Só um em cada três profissionais da saúde foi testado para covid-19

De acordo com sindicato, medo tomou conta da categoria e dois suicídios já foram registrados desde o início da pandemia

Imagem Ilustrativa (Foto: Freepik)

Medo e insegurança são sentimentos constantes entre os profissionais da saúde que estão na linha de frente contra a covid-19. Um estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) confirma os riscos da categoria: apenas um em cada três profissionais diz ter sido testado contra a doença.

Os dados fazem arte do estudo “A Pandemia de covid-19 e os Profissionais de Saúde Pública no Brasil”. O levantamento ouviu 2.138 profissionais de todos os níveis e regiões do Brasil, entre os dias 15 de junho e 1º de julho.

Segundo o Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde de Mato Grosso (Sisma-MT), as reclamações sobre a falta de teste e cuidado são constantes.

“Quem tem plano de saúde, recorre direto [ao plano]. O resto peregrina em busca de atendimento”, declara a presidente, Ana Cláudia Machado.

De acordo com o sindicato, profissionais da Baixada Cuiabana contam com um ambulatório na Santa Casa de Cuiabá. Lá, servidores que apresentarem algum sintoma da covid-19 são atendidos e recebem prescrição de medicamentos, caso necessário.

No interior, porém, que o problema é maior. “É como se os servidores estivessem soltos. Não contam com esse atendimento básico, por exemplo”, ela diz.

Atualmente, Mato Grosso tem cerca de três mil servidores na saúde pública. Desses, pelo menos 175 já foram diagnosticados com a covid-19. O número de profissionais que morreram por conta da pandemia não foi divulgado.

(Foto: Freepik)

Capacitação e medo

A pesquisa da FGV também apontam a falta de capacitação desses profissionais. Pelas respostas aos questionários, constatou-se que a minoria não teve treinamento para aperfeiçoar o atendimento durante a pandemia.

“O medo é sensação constante. Se você está na linha de frente e não tem informação, isso gera uma insegurança e desânimo muito grandes. Imagina o que é ver seus colegas tombando?”, questiona Ana Cláudia.

No Brasil, a proporção dos profissionais que tiveram acesso a uma capacitação subiu de 21,91% para 32,2%, entre abril e junho.

O Sisma-MT afirma ter solicitado ao governo de Mato Grosso informações sobre as ações de capacitação já realizadas.

“Queremos esse cronograma de onde foi feito, quem fez, quais os protocolos, mas não houve resposta. Esse ponto é ainda mais grave quando se fala de profissionais que estão saindo da graduação agora”.

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Saúde mental

Outros aspectos abordados na pesquisa da Fundação Getúlio Vargas foram o assédio moral e o comprometimento da saúde mental. Respectivamente, 30% e 78,2% dos profissionais consultados disseram passar por esses problemas.

Para especialistas, quadros de depressão tendem a se agrava na pandemia. Recentemente, segundo a presidente do Sima-MT, dois suicídios foram registrados entre servidores mato-grossenses.

“Eram pessoas que tinham um quadro de depressão e que pioraram, por causa das questões recentes de isolamento. Tudo tende a se agravar quando se vê os colegas que estavam trabalhando ficarem doentes”, ela analisa.

(Com informações da Agência Bori)

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