e limão.

“Aí, depende do gosto. Quem gosta de sentir mais o ardume prefere a de óleo. Já os que querem algo saudável pedem de limão, mas esta precisa ir para geladeira porque estraga rápido”.

Entre os clientes de Delise estão estrangeiros que querem levar alguma coisa da culinária local como lembrança. Nestes casos, também aproveitam para levar pequi, doces e ainda os molhos.

“Minhas pimentas já viajaram o mundo”.

Quem inova sempre alcança

Já imaginou um cardápio com 11 diferentes combinações de bauru. Isto mesmo, estou falando daquele tradicional sanduíche feito com presunto e queijo, que na barraca de Israel da Mota, 41, ganhou atum, hambúrguer, carne moída, frango e ovo frito, além de uma infinidade de ingredientes.

O refrigerante natural vendido por Israel de Moura tem xarope de guaraná e água com gás (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Ele conta que cada um dos recheios passa por uma série de testes antes de ser comercializado.

Primeiro, o experimento é realizado em casa e várias variáveis são usadas. O objetivo é ficar gostoso e ser prático. Outra preocupação de Israel é evitar o desperdício de recheio.

“Destes que estão aí hoje, o de peito de peru e atum serão retirados. Não saíram e acabo jogando o recheio fora. Estou testando outros sabores e quero lançar um doce”.

Israel tem a constante necessidade de surpreender o cliente, tanto que oferece uma bebida que chama a atenção pelo sabor e pelo preço.

O refrigerante natural, feito com xarope de guaraná e água com gás, atrai muitas pessoas. E até mesmo a bebida tem variações, pode ser com limão ou sem, conforme o gosto do freguês.

Um bauru varia entre R$ 4 e R$7, já o refrigerante é R$ 4 o copo com 400 ml.

Uma família que vive da tapioca

Willian Macedo, 33, conta que antes de casar precisou passar por um teste, o da tapioca.

“Ela me deu a frigideira e disse que antes de entrar na família, precisava saber como fazer”.

Willian Macedo precisou mostrar que sabe fazer tapioca para sogra aceitar o casamento (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

A sogra de Willian trabalha com tapioca há muitos anos e sustentou a família com a iguaria, originária do Norte do Brasil.

No começo, era apenas a tradicional com manteiga e no máximo com queijo. Agora, já existe uma infinidade de possibilidades salgadas e doces.

“Algumas pessoas, chegam a trocar o almoço pelas tapiocas. Tenho um cliente que come quatro de frango com queijo todos os dias”.

Prato cheio

Paulo José chega todos os dias por volta das 11h. Com ele, chegam quatro opções de almoço, que são aguardadas por muita gente.

Segundo o cozinheiro, que é formado em Gastronomia, 80% da produção dele é dedicada aos clientes fixos.

No dia em que a equipe do Livre esteve no local, o menu tinha estrogonofe de carne, macarrão italiano, almondegas e carne com banana verde.

Paulo José prepara diariamente 4 opções de almoço diferentes para atender os fregueses (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Quando Paulo abria as panelas, era de se encher os olhos e de despertar ou ampliar a fome em qualquer mortal.

Cada uma das marmitas tem 500 gramas de comida, ou seja, são bem servidas.

Já os valores variam entre R$ 10 e R$ 14, sendo que a mais cara tem duas misturas diferentes.

O cozinheiro assegura que a qualidade dos produtos usados é o segredo para se ter tantos clientes. Segundo ele, mesmo com a alta da carne, ele não reduziu o padrão de qualidade.

“Meu custo aumentou em 20%, mas eu preferi reduzir meu lucro a diminuir a qualidade”.

A escolha da vez

Neuza Fonseca mora na área rural e sempre que vem na cidade aproveita para comer pastel (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Dentre todas as barracas, a mais visitada sem dúvida é a do pastel (R$ 3) e do suco de laranja (entre R$ 3 e R$ 7).

Neuza Fonseca Barbosa é cliente cativa. Ela mora no sítio e sempre que vem para a cidade, não pensa duas vezes antes de passar pelo beco da Matriz.

“Aqui é tudo gostoso e bem barato se compararmos com as outras lanchonetes”.

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