Por que o Brasil exporta tão pouco?

No ranking exportador mundial, o Brasil ocupa a 27ª posição

Foto: Tania Rego/Ag Brasil

A Gallup, empresa americana de pesquisa de opinião, publicou artigo relatando como o americano percebe o mercado internacional. Diferente do Brasil, quase 80% dos americanos adotam o comércio internacional como uma oportunidade e o número tem aumentado na última década. Enquanto isso, apenas 1% das empresas brasileiras são exportadoras. No ranking exportador mundial, o Brasil ocupa a 27ª posição.

Muito se fala sobre a importância do agronegócio e da exportação diante da crise da pandemia da Covid. Apesar da tímida cesta exportadora nacional, a exportação é uma oportunidade que deve ser incorporada de fato a todas as empresas.

Surgem indícios no mercado americano que podem contribuir para o empreendedorismo exportador no Brasil. O primeiro é a busca e a disposição em pagar mais por produtos sustentáveis. O segundo o boicote comercial dos produtos fabricados na China, Índia e México.

Segundo estudo da IBM e da Nacional Retail Federation, publicado na revista Barrons, quase 70% dos consumidores dos Estados Unidos e do Canadá acham importante uma marca que seja sustentável ou ecológica. A entrevista, que contou com 19 mil clientes de 28 países na faixa etária dos 18 a 73 anos, demonstra que as decisões individuais de compra estão mudando.

Quase 80% dos americanos querem saber a origem dos produtos e mais de 50% estão dispostos a mudar seus hábitos de compra para reduzir o impacto negativo no meio ambiente. Não são apenas os americanos que valorizam a sustentabilidade.

No contexto dos 28 países, quase 8 em 10 consumidores pesquisados afirmam valorizar a sustentabilidade. Mais de 70% desses entrevistados pagariam, em média, 35% a mais por marcas ecológicas.

Em Maio de 2020, a Bloomberg publicou os resultados da pesquisa realizada pela consultoria FTI Consulting de Washigton. A pesquisa entrevistou 1.012 adultos e os resultados são bem animadores para a indústria brasileira.

Segundo a pesquisa, 40% dos americanos não compram produtos fabricados na China. Quando a pesquisa de referiu a outros países os índices foram: 22% afirmam não comprar da Índia, 17% que se recusam a comprar do México e 12% que boicotam produtos da Europa.

Ainda de acordo com a pesquisa, 78% disseram que estariam dispostos a pagar mais pelos produtos se a empresa que os fabricou mudasse a fabricação para fora da China.

Aumentará nos Estados Unidos o consumo de produtos sustentáveis que não tenham origem na China, na Índia, no México e nem na Europa. Aumentará a demanda e existe a disposição de pagar quase 35% a mais.

Quais os tipos de produtos os americanos estão buscando? Quais produtos o Brasil pode ofertar ao mercado americano e demais países?

As novas matérias primas serão cultivadas, e não mais extraídas. A substituição do plástico por fontes renováveis já começam a acontecer e as fibras e óleos naturais se apresentam como alternativa viável. A inovação tecnológica aliada ao bom design pode garantir competitividade aos produtos brasileiros e a expansão do mercado internacional.

No agronegócio, o Brasil tem espaço para ampliar a participação no mercado americano. Atualmente, o Brasil é o 13º fornecedor de frutas ao mercado americano, atrás de outros países da América do Sul como Chile, Peru, Equador, Colômbia e Argentina. No caso do cacau, o Brasil ocupa a 14º posição.

A exportação é uma estratégia comercial que deve ser trabalhada em todos os setores produtivos como política pública permanente. Frentes da agenda foram abertas, entretanto por ser dispersa é notável que a falta de empenho simultânea e de cooperação prejudicam os avanços necessários.

Anos se passaram e o Brasil continua com apenas 1% das empresas exportadoras em 2020 de acordo com os dados do Ministério da Economia. Se o indicador de sucesso for números de empresas exportadoras e a quantidade de itens exportados, pode-se concluir a ineficiência e a falta de efetividade dos recursos destinados a expansão das exportações brasileiras.

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