Pandemia: recuperar prejuízos à educação será um processo lento, avaliam políticos

Levantamento do Todos pela Educação mostra que número de crianças com idade entre 6 e 14 anos fora da escola aumentou 171% em relação a 2019

Imagem Ilustrativa (Foto: Seduc-MT)

A gestão educacional durante a pandemia foi marcada por precariedade estrutural em quase todo o país e vai demandar muito tempo e vontade política para que os prejuízos sejam recuperados. Essa foi a conclusão dos debatedores que participaram de reunião nesta segunda-feira (6) da Subcomissão Temporária para Acompanhamento da Educação na Pandemia, instalada no Senado.

Presidente do colegiado, o senador Flávio Arns (Podemos-PR) defendeu que o Orçamento assegure mais recursos para o setor.

“Lembro sempre de uma frase muito usada por Dr. Olympio Sotto Maior, ex-procurador-geral do Ministério Público no Paraná: ‘Lugar de criança, de adolescente e da educação é no Orçamento’. Ou seja, temos que olhar o Orçamento para ver se a criança e o adolescente de fato são prioridade absoluta na área da educação”, afirmou Arns.

De acordo com os participantes da audiência, um dos principais desafios do país é desenvolver políticas públicas voltadas para o acesso amplo à internet. Para Arns, o “quadro catastrófico” da educação brasileira na pandemia tem muito a ver com a desigualdade estrutural que marca a sociedade brasileira, explicitada no precário acesso à internet, que impediu que dezenas de milhões de crianças e adolescentes tivessem ensino de fato.

Dados da Fundação Lemann mostram que 25% dos estudantes brasileiros simplesmente não têm acesso à internet.

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Apoio

O vice-presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Jair Souto, disse que prefeituras precisam de apoio técnico e financeiro dos estados e da União para recuperar o dano causado pela pandemia.

“O prejuízo educacional é profundo. E não adianta nos iludirmos: levará muito tempo para a recuperação, pelo menos parcial, das perdas. Os prejuízos ampliaram a desigualdade de oportunidade entre ricos e pobres. Com mais capacidade e flexibilidade de investimento, o ensino privado tem se readequado mais rapidamente. Mas para uma readequação do ensino público, sobretudo o municipal, precisamos de mais cooperação técnico-financeira dos outros entes. Não podemos tratar os desiguais de forma igual. Os municípios devem ter essas diferenças consideradas na elaboração de políticas públicas de forma regionalizada. Temos que investir na universalização da internet de qualidade e equipamentos de software, por exemplo”, afirmou Souto.

Desinteresse

Camila Pereira, da Fundação Lemann, disse que é preciso recuperar o interesse pela educação por parte de dezenas de milhões de estudantes.

“Em pesquisa nossa com o Datafolha e o Itaú Social, feita de maio de 2020 até setembro de 2021, com pais de crianças, o dado mais chocante é que 34% dos pais falam que os filhos perderam o interesse pela escola. Outro dado cruel e triste é a insegurança alimentar: 34% das famílias dizem que a quantidade de comida foi menos que a suficiente. E a gente sabe o papel que a escola tem na merenda. Um outro levantamento do Todos pela Educação mostra que o número de crianças entre 6 e 14 anos fora da escola aumentou 171% em relação a 2019”, afirmou.

Camila Pereira também disse que o Brasil foi o país que manteve as escolas fechadas por mais tempo, na contramão do que foi feito pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), grupo de 35 nações com economias mais avançadas. Esse quadro também foi mencionado pela procuradora da República Maria Cristina Manella Cordeiro. De acordo com ela, o Ministério Público teve que entrar na Justiça para forçar a reabertura Institutos Federais.

(Da Agência Senado)

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