Senegaleses que moram em Cuiabá homenageiam líder religioso com “boca livre”

Magal de Touba era muçulmano e lutou contra o domínio francês no país

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Mesa posta, farta e muita oração. É assim que os senegaleses que moram em Cuiabá homenagearam o líder muçulmano Magal Touba. A festa acontece no 18º dia do calendário lunar – esta quinta-feira (17) – e é simultânea em todos os locais onde a comunidade se instala.

Fallou Gaye, 26 anos, mostrou animado a cobertura ao vivo do encontro de São Paulo, onde eles conseguiram encher um ginásio. Eram centenas de pessoas se apertando na quadra, onde rezavam juntas.

Mulheres preparam as comidas que darão gás para a festa (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

As imagens estão muito aquém do que acontece na África e muito além da reunião de Cuiabá, onde residem 45 senegaleses.

“Rebanhos inteiros são mortos no Senegal para que haja comida suficiente para todos. E, neste dia, tudo é de graça”.

95% da população daquele país é muçulmana e eles se espelham no líder, que se recusou a usar violência e, mesmo assim, conseguiu enfrentar o domínio Francês.

A data festiva marca o dia em que Magal Touba foi exilado pelos franceses, em 1985. Uma ausência que foi sentida pelo povo. Eles o aguardaram até 1907, quando conseguiu retornar.

Comunidade senegalesa tem 45 membros na capital mato-grossense (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

“Nenhuma das pessoas exiladas conseguiu voltar. Todos foram mortos. Apenas ele sobreviveu”, exalta Salion, 29.

Enquanto estava fora, muitas lendas e contos foram se espalhando pelas cidades. Todos abordavam feitos, alguns deles até milagrosos, que o mantiveram vivo.

Diferenças e semelhanças

A festa tem muita alegria, mas nenhuma bebida. Sidy Ka, 32, conta que os senegaleses não bebem e não fumam porque a religião não permite. Então, foram criados sem nenhum contato com o vício.

“No nosso país, alguns cristãos bebem, mas são poucos os lugares que vendem [bebida alcoólica] e não pode beber na rua, diferente daqui. Por isso, senegalês não tem barriga”.

Sidy Ka explica que a bebida alcoólica é proibida e festa é regada a suco e refrigerante  (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Ele cita outras diferenças com relação aos brasileiros. Entre elas, o uso excessivo de força e armas.

“Qualquer coisa vira confusão e aparece alguém com revólver. Muito perigoso, por isso ficamos mais em casa. Saímos de casa só para trabalhar”.

Já no rol de semelhanças, na opinião dele, está a facilidade em se relacionar e fazer amigos.

“Gostamos de conversar, tanto é que, aqui, temos muitos brasileiros que foram convidados a participar conosco desta festa”.

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Saudade da família

A maior parte dos senegaleses que mora no Brasil é composta de homens. Geralmente, eles ficam durante 8 meses aqui e 3 meses no Senegal.

“Nós não viemos para ficar. Esperamos os documentos serem liberados. Assim, podemos ir para casa e depois regressar”, afirma Salion.

No Senegal, um homem pode ter até 4 mulheres e elas vivem junto com a mãe do marido enquanto ele viaja em busca de trabalho.

“Elas e nossa família aguardam o nosso retorno. Saímos de casa para ganhar dinheiro, não queremos mudar”.

A festa dos senegaleses acabou às 23h de ontem.

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