Quer ser feirante em Cuiabá? Entre na fila

Prefeitura diz que só abrirá novos espaços quando o processo de reestruturação estiver concluído

Cerca de 200 porções são vendidas por dia na barraca do Espaço Doce, de Eulenita da Silva Oliveira (Ednilson Aguiar/O Livre)

Todos os dias, empreendedores procuram a Prefeitura de Cuiabá para conseguir ponto em uma das 48 feiras da capital. Segundo dados da Secretaria de Agricultura, Trabalho e Desenvolvimento Econômico, são mais de 745 cadastrados e os espaços estão esgotados.

Na opinião da secretária, Débora Marques Villar, a procura aumentou por causa da crise econômica e do baixo custo da taxa de instalação. Semanalmente o feirante gasta entre R$ 50 e R$ 80 e atua em mais de uma feira.

Villar explica ainda que há muito tempo, as verduras e frutas deixaram de ser maioria entre as barracas. Elas perderam espaço para a gastronomia e entretenimento.

Dados da prefeitura mostram que apenas 30% dos feirantes vendem produtos vindos da agricultura familiar e nem todos são produtores. “Os sitiantes têm dificuldade com a logística e acabam recorrendo a atravessadores. Outro problema é a baixa produção”.

Em uma das principais feiras da cidade, a do Jardim Universitário, não há produtores rurais. Os donos de barracas são revendedores – e são poucos em relação às ofertas de alimentação.

O número de pessoas na feira do Jardim Universitário aumentou, conforme análise de Kátia Bezerra (Ednilson Aguiar/ O Livre)

A costureira Kátia Bezerra, 52 anos, diz que sempre foi assim. Quando o filho dela era pequeno, hoje adolescente, chorava se não viesse na feira.

E, quando chegava, a rota era a mesma. Primeiro, uma parada para o pastel com caldo de cana. Depois, hora do pula-pula e de brincar com os amigos.

“Agora, ele vem sozinho e não precisa mais de mim. Eu também acabei me afastando porque tem muita muvuca. O número de pessoas aumentou muito com os novos condomínios da região”.

Fluxo de consumidores e cada vez maior e grande parte tem predileção pela gastronomia (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O movimento que desagrada Kátia favorece Eulinda da Silva Oliveira, 58. A feirante conta que gostou muito da “muvuca”. Ela ganhou uma nova oportunidade de vida com a feira.

Depois de sair do trabalho como bancária e não achar outro emprego, ele começou a vender bolos e quitutes.

Apenas no Jardim Universitário ela chega a vender 200 porções por dia. “Eu não tenho o mesmo status que antes, mas consegui construir e ter qualidade de vida”.

Mais verduras

A secretária de Agricultura, Trabalho e Desenvolvimento Econômico, Débora Villar, disse que o órgão está elaborando um projeto para aumentar a participação do agricultor familiar nas feiras livres.

Nesse trabalho serão doados caminhões para associações e grupos. O veículo ajudará no transporte dos produtos até o ponto de comercialização.

Villar lembra que ainda tem a questão da sazonalidade de algumas produções. E há também o fato de os pequenos precisarem de orientação técnica para manter a frequência e quantidade necessária para o abastecimento.

“Temos que tornar a participação atraente. Porque precisamos entender que não é fácil vir do sítio todo dia à tarde e ficar em Cuiabá até a noite. Lembrando que os agricultores precisam acordar muito cedo”.

Reestruturação

A prefeitura está em um processo de reestruturação e padronização das feiras em Cuiabá. A ação começou pela feira do CPA e será ampliada para os demais 74 pontos da cidade.

Quando o processo estiver encerrado, a secretária acredita que novos pontos serão disponibilizados e as pessoas que tiverem na fila de espera poderão ser chamadas.

Clique aqui para saber onde, quando e como chegar as feiras de Cuiabá.

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