Pandemia tirou a renda de quase 50% dos trabalhadores da cultura

Impacto se torna ainda maior quando levado em conta que 45% desses profissionais ganhava, no máximo, dois salários mínimos

Imagem Ilustrativa (Foto: Reprodução)

“A arte existe para que a realidade não nos destrua”. A frase atribuída ao filósofo alemão Friedrich Nietzsche nunca pareceu tão atual quanto no período da pandemia do novo coronavírus, que obriga o isolamento social. Mas os profissionais do setor cultural – que dependem (quase que) exclusivamente da presença do público para trabalhar – são exatamente os que mais padecem sem renda.

O resultado parcial de uma pesquisa em nível nacional revelou que quase 50% dos trabalhadores do setor ficaram sem renda em função da pandemia.

Desde o início do isolamento social, as atividades mais impactadas com a perda total da receita foram os festivais e feiras (68,4%), seguidos do teatro (59,1%). Ainda aparecem na lista a produção de filmes (53,9%) e o setor de música (49,5%).

Flávio Ferreira, diretor da Cia Cena Onze de Teatro, de Cuiabá, que completou 30 anos de estrada em 2019, acredita todavia que o número tende a ser ainda maior.

“Pelo que vivenciamos, o setor cultural foi o primeiro a parar, a ser atingido pela pandemia. Vivemos de público, nossas ações dependem do público. E artista não tem capital de giro, renda fixa, como os empresários. Há um sofrimento muito grande na classe”, comenta.

O que o estudo revela?

O sociólogo Rodrigo Correia do Amaral, um dos coordenadores do levantamento, aponta que um dos principais problemas é que – embora se trate de uma mão de obra qualificada – a natureza do trabalho cultural é “muito caracterizada pela informalidade e pela baixa remuneração”.

De acordo com o resultado parcial da pesquisa, 45% do total dos profissionais têm o rendimento médio entre 1 e 2 salários mínimos.

O questionário permanece público e pode ser respondido pela categoria até o dia 16 de julho, pela internet. A ideia é que o resultado forneça informações aos gestores públicos, orientando o debate e a criação de saídas para a crise no setor.

(Foto: Suellen Pessetto/ O LIVRE)

União faz a força

A expectativa – nada animadora – do estudo é que os trabalhadores da área estarão entre os últimos a terem suas atividades normalizadas.

Segundo Flávio, porém, o momento fez com que o setor unisse forças para se manter de pé. “Nunca vi a classe artística de Mato Grosso tão unida como agora. Todos os setores se amparando mutuamente e lutando contra um governo de extrema direita”, afirma.

A digitalização das artes tem sido uma alternativa. Atores e músicos, por exemplo, têm se apoiado nas redes sociais para adaptar shows e espetáculos, até que casas de show e teatros possam ser reabertos.

Lei Aldir Blanc

No final de junho, na tentativa de ajudar o setor, o governo federal sancionou a Lei 14.017/2020, chamada de Lei Aldir Blanc, que institui auxílio financeiro a artistas. Ao todo, R$ 3 bilhões devem ser distribuídos no país.

A lei homenageia o cantor Aldir Blanc, que morreu em maio, aos 73 anos, após contrair covid-19.

O texto prevê o pagamento de três parcelas de um auxílio emergencial de R$ 600 mensais. O valor será repassado, em parcela única, para Estados, municípios e Distrito Federal, responsáveis pela aplicação dos recursos.

Para Flávio, a lei é um grande avanço na luta do setor e na economia do país.

“Há uma dor coletiva muito grande. Nós comemos, vestimos. Se a categoria deixa de produzir, o impacto será em toda a economia. A lei vai tentar resgatar não só o artista, mas toda a economia”.

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