Pandemia faz reduzir quase pela metade o número de greves no país

Levantamento do Dieese apontou ainda que mais da metade das paralisações ocorreram na iniciativa privada

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

A pandemia da covid-19 fez de 2020 um ano com menos greves trabalhistas pelo país. Foram 649 manifestações, um número 42% inferior ao registrado no em 2019, quando 1.118 casos foram registrados.

Os números são de um levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e foram os menores já registradas desde 2011.

O levantamento também apontou que 64% das paralisações foram organizadas por trabalhadores da iniciativa privada.

E é possível afirmar que a pandemia foi a causa dessa redução porque o número de greve caiu vertiginosamente a partir de abril (mês em que praticamente todo o país estava em isolamento social) e voltou a crescer em setembro (quando as regras sanitárias já estavam mais flexibilizadas).

Iniciativa privada

Na iniciativa privada, 40% das greves tiveram como motivo o atraso de algum pagamento, seja de salário, férias ou 13º. Outras 22% cobraram reajustes salariais e 16% foram por melhores condições de trabalho, em especial relacionadas a segurança e fornecimento de equipamentos de proteção individual.

O levantamento do Dieese também apontou que 58% dessas greves se encerraram no mesmo dia e 9% duraram mais de 10.

O Departamento não conseguiu saber o desfecho de todas elas, apenas 32%. Entre essas, 76% resultaram em alguma reivindicação atendida.

Esfera pública

Já na esfera pública, os números do Dieese mostram que 61% das greves foram realizadas por servidores municipais. Em seguida, sendo responsáveis por 35% delas, estão os servidores estaduais.

Pouco mais da metade dessas greves, 53%, se encerraram no mesmo dia em que foram deflagradas. Mas 12% acabaram durando mais de 10 dias.

E 79% delas abarcaram toda uma categoria de profissionais. Na iniciativa privada, isso só ocorreu em 29% dos casos. A maior parte das greves no setor privado foi de iniciativa isolada em determinada empresa.

A maior parte das greves no setor público (79%) foi em caráter defensivo, ou seja, para manter algum direito já adquirido. Em 48% dos casos, as paralisações ocorreram por algum descumprimento de datas e pisos.

Outros 31% das paralisações tiveram como motivo melhores condições de trabalho, seja pr conta do ambiente ou da falta de material e insumos. 25% das greves pediam a implementação, alteração ou cumprimento de Planos de Cargos e Salários e 17% cobraram medidas de proteção contra a covid-19.

O Dieese só teve acesso ao desfecho de 24% das greves do setor público. Dessas, 74% foram resolvidas com negociação direta e em 33% dos casos foi necessário o  envolvimento da Justiça.

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