Saudade de mim

Débora Nunes: "saudade de quando achava que meu tempo era infinito"

Ilustrativa/Pixabay

Festa na quarta? Estou dentro. Aniversário na quinta? Era a primeira da lista. Viagem para Maresias no fim de semana? Pode deixar que dirijo. Trabalho e faculdade eram apenas detalhes. A vida era uma festa. Uma comemoração após a outra.

Ah, meus 20 e poucos anos! A sensação de que precisava viver tudo num único dia, sentir intensamente cada riso, cada lágrima, cada emoção, como se o amanhã não fosse chegar.

Tenho saudade de mim. Saudade da menina/mulher que só corria. Que ia de um lado para o outro, inquieta, porque queria sempre mais. Sempre com o pé no acelerador.

Havia tristeza, sim. Mas era tudo esporádico. Uma perda aqui, outra anos depois. Chorava-se por finais, mas grande parte eram as despedidas de amor. O coração dilacerado pelo príncipe que virou sapo ou fugiu num cavalo branco.

Saudade do drama! Quanto drama! Minha vida tinha mais emoção do que qualquer novela das oito ou roteiro de Hollywood.

Saudade de voltar para casa quando o sol estava nascendo. Saudade de ter o pique de ir para o trabalho tendo dormido apenas algumas horas. Saudade de não ter uma linha de expressão no rosto.

Saudade de quando achava que meu tempo era infinito. Saudade de quando saudade era apenas uma palavra no dicionário e não um sentimento que sinto todos os dias ao lembrar do que vivi ou de alguém que passou por minha vida e nunca mais verei.

Afinal, o que é a vida senão uma eterna saudade?

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