Imigrantes representam 75% do comércio de rua em Cuiabá

Haitianos e senegaleses correspondem a 75% dos camelôs cadastrados no sindicato

Haitianos e Senegaleses são maioria entre os camelôs que estão no Centro .(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Pelo menos 75% dos vendedores ambulantes que persistem em ficar no centro de Cuiabá são imigrantes do Haiti (125) e do Senegal (95). Conforme dados do Sindicato de Camelôs do Estado de Mato Grosso (Sincamat), 285 pessoas trabalham nas ruas, das quais 215 são estrangeiras.

Presidente do Sincamat, Augusto Ferreira da Silva afirma que o número aumenta a cada dia e que todos trabalham com os mesmos produtos: roupas íntimas, relógios e óculos.

Nos últimos dois meses, quando a fiscalização da Prefeitura de Cuiabá reforçou o trabalho na área central para desobstruir as calçadas, eles mudaram de estratégia, porém não abandonaram a atividade.

Atualmente, um grupo de fiscais fica na Praça Ipiranga e, várias vezes por dia, sobe em uma espécie de arrastão. Eles confiscam todas as mercadorias de quem for surpreendido.

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Fugindo do “rapa”

Antes, mesas, tapetes e lençóis faziam parte de uma espécie de instalação, onde os materiais eram expostos. A estrutura dificultava a passagem de pedestres e “loteava” as calçadas e meios-fios.

Agora, devido ao risco de apreensão das mercadorias, a estratégia mudou.

Preparados para uma fuga, os ambulantes colocam tudo sobre uma sacola pequena e em poucos segundos, recolhem as coisas e se escondem, até o final da ação.

Em seguida, retornam para o mesmo ponto.

O presidente do Sindicato diz que a vida dos que permanecem no centro será assim até que haja um local adequados para eles.

Augusto Ferreira da Silva é presidente de Sindicato dos Camelôs dos Estado de Mato Grosso (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

“Querem nos colocar no shopping dos camelôs ao lado da Feira do Porto. Mas, lá é morto, não tem movimento e precisamos vender para comer”.

Ele lembra ainda que em 2012, quando houve a inauguração do espaço, muitos trabalhadores foram para o local, mas logo desistiram porque não havia clientes.

“Prometeram que iam fazer um ponto de ônibus na frente, uma passarela para a Orla e instalar postos de serviços. Mas, nada foi feito”.

Quem veio de longe

Baka Dieye veio do Senegal e está há 5 anos em Mato Grosso. Primeiro, conseguiu um emprego em uma montadora de móveis. Porém, a empresa teve problemas financeiros e cinco trabalhadores foram mandados embora, entre eles Baka.

Para sobreviver, decidiu ser ambulante, no entanto, não entende como funciona as regras no Brasil.

“Queremos pagar taxas e impostos. Lá, no Senagal, os fiscais passam todos os dias recolhendo o dinheiro de quem trabalha nas ruas”.

Baka Dieye afirma que não sairá do local porque precisa vender para comer (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Baka assegura que não cogita a possibilidade de se instalar no camelódromo do Porto porque é longe e não tem clientes.

“Tenho que pagar aluguel e comer. Tenho mulher e filhos. Não posso ficar em um lugar que não vende”.

Os sobreviventes

Dona Elizabete Oliveira, 59, é uma das comerciantes que está no Centro Comercial Popular, localizado nos arredores da Feira do Porto, desde a inauguração.

Antes disso, vendia seus produtos no beco localizado atrás do Ganha Tempo, na Rua 13 de Junho.

“Eu não vou sair daqui. Não vendo a mesma quantidade porque tem pouco movimento, mas vou persistir até o fim. Também ganhei um box a mais e agora vou reformar e fazer uma mini lojinha”.

Elizete Oliveira, 59 anos, está no Centro Comercial Popular desde a inauguração (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Desde que chegou, Elizabete falou que viu muitos desistirem da atividade ou voltarem para rua.

“Eu acho que se tivesse um banco e uma lotérica aqui, ajudaria. Podia também ter um terminal de ônibus na frente”.

Ninguém ficará na rua

Secretária de Agricultura, Trabalho e Desenvolvimento Econômico de Cuiabá, Débora Marques Villar explica que a legislação não permite que os ambulantes, exceto os que atuam com alimentação, fiquem na rua.

Ela assegura que as pessoas que procuram a secretaria, independente da nacionalidade, estão recebendo boxes no Centro Comercial Popular, que fica ao lado da Feira do Porto.

No Centro Comercial Popular, vários boxes estão desocupados (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Aos que optaram por se manter no local desde a inauguração, será entregue mais um box, o que é permitido na lei. Apenas quem está na frente ou em unidades de esquina não podem solicitar.

Com relação ao movimento, a secretária explica que o local será reformado e abrigará uma espécie de centro de serviços, com postos do Sine, Procon, lotérica, Correios e bancos.

“A ideia é atrair as pessoas para o local e assim, garantir que as vendas sejam realizadas”.

No que diz respeito as pessoas que ficaram nas ruas, a secretária lembra que a retirada está em lei e precisa ser feita.

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1 COMENTÁRIO

  1. a prefeitura não tem uma cabeça criativa pra pensar em, sei lá, talvez um Centro Comercial do Imigrante ou algo do tipo? Todos esses trabalhadores não sabem só vender esses “subprodutos”… com certeza ia ser otimo se eles pudessem ter um espaço que valorizasse a produção propria, onde pudessem expor e comercializar produtos ate mesmo com apelos culturais de suas próprias regiões. Isso iria valorizar mto o trabalho deles e talvez até mudar a realidade daqueles que passam tanta dificuldade.
    Eu sugiro que a prefeitura disponibilizasse pra isso ao menos um dos tantos casarões que dispõem no centro histórico… poderia se tornar um atrativo muito bom pra região e beneficiar a todos!! Claro que também não poderiam esquecer de fazer as melhorias prometidas no galpão que já existe pra isso na orla, mas que infelizmente é resultado de uma imensa falta de planejamento.

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