Teste do pezinho ainda enfrenta obstáculos para realização em MT

Mais de 40 mil testes são realizados anualmente no Estado, porém ainda é preciso conscientização da população e atenção ao prazo de coleta do material

Com mais de 40 mil testagens sendo realizadas anualmente no Estado, ainda há obstáculos a serem vencidos quando o assunto é o teste do pezinho, como a conscientização quanto a importância de realização do exame e o prazo correto para a coleta do material.

O geneticista e coordenador Serviço de Referência em Triagem Neonatal (SRTN) de Mato Grosso, Francis Galera, explica que o Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável por realizar 76% dos testes dos nascidos vivos no Estado. O restante, 24%, fica na iniciativa privada e nesse ponto, o médico já sinaliza uma preocupação. “Ainda há dúvidas se esse restante realmente faz o teste”, comenta.

Outro problema, diz Galera, é que a procura não é feita na data correta, que é entre o 3º e o 5º dia de vida. O geneticista explica que o período é importante para garantir que o bebê já tenha uma alimentação contínua e satisfatória porque uma das dosagens feitas na análise, depende da alimentação. Porém, ao procurar as unidades de saúde para fazer a testagem, muitas mães são orientadas a retornar no dia específico para a coleta.

“Precisamos habilitar mais unidades para colher o sangue do bebê, sem definição de um dia específico para isso. Na Saúde temos uma concepção de que ‘não podemos perder oportunidades de realização de determinados procedimentos’ e isso vale para os exames, vacinas, entre outros”, diz o médico.

Combinado a isso, há a orientação e capacitação dos profissionais para o devido cuidado no preenchimento das fichas de teste. Isso porque, a depender do resultado, é necessário que o bebê passe por mais testes para fechar ou descartar um diagnóstico.

“É um trabalho em rede, orientar as mães durante o pré-natal para que façam o exame. Reforçar com os profissionais sobre o cuidado com o preenchimento da ficha. As Secretarias e o Ministério da Saúde precisam fazer campanhas estimulando que o teste seja realizado”, orienta o geneticista.

Necessidades de ampliações

Todas as amostras provenientes do SUS são analisadas no Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM), em Cuiabá, e Galera frisa que a expectativa é que a demanda já existente seja ampliada.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O médico explica que a unidade realiza mais de 40 mil testes por ano e os equipamentos utilizados no trabalho são disponibilizados via comodato, ficando a cargo do hospital a compra dos kits de testagem. Mas é necessário apoio da sociedade civil para que esse crescimento aconteça.

Outra ampliação necessária, mas que ainda não saiu do papel do rol de doenças que podem ser identificadas. Atualmente, são seis doenças: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, síndromes falciformes, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase. O diagnóstico de toxoplasmose deve ser o primeiro a agregar a lista.

Há um ano, o governo federal anunciou a ampliação, mas até agora não foi liberada pelo Ministério da Saúde, a rubrica orçamentária para que o teste possa efetivar essa primeira etapa de ampliação.

A expectativa federal é chegar a 50 diagnósticos, após 5 etapas de ampliação. Mas não há prazo para isso acontecer efetivamente.

Afinal, o que é o teste?

Galera explica que o teste do pezinho faz parte da triagem neonatal, implantada em 1992, ou seja, um conjunto de exames feitos nos bebês para identificar alguma doença de origem genética, sem manifestação física no período neonatal. Alterações essas que tenham a possibilidade de intervenção no período anterior a apresentação de sintomas.

A coleta do sangue é feita no calcanhar do bebê e é importante que seja feito dentro do prazo para que o resultado saia o quanto antes. A estimativa é que, após a amostra ser entregue no HUJM, dentro de uma semana, todos os exames foram feitos e a unidade de saúde consegue acessar as informações em um sistema específico.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Caso haja alguma alteração, aquele bebê passará por mais exames. “Fazemos o chamado ‘teste confirmatório’. Então, por isso é tão importante o preenchimento correto da ficha de testes”, reforça o geneticista.

Caso concreto

A cabeleireira Hingridy da Silva Freitas, de 34 anos, moradora de Cuiabá, tomou conhecimento do teste quando teve o primeiro filho que não apresentou nenhuma alteração no teste. Já o segundo bebê, o Benjamim, que tem hoje pouco mais de um ano, está com suspeita de fibrose cística.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Nesta semana, o menino passou pelo teste do suor que é realizado para confirmar ou descartar a doença. Já é a quinta vez que o exame é realizado, os outros anteriores foram resultado positivo, mas o teste genético feito depois, teve resultado negativo e Benjamim nunca apresentou nenhum sintoma da doença.

“O teste é muito importante mesmo e tem que ampliar o quanto for possível, sim”, diz.

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