Propina para adjunto: empresa já recebeu R$ 5,5 milhões do governo de MT em 2020

Pagamentos foram efetivados por ao menos sete secretarias desde fevereiro e maior parte aparece relacionada ao Fundeb

A empresa TMF Construções e Serviços Eireli recebeu mais de R$ 5,5 milhões do governo de Mato Grosso, de fevereiro a setembro deste ano. Planilha de pagamentos à qual o LIVRE teve acesso mostra que a empresa recebeu transferência mínima de R$ 110 mil nos últimos oito meses. 

Os contratos foram assinados com ao menos sete secretarias – e 40,4% aparecem relacionados ao Fundo de Manutenção da Educação Básica (Fundeb).

A TMF Construções e Serviços é investigada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) como suposta pagadora de propina ao secretário adjunto da Casa Civil, Wanderson Nunes Nogueira (foto acima). 

Conforme publicado mais cedo pelo LIVREa TMF tem contratos que somam R$ 5 milhões, assinados pela Secretaria de Estado de Cultura e Esporte (Secel) e pela Casa Civil em 2020. Um dia antes do flagrante a Wanderson Nunes Nogueira, o governo havia liberado pagamento de R$ 114 mil para a contratada. 

A quantia mensal mais alta recebida até o momento pela empresa ocorreu em março, quando foi transferido R$ 1,8 milhão. Algumas semanas antes, a Secel encerrara licitação de R$ 4 milhões para a reforma do prédio histórico Grande Hotel, no centro de Cuiabá, tendo a TMC como vencedora. 

Nos quatro meses seguintes, as transferências para a empresa foram acima de R$ 500 mil. Em abril, foram liberados R$ 655 mil; em maio, R$ 563,6 mil; em junho, R$ 733,9 mil e em julho R$ 994,5 mil. 

Em agosto, a quantia foi de R$ 405,4 mil e, neste mês, R$ 259,9 mil. No dia 25 do mesmo mês, a Casa Civil fechou um contrato de R$ 999,5 mil. O primeiro pagamento no ano, em fevereiro, foi de R$ 110,8 mil. 

Denúncia anônima 

Wanderson de Jesus Nogueira foi preso na noite dessa quinta-feira (24) com R$ 20 mil em dinheiro, após deixar o prédio da Casa Civil. Conforme a Polícia Civil, o caso foi descoberto por meio de denúncia anônima. 

A informação repassada foi de que Wanderson Nunes teria recebido um envelope com dinheiro de propina do empresário Thiago Ronchi Adrien Eugênio, representante da empresa cuja assinatura aparece em contratos firmados com o governo desde 2018. 

Na averiguação da denúncia, policiais civis e agentes do Gaeco abordaram o servidor público na entrada do edifício em que Wanderson mora. Ele carregava uma mochila e nela havia maços de notas de R$ 50 R$ 100, que somavam R$ 20 mil. 

O adjunto teria dito que o dinheiro seria da venda de uma empresa na qual seria sócio. Mas, ao verificar as informações, a polícia identificou que ele se desligou da empresa em 2016. 

“Ex-Ambev”

Antes de ocupar cargos públicos na Prefeitura de Cuiabá (gestão Mauro Mendes) e no Governo de Mato Grosso nesta gestão e na anterior (Pedro Taques), Wanderson Nunes foi contador, durante 23 anos, da Distribuidora Colorado, pertencente ao secretário da Casa Civil Mauro Carvalho, que comercializava produtos da Cervejaria Ambev em Cuiabá.

Outro lado

O empresário Thiago Ronchi Adrien Eugênio não foi encontrado para falar sobre a investigação em curso no Gaeco.

Já o Governo do Estado de Mato Grosso apenas se manifestou por meio de nota pela manhã, informando que Wanderson Nunes havia sido exonerado do cargo de secretário-adjunto tão logo se soube de sua prisão em flagrante.

(Retificada às 19:15)

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